Olha, essa habilidade EF09ER02 aí da BNCC é bem interessante e, na prática, eu vejo ela como uma oportunidade de ajudar os meninos a entender como a valorização e o desrespeito à vida aparecem nas mídias que eles consomem. Sabe quando a gente tá lá vendo TV, mexendo no celular e começam aquelas matérias que falam de coisas pesadas, tipo violência, mas também de coisas boas, tipo solidariedade? Então, é isso que a gente precisa fazer eles sacarem. Eles precisam conseguir perceber como essas narrativas são construídas nas mídias e discutir o impacto disso. É um jeito de pegar o que eles já sabem da série anterior sobre ética, valores e respeito e aprofundar mais, ligando a vida deles com o mundo à volta.
A primeira atividade que faço é uma roda de conversa depois de assistir uma reportagem de TV. Eu pego algo recente, que tenha dado bastante o que falar. Na última vez que fizemos, foi uma matéria sobre um ato de solidariedade em uma comunidade carente daqui de Goiânia. Usei meu notebook e um projetor emprestado da escola pra passar a reportagem pra turma toda. A gente se organiza em círculo na sala, todo mundo junto mesmo, e leva uns 50 minutos. Eu gosto de deixar todo mundo falar, mesmo os mais tímidos, tipo o João que sempre se esquiva no começo mas depois solta umas ideias bem legais. A reação da turma é sempre interessante; muitos ficam surpresos quando percebem detalhes que não tinham notado ao assistir sozinhos. A gente discute questões como "Por que essa história foi escolhida pela TV?" ou "Como isso muda a maneira como a gente vê aquela comunidade?". Da última vez, a Maria levantou um ponto incrível sobre como a música usada na reportagem fazia a gente se emocionar mais.
Outra atividade que faço é trabalhar com notícias de jornal impresso. Parece velho, mas é bom pra eles verem como as coisas são escritas sem as imagens e sons da TV ou internet. Levo alguns jornais do dia ou da semana anterior e peço pra eles escolherem uma matéria que acharem interessante sobre valorização ou desrespeito à vida. Divido a turma em pequenos grupos de 4 ou 5 pessoas e deixo eles analisar e depois apresentar pros colegas o ponto de vista da matéria. Essa atividade pode ficar mais curta, uns 40 minutos dá pra fazer tranquilo. Da última vez que fizemos isso, o grupo do Lucas escolheu uma matéria sobre violência contra jovens e analisaram como o texto dava mais ênfase à vida pregressa das vítimas do que aos criminosos. Foi legal ver como eles perceberam esse detalhe.
Por fim, gosto de usar as redes sociais pra essa análise crítica também. A galera adora TikTok e Instagram, então eu peço pra cada um trazer um post ou vídeo que acharem relevante pro tema. A gente faz tipo uma feira onde cada um apresenta pro resto da turma o conteúdo que escolheu, explicando por que acha que aquilo valoriza ou desrespeita a vida. Isso geralmente leva uma aula inteira porque eles gostam de discutir bastante cada vídeo ou post. O Arthur trouxe um vídeo sobre um resgate de animais em situação de risco e foi bonito ver como ele falou apaixonadamente sobre aquilo, ligando com a ideia de cuidado com todas as formas de vida.
O mais bacana dessas atividades é ver como elas despertam debates calorosos e fazem os meninos pensar além do superficial. Eles começam a perceber os elementos por trás das matérias: escolha das palavras, imagens usadas e até as músicas tocadas no fundo. E quando você vê aquele aluno quietinho levantando a mão pra dar sua opinião é quando percebe que o trabalho tá dando certo.
No fim das contas, é tudo sobre dar ferramentas pra eles entenderem melhor o mundo em volta deles e formarem suas próprias opiniões críticas. E aos poucos eles vão pegando gosto por discutir temas assim mais complexos. É recompensador demais ver esse crescimento todo na sala.
Então é isso! Espero ter ajudado algum colega por aí com essas ideias práticas. Bora continuar nessa missão de educar com carinho!
Então, como é que eu percebo que os alunos realmente tão pegando a ideia dessa habilidade sem aplicar uma prova formal? Olha, é um pouco de feeling, sabe? Eu fico muito atento ao jeito que eles discutem entre si. Na hora que a gente tá fazendo uma atividade em grupo, eu circulo pela sala, dou uma espiadinha nas conversas e já dá pra sacar quando alguém entendeu. Tipo, teve uma vez que o Joãozinho tava explicando pro Pedro sobre como certas músicas podem plantar uma ideia de desvalorização da vida e ele usou um exemplo de uma música famosa na época. Aí, o Pedro fez uma cara de quem acendeu a lâmpada na cabeça e até complementou com outro exemplo. Aí eu pensei "ah, esses dois pegaram o fio da meada".
Outro momento que eu gosto de observar é quando eles estão fazendo aqueles murais sobre notícias. Eu deixo eles escolherem notícias de jornais ou da internet e, no final da atividade, eles têm que apresentar o mural pra sala. Quando alguém consegue explicar direitinho como a matéria pode influenciar a percepção das pessoas sobre o respeito à vida, aí eu sei que o aluno entendeu o recado. Uma vez, a Fernanda fez um mural sobre uma campanha social e conseguiu relacionar bem com a habilidade. Ela explicou como a campanha promovia valores de solidariedade e dava exemplos concretos do impacto na comunidade dela.
Agora, os erros comuns que acontecem... Ah, isso tem de monte! Um erro que eu vejo bastante é quando os meninos acabam simplificando demais as coisas. Tipo o Gabriel, que tentou falar que toda notícia ruim era desrespeitosa com a vida. Ele pegou um exemplo de uma notícia sobre violência urbana e não conseguiu perceber que a matéria também tava trazendo propostas pra solução do problema. É um erro comum porque, às vezes, eles acham mais fácil ver as coisas em preto e branco. Quando pego esse tipo de erro na hora, eu chamo pra conversar e tento mostrar como as narrativas são mais complexas. Faço perguntas tipo "Mas será que essa parte aqui não tá tentando mostrar um lado positivo também?" Isso ajuda a puxar o raciocínio deles pra uma visão mais equilibrada.
Outro erro comum é não perceber o impacto positivo de uma narrativa porque ela não tem uma "cara" tradicional de ação solidária ou respeitosa. Teve uma vez que a Letícia analisou uma matéria sobre um artista que tava arrecadando fundos pra ajudar comunidades carentes e disse que era só autopromoção. Eu expliquei pra ela como às vezes as ações têm várias camadas e nem tudo é aparente logo de cara.
Sobre meus alunos Matheus e Clara, bom, cada um tem suas necessidades específicas né? Com o Matheus, que tem TDAH, eu tento fazer atividades mais dinâmicas com intervalos frequentes. Uma coisa que funciona bem é deixar ele usar fones de ouvido com músicas relaxantes enquanto faz leituras ou trabalhos escritos. Também dou atenção extra quando ele precisa mudar de atividade. Já com a Clara, que tem TEA, o negócio é diferente. Eu sempre aviso ela antes das mudanças de atividade ou se vamos fazer algo fora do comum da rotina. Isso ajuda ela a se preparar mentalmente e reduz a ansiedade.
Para ambos, tento oferecer materiais visuais mais ricos. Com o Matheus, vídeos curtos funcionam bem porque mantêm ele engajado por mais tempo sem perder o foco. Já pra Clara, uso muitas imagens e esquemas visuais nas explicações, porque ela responde bem a esse tipo de estímulo.
Uma coisa que não funcionou foi tentar usar aqueles aplicativos muito cheios de cores e sons pro Matheus se organizar. Isso acaba virando distração em vez de ajuda. Com Clara, tentei uma vez fazer um debate em turma sem avisar antes e ela ficou super desconfortável. Aprendi que essas mudanças têm que ser anunciadas com antecedência.
E olha só, cada dia é um aprendizado novo com essa galera! Sempre tem coisa pra ajustar aqui e ali, seja no jeito de ensinar ou no jeito de entender cada aluno como único. E é isso aí pessoal! Vamos trocando essas ideias por aqui porque sempre dá pra aprender mais uns com os outros. Até a próxima!