Olha, lá na turma do 4º ano, essa habilidade EF04GE03 da BNCC é aquela que ajuda os meninos a entenderem como funciona o poder público aqui na cidade e como eles podem participar. A ideia é que eles saibam que existe a prefeitura, a câmara de vereadores, os conselhos municipais, essas coisas, e que cada um tem um papel diferente. Porque, assim, a gente quer que eles não fiquem só achando que tudo é culpa do "prefeito" ou da "prefeitura", mas que entendam que tem mais gente envolvida nas decisões e nas ações. E o legal é que isso se conecta com o que eles já viram antes sobre a comunidade onde vivem, tipo quando estavam no 3º ano e aprendiam mais sobre o bairro e as pessoas que vivem ao redor.
Agora, quando penso em como essa habilidade se aplica na prática, eu vejo assim: o aluno precisa conseguir identificar quem faz o quê, sabe? Tipo, se ele vê uma praça precisando de cuidados, ele deve saber que pode procurar um vereador ou participar de um conselho pra fazer essa demanda chegar na prefeitura. E isso vai além de só saber quem é o prefeito, porque envolve entender que ele, como cidadãozinho, tem voz e pode participar das decisões.
Pra trabalhar isso com meus alunos, eu sempre busco atividades que sejam bem práticas e envolventes. Uma que gosto muito é a visita à Câmara Municipal. Aí você me pergunta: "Carlos Eduardo, mas como fazer isso em tempos de pandemia?" Bom, em tempos normais, eu organizava uma visita presencial mesmo, mas nos últimos anos ajustei pra uma visita virtual. O material usado é bem simples: um computador com internet e um projetor na sala. Eu organizo a turma dividindo em grupos pequenos pra eles poderem discutir entre si durante a atividade. Isso leva uma aula inteira, tipo umas duas horas contando com o tempo de discussão depois. Os meninos sempre ficam interessados em ver como os vereadores discutem os projetos e falam uns com os outros. A última vez que fizemos isso, o João ficou impressionado ao saber que o pessoal podia assistir as sessões ao vivo pela internet. Ele ficou maravilhado e disse pra turma toda: "Dá até pra ver de casa! Imagina só se minha mãe soubesse disso!"
Outra atividade é um debate simulado em sala de aula. Divido a turma em três grupos: "prefeitura", "câmara de vereadores" e "conselhos municipais". Aí dou pra cada grupo um caso fictício pra resolverem, tipo "A praça principal precisa de mais árvores". Eles têm que discutir entre si e depois apresentar pra sala como resolveriam o problema. Uso papel pardo pra eles anotarem as ideias enquanto discutem. Essa atividade leva umas duas aulas pra dar tempo deles se organizarem e apresentarem as soluções. É incrível ver como alguns se envolvem! No último debate simulado, a Maria Clara, que era da "câmara", apresentou uma ideia bem elaborada de fazer uma parceria com um viveiro local pra conseguir as árvores sem custo. Todo mundo bateu palma pra ela!
Por fim, gosto de fazer uma roda de conversa sobre participação social. Eu trago notícias recentes sobre alguma decisão importante do município e leio com eles. Depois pergunto o que acharam da decisão e quem participou dela. Aí discutimos como poderiam ter participado ou influenciado aquilo de alguma forma. Não precisa de muito material além do jornal ou site da internet com as notícias impressas. Geralmente faço isso em meia aula e deixo o restante pro bate-papo fluir entre eles. Da última vez que fizemos isso, falamos sobre a criação de uma ciclovia nova na cidade. O Lucas ficou super animado porque ele anda de bicicleta todos os dias e tinha várias ideias de melhorias. Ele até sugeriu que poderíamos escrever uma carta juntos pra mandar pra prefeitura com essas sugestões.
Essas atividades ajudam muito os meninos a perceberem que fazem parte da cidade e têm poder de participação. Claro que nem todo mundo vai sair ativista depois disso, mas o importante é plantar essa sementinha neles desde cedo. E muitas vezes eu aprendo junto com eles! Por mais que eu já conheça o conteúdo, ouvir as ideias deles sempre me traz novas perspectivas.
Bom, espero ter ajudado algum colega aí querendo dicas de como trabalhar essa habilidade da BNCC! Qualquer coisa tô por aqui no fórum pra gente trocar mais figurinhas sobre as aulas nas nossas escolas públicas. É sempre bom saber que não estamos sozinhos nessa jornada educacional!
Então, continuando aqui, o jeito que eu percebo que a galera realmente aprendeu a habilidade EF04GE03 é bem na observação do dia a dia mesmo. Quando tô circulando pela sala, prestando atenção nas conversas entre eles, dá pra ver quem captou a mensagem. Às vezes, escuto um aluno explicando pro outro na hora da atividade em grupo e percebo que o negócio tá pegando lá. Tipo a Ana Clara, outro dia ela tava falando pro João sobre como os vereadores ajudam a decidir no que o dinheiro deve ser gasto na cidade e deu o exemplo do parquinho que eles queriam na escola. Eu só fiquei de canto ouvindo, com um sorrisinho no rosto, pensando "ah, essa aí entendeu".
Outro exemplo foi quando pedi pra turma pensar em uma ação que eles poderiam fazer na escola ou na comunidade e o Lucas veio com uma ideia de fazer uma reunião com os colegas pra discutir como poderiam melhorar a quadra de esportes. Ele até mencionou a ideia de tentar falar com algum vereador do bairro através de uma carta ou vídeo. Fiquei impressionado porque ele ligou os pontos de como o poder público pode ser acessível, algo que tento reforçar sempre nas aulas.
Agora, os erros mais comuns que vejo nesse conteúdo são geralmente sobre quem faz o quê. O Pedro, por exemplo, sempre confunde a função dos vereadores com a do prefeito. Ele acha que tudo que acontece na cidade tem que passar pelo prefeito primeiro. Já expliquei algumas vezes que os vereadores têm um papel importante nas decisões, mas ele ainda dá umas escorregadas nisso. Aí eu faço ele voltar na atividade e tentar explicar novamente, ou peço pra alguém na sala explicar pra ele usando um exemplo do cotidiano deles.
Também tem os erros de generalização. A Júlia outro dia disse que se algo não acontece é porque a prefeitura não quer saber da gente. Tive que sentar com ela e explicar que as decisões são mais complicadas porque envolvem várias etapas e pessoas diferentes e nem sempre é só falta de vontade. É interessante ver como eles às vezes simplificam as coisas na cabeça deles.
E aí, falando agora sobre o Matheus e a Clara. Bom, o Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de apoio pra se concentrar nas atividades. Eu sempre tento manter as instruções bem claras e curtas pra ele e dou uma atenção especial na hora de começar uma tarefa nova. Às vezes, divido as atividades em partes menores pra ele não se sentir sobrecarregado. O que funciona bem é dar pra ele algum material visual ou gráfico sobre como funcionam as coisas na cidade. Ah, e deixar ele mais próximo de mim ou da lousa ajuda bastante também.
Com a Clara, que tem TEA, preciso adaptar algumas coisas também. Ela se beneficia bastante com rotinas bem estruturadas e previsíveis, então tento sempre manter a mesma ordem das atividades durante a semana. Uso também recursos visuais como mapas coloridos ou imagens sobre as funções das instituições públicas, isso ajuda bastante ela a entender melhor o que estamos discutindo. Teve uma vez que usei um jogo online simples pra mostrar como as decisões são tomadas nas instituições e ela se envolveu bastante.
Agora, nem tudo funciona sempre como planejado. Já tentei fazer um debate aberto sobre problemas da comunidade e achei que seria legal pro Matheus e pra Clara participarem, mas acabou ficando confuso demais pra eles acompanharem. Acho que preciso trabalhar melhor a mediação desses debates pras próximas vezes.
Enfim, é isso aí pessoal! Espero ter ajudado um pouco compartilhando essas experiências com vocês. Ensino é assim mesmo: cada dia é um aprendizado pros alunos e pra gente também! Se tiverem dicas ou quiserem compartilhar as experiências de vocês com alunos com necessidades específicas ou sobre ensinar esse tipo de conteúdo, vou adorar trocar ideia! Até mais!