Olha, essa habilidade da BNCC que é EF08GE10 pode parecer um pouco complicada no papel, mas na prática é uma questão de ajudar os alunos a entenderem como os movimentos sociais nasceram e se desenvolveram aqui no Brasil e também em outros países da América Latina. A ideia é fazer com que os meninos e meninas consigam identificar e comparar esses movimentos, tanto no campo quanto na cidade, e entender o papel deles nas mudanças sociais. Eles têm que sacar quem são os protagonistas desses movimentos, quais foram suas principais reivindicações e qual o impacto que tiveram na sociedade.
Na prática, o que a gente quer é que o aluno consiga fazer uma análise crítica dessas questões. Eles precisam olhar para um movimento social, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), por exemplo, e entender por que ele surgiu, qual o contexto histórico por trás disso e como ele se relaciona com outros movimentos na América Latina. E aí, claro, comparações podem rolar com coisas tipo a Reforma Agrária no México ou com o movimento zapatista. A turma já vem do 7º ano com um pouco de noção de como as sociedades se organizam, então esse é um passo além pra eles.
Bom, agora deixa eu te contar sobre três atividades que eu faço com a turma do 8º ano pra trabalhar essa habilidade.
Primeiro, eu gosto de começar com uma atividade meio introdutória chamada "Linha do Tempo dos Movimentos Sociais". Eu preparo um material simples: folhas de papel kraft, alguns marcadores coloridos e cópias de imagens de diferentes movimentos sociais que imprimo aqui mesmo na escola. Divido a turma em pequenos grupos de 4 ou 5 alunos. Cada grupo fica responsável por montar uma linha do tempo destacando os principais movimentos sociais urbanos e rurais no Brasil. Damos uns 40 minutos pra essa atividade porque eles têm que pesquisar nos livros didáticos e também podem usar os celulares pra buscar alguma informação extra. No final, cada grupo apresenta sua linha do tempo pro resto da classe. A última vez que fiz isso, a Camila ficou empolgada e trouxe até umas músicas de protesto pra tocar enquanto apresentava – foi muito legal ver o engajamento dela!
Outra atividade que sempre rende bons debates é o "Debate dos Movimentos". Pra essa eu uso apenas um quadro branco e material de escrita pros alunos anotarem pontos importantes. Divido a turma em dois times: um vai defender os movimentos sociais do campo, tipo o MST, e outro fica com os movimentos sociais urbanos, como as manifestações pelo direito à moradia nas cidades grandes. Deixo eles se prepararem uns 20 minutos e depois começamos o debate. Eu modero a conversa pra garantir que todos tenham a chance de falar. Da última vez, o João Pedro fez uma comparação bem interessante entre o MST e os piqueteros na Argentina – ele realmente mandou bem!
A terceira atividade é uma "Viagem Virtual". A gente usa o laboratório de informática da escola pra isso. Cada aluno escolhe um país da América Latina pra pesquisar sobre um movimento social específico de lá. Eles têm 30 minutos pra fazerem suas pesquisas e depois criam uma apresentação rápida de uns 3 minutos cada um. É uma atividade mais solta porque eles podem escolher como querem apresentar: pode ser em slides, pode ser só falando... O importante é compartilhar algo novo com a turma. A galera gosta muito dessa atividade porque dá um gostinho de descoberta. Na última vez, o Rafael escolheu falar sobre o movimento estudantil no Chile – ele até mostrou uns vídeos das manifestações que rolaram em Santiago.
Essas atividades são legais porque permitem que os alunos não só aprendam sobre geografia e história de forma integrada, mas também desenvolvam habilidades críticas e de comunicação. Eles começam a perceber como eventos locais e internacionais estão interligados e isso amplia bastante a visão deles sobre o mundo em que vivem.
E assim vamos tocando o barco aqui na escola municipal com esperança de formar cidadãos mais conscientes e críticos sobre seu papel na sociedade! Se alguém aí tiver outra sugestão de atividade pra trabalhar essa habilidade, sou todo ouvidos!
Na prática, o jeito que eu vejo que a galera tá pegando a matéria não é só jogando uma prova na mesa, não. Eu adoro ver o entendimento deles quando tô circulando pela sala, vendo eles conversarem entre si, trocando ideia sobre o que a gente tá estudando. Tipo assim, semana passada, eu tava andando pela sala enquanto eles estavam em grupos discutindo os movimentos sociais no Brasil. Aí eu parei perto de um grupo e escutei a Ana explicando pro João sobre o Movimento dos Sem Terra. Ela falou de um jeito tão natural, misturando dados que a gente viu em aula com exemplos do que tá acontecendo hoje em dia. Ali eu pensei: "Cara, essa menina entendeu mesmo!"
Outro momento bacana é quando eu lanço uma pergunta meio provocativa e deixo eles responderem em duplas ou grupos. Aí vou ouvindo as respostas. Teve o dia que eu perguntei como eles acham que os movimentos urbanos influenciam a política hoje. O Lucas virou pro grupo e começou a falar sobre como as manifestações de 2013 no Brasil trouxeram questões importantes à tona e mudaram algumas coisas na política. Ele até lembrou de um documentário que a gente viu juntos. Sacou? É nesse tipo de conversa que dá pra ver se a galera tá realmente captando.
Mas, claro, os erros acontecem, e isso é parte do processo. Um erro comum que vejo é quando confundem os movimentos sociais com partidos políticos. A Maria, por exemplo, uma vez estava fazendo uma apresentação e misturou completamente as bolas. Ela começou a falar do Partido dos Trabalhadores como se fosse um movimento social à parte, sem entender direito a diferença entre organizações formadas para reivindicar direitos específicos e os partidos políticos já estabelecidos.
Esses erros muitas vezes vêm de uma falta de clareza nas definições ou porque esses conceitos não são sempre bem explicados na mídia ou em outros lugares onde eles consomem informação. Quando pego esses erros na hora, gosto de fazer uma pausa e voltar um pouquinho na explicação, trazendo exemplos mais claros e práticos pro contexto deles. Tipo: "Maria, pensa no MST como uma galera que se organiza pra lutar por terra, enquanto o partido político é mais ligado às eleições e etc." Ajuda bastante eles visualizarem.
Sobre o Matheus, que tem TDAH, eu modifico algumas atividades pra ele conseguir acompanhar melhor. Como ele tem dificuldade pra se concentrar por muito tempo numa mesma coisa, procuro dividir as tarefas em partes menores e dou algumas pausas estratégicas. Tive que aprender na marra que dar uns intervalos pra ele levantar um pouco ajuda muito. Além disso, costumo usar materiais visuais, tipo mapas mentais e esquemas coloridos pra prender a atenção dele.
Já com a Clara, que tem TEA, eu percebi que ela responde bem quando dou instruções bem claras e diretas. Além disso, criei um espaço na sala onde ela se sente mais confortável sem muita distração visual ou barulho excessivo. Usei recursos como vídeos legendados (que ela adora) e aprendi a não mudar a rotina dela bruscamente porque isso atrapalha bastante. Uma vez tentei mudar a ordem das atividades sem avisar com antecedência e foi confuso pra ela.
E aí gente, cada aluno tem seu ritmo e jeito de aprender e é aí que entra o nosso trabalho de adaptar e personalizar o ensino sempre que possível. Não dá pra ser sempre perfeito, mas o importante é continuar tentando novas formas até encontrar o que funciona melhor pra cada um.
Bom pessoal, acho que já falei demais por hoje. Espero que essas ideias ajudem alguém aí na sala de aula também! Se tiverem outras dicas ou experiências parecidas, compartilhem por aqui! Vamos trocando figurinhas! Um abraço!