Olha, essa habilidade da BNCC, EF08GE02, é bem interessante de trabalhar com os meninos do 8º ano. O que ela tá pedindo, na prática, é que os alunos consigam relacionar a história das famílias da nossa cidade com os fluxos migratórios do mundo todo. Não é só conhecer a história local, mas entender como a nossa cidade tá conectada com histórias e movimentos do mundo inteiro. É como se a gente tivesse mostrando pra eles que, mesmo em Goiânia, eles fazem parte de algo muito maior.
Pra eles conseguirem fazer isso, precisam primeiro entender um pouco da própria história familiar e local, e aí fazer conexões com aquelas grandes ondas migratórias que a gente vê na história mundial. Um exemplo concreto: se um aluno descobre que o bisavô veio da Itália por causa da Segunda Guerra Mundial, ele já tá começando a relacionar uma situação particular com um evento global. Os alunos já têm uma base disso porque no 7º ano a gente trabalha bastante a história local e regional, então eles chegam no 8º ano sabendo mais ou menos como Goiânia foi fundada e como ela cresceu com gente vindo de várias partes do Brasil e do mundo.
Agora vou contar umas atividades que faço na sala pra ajudar os alunos a desenvolverem essa habilidade.
A primeira coisa que faço é pedir pra galera montar uma árvore genealógica básica. A ideia não é complicar, então peço pra desenharem e registrarem o máximo de informações que conseguirem sobre onde cada parente nasceu e se mudou. Pra isso, não precisa de muito: basta papel e lápis mesmo. A escola não tem muitos recursos tecnológicos, então tudo é no papel. Eu divido a turma em grupos de 4 ou 5 alunos, e damos mais ou menos uma semana pra eles trazerem essas informações de casa. E olha só, tem aluno que volta com cada história incrível! Da última vez, a Larissa descobriu que o avô dela veio do Japão depois da Segunda Guerra Mundial e foi parar em São Paulo antes da família se mudar pra Goiânia.
Depois dessa atividade, fazemos uma roda de conversa onde cada grupo compartilha suas descobertas. Isso leva uma aula inteira, porque os meninos têm muitas histórias pra contar e ficam bem empolgados. Eles adoram ouvir sobre as famílias dos outros, especialmente quando descobrem que têm algo em comum. Teve uma vez que o João e o Pedro descobriram que os avôs deles vieram da mesma cidade em Minas Gerais na década de 70! Foi um momento de muita conexão entre eles.
Pra fechar o trabalho com essa habilidade, faço um projeto mais visual: um mapa colaborativo da sala. A ideia é pegar um mapa-múndi grande ou um mapa do Brasil, e cada aluno cola uma pequena bandeira ou marca onde a família dele tem origem ou por onde passou antes de chegar em Goiânia. Aqui eu uso aquele papel pardo grandão e coloco no quadro. Aí cada aluno vai lá na frente e posiciona um alfinete com uma etiqueta num lugar do mapa enquanto conta para os colegas um pouco da sua história familiar. Dá pra ver como o mapa vai ficando cheio de alfinetes em lugares diversos – é bonito demais!
Os alunos reagem muito bem a essa atividade porque dá pra ver claramente como cada família tá espalhada pelo mundo inteiro, mas ao mesmo tempo conectada aqui em Goiânia. Na última vez que fizemos isso, foi engraçado porque o Lucas ficou surpreso ao ver quantos alfinetes estavam na região Nordeste do Brasil – ele não imaginava que tantos colegas tinham raízes por lá.
Essas atividades ajudam os meninos a perceberem que nossa cidade não é só o lugar onde nasceram ou cresceram, mas um pedaço de uma teia maior de histórias e movimentos globais. Espero que as dicas ajudem vocês aí nessas atividades em sala!
Bom, acho que é por aí mesmo! Se tiverem dúvidas ou quiserem compartilhar como fazem por aí também, vamos trocar umas ideias! Abraço!
Aí, gente, continuando o papo sobre a habilidade EF08GE02. Uma coisa que eu adoro é observar como os meninos vão assimilando o conteúdo no dia a dia, sem precisar de prova. A gente sente isso quando tá na sala, circulando, ouvindo o burburinho. Tipo assim, quando tô andando por entre as mesas e escuto uma conversa entre o João e a Maria: "Ah, então sua avó veio de Minas por causa do trabalho na construção de Brasília, né? Igual meu tio-avô!" Nessas horas, dá aquele estalo: "Pô, eles tão ligando as coisas!"
Outro momento que mostra que eles pegaram o jeito é quando um aluno, que já entendeu alguma parte do conteúdo, explica pro outro. Teve uma vez que vi a Luana ajudando o Pedro com um mapa: "Olha aqui, os fluxos migratórios ficam assim por causa das oportunidades de trabalho e das cidades grandes." Quando vejo isso, sei que eles não só decoraram uma informação, mas realmente entenderam e estão usando pra ajudar os colegas.
Agora, falando dos erros, são bem comuns mesmo. Tipo o Lucas, ele sempre confundia migração com imigração. Ele achava que era tudo a mesma coisa. E a Ana vivia dizendo que migração é só quando a pessoa vai morar fora do país. Esses erros acontecem porque eles ainda estão organizando essas ideias na cabeça, sabe? Aí eu sempre dou aquele toque na hora: "Ei, Lucas, migração é qualquer movimento de entrada ou saída de pessoas de um lugar pra outro. Pode ser dentro do mesmo país também." E eles vão pegando.
Outra coisa é quando os alunos misturam as razões econômicas com as políticas. A Marina achava que todo movimento era por causa de guerra ou perseguição política. Aí eu mostro exemplos concretos: "Vê só, Marina, tem gente que se muda só porque tá procurando uma vida melhor economicamente, nada a ver com guerra." Assim vamos ajustando as coisas.
Quanto ao Matheus e à Clara, o desafio é grande mas recompensador. O Matheus, com TDAH, precisa de mais estímulos visuais e pausas durante as atividades. Então, eu sempre levo mapas bem coloridos e uso vídeos curtos pra quebrar o tempo das aulas. Coisas que têm funcionado pra ele são atividades mais práticas onde ele pode se mexer mais ou participar ativamente.
Já a Clara, com TEA, gosta de previsibilidade e clareza. Pra ela levo uma tabela visual do que vamos fazer durante a aula. E tento manter uma rotina bem consistente porque isso dá segurança pra ela. Uma vez testei um jogo em grupo sem planejar direito e foi um caos pra Clara; desde então passei a estruturar melhor essas interações.
Os dois precisam de um tempo um pouquinho diferente dos outros pra processarem informações novas. Então deixo eles entregarem algumas atividades depois dos outros se precisar, sem pressão. É importante dar esse suporte sem destacar demais eles do resto da turma.
Bom, acho que é isso por hoje sobre essa habilidade. A sala de aula tá sempre cheia dessas pequenas descobertas e ajustes. É um trabalho de formiguinha mesmo, mas ver esses momentos de compreensão não tem preço. Bora continuar trocando ideias por aqui! Até mais!