Olha, quando a gente fala da habilidade EF09ER01 da BNCC, a gente tá falando de como os alunos podem entender e respeitar aqueles princípios e orientações que guiam o cuidado com a vida nas diversas tradições religiosas e filosofias de vida. Na prática, isso tá muito mais ligado à questão do respeito e do entendimento das diferenças, sabe? A ideia é que os alunos consigam perceber que cada religião ou filosofia tem seus próprios jeitos de ver o mundo e os cuidados com a vida, e que isso deve ser respeitado, mesmo que não concordemos com tudo.
Agora, como é que eu vejo isso na prática? Bom, um aluno lá do 9º ano precisa ser capaz de olhar pra uma situação cotidiana ou um debate de ideias e identificar como diferentes crenças e filosofias lidariam com aquilo. Ele precisa reconhecer que, por exemplo, o Cristianismo pode ter uma maneira de ver a vida e a morte diferente do Budismo ou do Candomblé. E mais: precisa entender que essas diferenças são valiosas porque oferecem outras perspectivas, maneiras de pensar que podem enriquecer nosso jeito de viver. Daí eles começam a conectar isso com o que já viram nos anos anteriores: no 8º ano, a gente discutiu muito sobre a história das religiões e as suas principais ideias. No 9º ano, a coisa fica mais sobre como essas ideias se aplicam no nosso dia a dia.
A primeira atividade que eu faço é uma roda de conversa. Pra essa atividade, a única coisa que eu uso é um círculo de cadeiras e algumas frases polêmicas ou perguntas abertas escritas num pedaço de papel. A galera senta em círculo e eu apresento uma dessas frases do tipo "A vida começa no nascimento ou na concepção?" ou "Deus existe?". A partir daí, eles começam a discutir. A regra é todo mundo respeitar a vez do outro falar – se alguém tá falando, o outro escuta. Isso costuma levar uns 50 minutos.
Os alunos reagem das maneiras mais variadas. Da última vez que fiz essa atividade, o João e a Maria entraram numa discussão super interessante sobre quando começa a vida. O João trouxe argumentos da Igreja Católica, enquanto a Maria falou sobre perspectiva científica. No final das contas, eles não chegaram num consenso, mas aprenderam a ouvir e respeitar os argumentos um do outro. E isso é o mais importante.
A segunda atividade é uma pesquisa sobre rituais de passagem em diferentes culturas. Os alunos se dividem em grupos de três ou quatro e cada grupo escolhe uma religião ou filosofia pra pesquisar – pode ser algo como batismo no Cristianismo, Bar Mitzvah no Judaísmo, ou até cerimônias no Hinduísmo. Eles têm uma semana pra pesquisar e preparar uma apresentação curta pro resto da turma.
Na apresentação, eles falam sobre os rituais e como eles estão relacionados ao cuidado com a vida dentro daquela tradição específica. É interessante ver as reações dos alunos. Na última vez que fizemos isso, o grupo do Pedro trouxe uma dança típica que faz parte de um ritual indígena – foi muito bacana ver o interesse dos colegas em aprender algo tão distante da realidade deles.
A terceira atividade é uma visita virtual ou presencial (quando possível) a um espaço religioso da cidade. Isso pode ser uma igreja, um templo budista, uma sinagoga... qualquer espaço onde eles possam observar como aquela comunidade vive suas crenças no dia a dia. Antes da pandemia, costumávamos visitar esses lugares ao vivo mesmo; agora podemos fazer virtualmente com vídeos ou tours online.
Eles levam um caderno pra anotar as impressões durante a visita. Depois disso, em sala de aula, a galera compartilha o que mais chamou atenção – seja algo visual, alguma prática específica ou até mesmo o modo como foram recebidos no local. Da última vez que visitamos uma igreja evangélica local (antes da pandemia), a Ana ficou surpresa com o quanto eles valorizavam o acolhimento dos visitantes e comentou que isso ajudava ela a entender melhor algumas das práticas das quais ela só tinha ouvido falar por alto.
Bom, esse tipo de atividade ajuda demais os meninos a perceberem as conexões entre as diversas formas de ver o mundo e os cuidados com a vida. É incrível ver como eles começam a se interessar mais pelo tema conforme vão entendendo melhor cada tradição. O legal é que essas atividades não são só pra ensinar sobre religiões diferentes; elas também ensinam sobre empatia e respeito. E isso é essencial pra convivência pacífica no mundo diverso em que vivemos hoje.
Então é isso! Espero que essas ideias ajudem outros professores aí na luta diária com os meninos do 9º ano. Qualquer dúvida ou sugestão nova é só falar!
Agora, como é que eu vejo isso na prática? Bom, um jeito de perceber que os meninos realmente entenderam essa habilidade é quando eu tô andando pela sala e ouço eles conversando entre si. Às vezes, um aluno fala algo sobre uma tradição religiosa que a gente discutiu na aula anterior, e outro corrige ou complementa, mostrando que pegou os conceitos direitinho. Teve uma vez que o Lucas tava explicando pra Maria sobre o significado de uma cerimônia específica do budismo que discutimos. Ele dizia algo tipo "não é só um ritual, é sobre encontrar paz interior", e aí eu pensei "ah, esse entendeu".
Outra forma é quando a galera começa a fazer perguntas mais elaboradas, sabe? Tipo assim, ao invés de perguntar "o que é isso?", eles perguntam "por que isso é assim?" ou "como isso se relaciona com aquilo?", mostrando que não tão só decorando, mas tentando entender de verdade. E também tem aqueles momentos em que um aluno vê uma coisa no noticiário ou na internet e relaciona com o que a gente viu em sala. Aí eles chegam empolgados querendo contar: "Professor, vi uma coisa ontem e lembrei da sua aula!". Isso é um baita indicativo de que a ideia tá ali na cabeça deles.
Agora, claro, os erros acontecem. Um erro comum é confundir práticas religiosas de diferentes tradições. Teve uma vez que o João confundiu o jejum do Ramadã com o Yom Kipur dos judeus. Ele achou que era tudo a mesma coisa porque tinha a ver com não comer. Esses erros acontecem porque na cabeça dos meninos tudo parece meio parecido se não param pra ver os detalhes e contextos. Quando pego esse tipo de erro na hora, procuro perguntar mais: "E aí, João, o que mais você lembra sobre essa prática? Vamos pensar juntos". Isso faz com que ele mesmo volte às informações corretas.
Já com o Matheus, que tem TDAH, eu ajusto algumas coisas nas atividades. O desafio maior é manter ele focado sem sobrecarregar. Aí eu costumo dividir as tarefas em partes menores e dou um tempo razoável pra cada etapa. Por exemplo, se a aula envolve leitura e discussão, primeiro faço ele ler só um parágrafo e depois discutimos juntos antes de passar pro próximo. Acho que isso ajuda ele a não ficar perdido no meio do caminho. Outra coisa é usar material visual – imagens e vídeos curtos – porque sei que ajuda ele a manter a atenção.
Com a Clara, que tem TEA, tento ser bem claro nas instruções e uso mais recursos visuais também. Ela se dá bem com rotinas previsíveis, então sempre aviso com antecedência quando vamos fazer algo diferente do normal. Uma vez testei usar fones de ouvido com música instrumental enquanto ela lia textos mais longos e isso até funcionou melhor do que imaginei. Mas nem tudo é sucesso sempre: já tentei usar jogos em grupo e percebi que ela ficava desconfortável com a bagunça. Então agora busco atividades colaborativas mais calmas pra incluir ela.
No fim das contas, esses ajustes são parte do aprendizado contínuo meu também. Cada turma tem suas individualidades e desafios, mas sempre encontro maneiras de trabalhar esses pontos junto com eles. A beleza do ensino tá aí: cada dia uma nova descoberta.
Bom, pessoal, acho que já compartilhei bastante por hoje. Espero que essas histórias ajudem vocês a pensar em estratégias pras suas próprias salas de aula também. Tamo junto nessa caminhada educativa! Qualquer dúvida ou ideia nova tô por aqui. Um abraço!