Olha, essa habilidade EF04GE04 da BNCC é bem interessante, porque a gente tá falando de como o campo e a cidade tão ligadinhos, né? Tipo, não é só pensar que um tá aqui e o outro lá longe. Eles têm uma relação direta e uma coisa influencia a outra. Por exemplo, os meninos precisam entender que o tomate que a gente compra no supermercado vem de uma plantação lá no interior e que a cidade depende desse campo pra ter comida. Ao mesmo tempo, o campo depende da cidade pra vender esse tomate. É um troca-troca constante! Eles também precisam enxergar que pessoas e ideias circulam entre esses dois universos.
E sobre a galera já saber disso na série anterior, eles já tinham visto um pouco sobre o que é cidade, o que é campo, mas de uma maneira mais geral. Agora, a ideia é afiar esse olhar deles pra perceber esses fluxos e interdependências. É bom ver quando eles começam a juntar as peças dessas relações e enxergar como tudo tá conectado.
Bom, vou contar um pouco de como eu trabalho isso na sala de aula.
Primeiro, eu faço uma atividade que chamo de "Jornada do Tomate". É bem bacana e dá resultado. Uso materiais simples: fotos de uma plantação de tomate, caixas de transporte, imagens do mercado e da feira. Divido a turma em grupos de 4 ou 5 alunos. Cada grupo recebe um conjunto de imagens e eles têm que montar a jornada do tomate desde a plantação até a nossa mesa. Dá pra fazer essa atividade em uns 30 minutos.
Na última vez que fizemos, o Gabriel ficou impressionado com a quantidade de etapas até o tomate chegar no mercado. Ele disse "Nossa, professor! Tem muita gente envolvida!". E isso é exatamente o ponto! A Ana Clara também se empolgou quando viu que tem gente trabalhando no campo e na cidade pra isso acontecer. Eles acabam percebendo esse movimento todo e isso ajuda muito.
Depois dessa atividade, faço um debate em sala chamado "Por que precisamos do campo?" e "Por que o campo precisa de nós?". Divido o quadro em dois e coloco essas perguntas como títulos. Os alunos podem levantar a mão e falar ou podem escrever num papelzinho e jogar numa caixinha pra quem é mais tímido. Aí eu vou lendo as respostas e vamos discutindo juntos.
Uma vez, a Larissa levantou a mão bem animada e falou "Se não fosse o campo, não ia ter suco de laranja na hora do lanche!". A galera caiu na risada, mas era isso mesmo! O Lucas complementou dizendo que o campo precisa vender as laranjas pro mercado continuar funcionando. Esse tipo de discussão leva uns 40 minutos porque tem sempre muita ideia boa pra colocar na roda.
E pra fechar com chave de ouro, gosto de fazer uma atividade prática chamada "Mapa Humano". Uso papel kraft grande e canetas coloridas. A turma toda participa junto dessa vez. Espalho os papéis no chão e desenho um mapa estilizado com cidade e campo. Cada aluno desenha ou escreve algo que representa o fluxo entre os dois: pode ser um caminhão cheio de mercadoria saindo do campo ou pessoas indo trabalhar na cidade.
Foi muito legal da última vez porque o Miguel teve uma sacada legal ao desenhar uma ponte entre os dois cenários com a palavra "informação" escrita em cima. Ele explicou que hoje em dia dá pra saber o preço dos produtos pelo celular mesmo estando longe. A turma ficou impressionada com isso porque não tinham pensado nessa modernidade conectando tudo!
Cada atividade tem seu propósito mas todas juntas ajudam a formar essa compreensão maior das interdependências entre campo e cidade. E vou te falar: às vezes eles vêm com umas ideias tão boas que eu aprendo junto com eles! Eu vejo quando os olhos dos meninos brilham ao fazer essas descobertas e percebo que esse é um jeito eficiente de trabalhar essa habilidade complexa da BNCC na prática do dia-a-dia.
E aí? Como vocês trabalham isso por aí? Adoro ouvir sugestões novas!
Então, pra saber se os meninos realmente entenderam esse lance de como o campo e a cidade se relacionam, eu fico muito atento ao dia a dia deles na sala. Tipo, circulando entre as mesas, dá pra perceber muito pelo jeito que eles falam uns com os outros. Outro dia, enquanto a turma tava fazendo um trabalho em grupo sobre onde os alimentos vêm, eu ouvi o Pedro explicando pro João que "não é só o supermercado que importa, mas sim como ele é abastecido pelo sítio do tio dele lá no interior". Aí, naquele momento, eu pensei: "Ah, esse entendeu!". É bem legal ver quando eles começam a conectar as ideias por conta própria.
Também tem aquele momento em que um aluno explica pro outro. Isso é ouro puro! Teve uma vez que o Lucas tava meio confuso sobre por que uma área rural precisa da cidade. Aí a Ana, do nada, começou a falar sobre como o pai dela leva leite do sítio pra vender na cidade e que sem cidade não tem quem compre. Quando você vê isso acontecendo, você pensa: "Tá aí! Aconteceu a mágica do aprendizado".
Agora, falando dos erros comuns... Ah, isso acontece direto. Por exemplo, a Júlia sempre teve uma certa resistência em entender que nem todo produto agrícola é consumido pela cidade local. Ela ficava meio perdida achando que tudo que se planta numa cidade pequena vai pro supermercado de lá mesmo. E olha, isso acontece porque muitas vezes eles só veem o que tá mais perto deles e não pensam no todo. Quando eu percebo esses errinhos na fala ou nas atividades deles, eu sempre dou um jeito de chamar a atenção deles com um exemplo prático. Tipo, pergunto de onde vem as mangas mais gostosas que eles comem e se acham que só são vendidas ali no bairro.
Com o Matheus que tem TDAH, cara, é importante adaptar algumas coisas pra ele. Primeiro, eu sempre procuro dividir as tarefas em partes menores pra ele conseguir focar melhor em cada pedacinho. Às vezes, deixo ele usar um fone com música instrumental suave durante atividades mais longas pra ajudar na concentração. Um material diferente que funciona bem são mapas interativos e jogos educativos online porque chamam mais atenção dele e mantêm o interesse por mais tempo. O problema é quando a turma tá muito agitada, isso não ajuda muito ele mesmo com essas adaptações.
Já com a Clara que tem TEA, eu tento ser bem claro nas instruções e uso muitos recursos visuais porque ela responde muito bem a isso. Falo com ela olhando nos olhos e uso cartões com imagens pra explicar conceitos como "transporte" e "mercado". Os cronogramas visuais funcionam bem pra ela entender o tempo das atividades. Uma coisa que não deu certo foi usar só textos longos como material principal. Ela fica perdida e desinteressada rapidinho.
Bom pessoal, esse assunto do campo e da cidade pode ser complexo pros nossos pequenos, mas com paciência e criatividade a gente vê resultados incríveis no entendimento deles. Bora continuar trocando ideias aqui no fórum! Até a próxima!