E aí, galera, tudo bem? Hoje eu queria compartilhar com vocês um pouquinho de como eu trabalho a habilidade EF09GE06 da BNCC na minha turma do 9º Ano. Bom, essa habilidade fala sobre associar o critério de divisão do mundo em Ocidente e Oriente com o Sistema Colonial das potências europeias. Na prática, o que isso significa? É ajudar os meninos a entenderem que o jeito como dividimos o mundo nesses termos de Ocidente e Oriente tem tudo a ver com a história do colonialismo. Então, por exemplo, eles precisam perceber que essa divisão não é só uma linha no mapa, mas tem raízes históricas profundas no modo como os países europeus colonizaram e dividiram o mundo. Essa habilidade se conecta com o que a galera já viu no 8º Ano sobre o colonialismo, onde eles aprenderam sobre exploração de recursos, formação de colônias e como isso impactou os povos nativos.
Bom, agora vou contar pra vocês três atividades que eu faço pra trabalhar isso na sala. A primeira atividade é um debate em sala sobre os impactos coloniais na visão de mundo atual. Eu uso alguns textos simples e imagens de mapas antigos e modernos. Primeiro coloco a turma em pequenos grupos de 5 ou 6 alunos pra discutirem o material. Dou uns 15 minutos pra eles conversarem entre si. Depois cada grupo escolhe um representante pra compartilhar as ideias com a turma toda. Esse debate todo leva uma aula inteira, uns 50 minutos mais ou menos. Da última vez que fizemos isso, a Ana Paula levantou uma questão interessante sobre como certos estereótipos ainda persistem por causa dessa divisão histórica entre Ocidente e Oriente. Isso gerou uma bela discussão na sala!
A segunda atividade envolve uma pesquisa onde os alunos precisam mapear colônias de uma potência europeia específica e relacionar com países atuais. Eu dou folhas impressas com mapas em branco e eles têm acesso à internet na sala de informática da escola pra pesquisar informações. Eles trabalham em duplas e têm duas aulas pra completar essa tarefa, uma pra pesquisa e outra pra apresentação dos mapas feitos por eles. Eles adoram porque podem usar cores diferentes no mapa pra destacar as informações. Na última vez que fizemos isso, o João e o Pedro descobriram que a influência britânica na Índia ainda é super visível hoje em dia, desde o idioma até a arquitetura. Eles ficaram super empolgados em compartilhar isso com a turma.
A terceira atividade é um jogo de perguntas e respostas em grupo sobre fatos históricos ligados ao colonialismo e à divisão entre Ocidente e Oriente. Eu preparo cartõezinhos com perguntas e divido a galera em dois grandes grupos. Um grupo faz a pergunta e o outro responde, aí vão revezando. Leva uma aula também, uns 50 minutos. O legal é ver como eles se engajam! Teve uma vez que a Mariana deu uma resposta super detalhada sobre como o comércio de especiarias influenciou as rotas marítimas entre Europa e Ásia, deixando todo mundo impressionado.
Essas atividades ajudam a turma a ver como as divisões que usamos hoje estão cheias de história, sabe? E mais importante ainda, faz os meninos pensarem criticamente sobre como essas divisões foram criadas e quem se beneficiou delas. Acho fundamental que eles questionem essas narrativas históricas e entendam as complexidades por trás do que parece ser só mais uma linha num mapa na lousa.
E é isso, pessoal! Espero que essas ideias possam ajudar vocês em sala também ou pelo menos dar aquele empurrãozinho na criatividade pedagógica! Até a próxima!
Olha, uma coisa que eu percebo muito em sala é que os meninos aprendem mesmo quando começam a fazer aquelas discussões acaloradas em grupo, sabe? Quando eu tô circulando pela sala e vejo três ou quatro cabeças juntas, falando sobre como a divisão entre Oriente e Ocidente ainda impacta hoje na nossa maneira de ver o mundo, eu penso "ah, esse pessoal tá pegando a ideia". Não é só repetir o que eu falei, é quando eles começam a colocar exemplos do dia a dia, tipo "ah, isso me lembra o jeito que o Brasil foi colonizado". Aí eu sei que o aprendizado tá indo além do conteúdo do livro.
E outra coisa que adoro perceber é quando um aluno que entendeu bem tenta explicar pro colega. Teve um dia que eu ouvi a Júlia explicando pro Lucas: "Não é só uma linha imaginária no mapa, Lucas! É porque os europeus tinham poder e eles que inventaram essas divisões pra justificar aquele monte de coisa errada que fizeram". Aí sim eu vejo que internalizou o conteúdo e tá conseguindo relacionar com outras coisas.
Agora, erro comum tem de monte. O João, por exemplo, sempre acha que Ocidente é só um sinônimo pra "povo rico". Ele vivia dizendo: "Ah, professor, então os Estados Unidos são Oriente?". Aí vai dando um nó na cabeça da gente pra desfazer isso. Esse erro acontece porque eles associam muito esses termos aos discursos no jornal ou redes sociais sem entrar na história por trás. Nesses casos, tento sempre puxar pela história mais antiga, fazendo eles lembrarem como foi na época das grandes navegações e do Sistema Colonial, pra mostrar que não é só questão de quem tem mais dinheiro.
E quando percebo esse tipo de erro durante a aula, paro tudo na hora e peço pra alguém da turma explicar. Isso funciona bem porque às vezes um colega consegue falar de um jeito mais claro pros outros do que eu tentando desenrolar tudo sozinho. E aí abro espaço pras perguntas pra ver se tá todo mundo acompanhando o raciocínio.
Agora, falando do Matheus e da Clara, cada um tem suas particularidades. O Matheus tem TDAH, então ele precisa de algumas adaptações pra conseguir acompanhar. O tempo de concentração dele é curto, então faço intervalos mais curtos entre as atividades e dou umas pausas no meio da aula pra ele se mexer um pouco. Também deixo ele usar fones com música instrumental em alguns momentos pra ajudar a manter o foco. Uma coisa que não funcionou foi tentar fazer ele anotar tudo na lousa junto com todo mundo — isso deixava ele muito ansioso. Ao invés disso, dou as anotações impressas pra ele seguir no próprio ritmo.
A Clara tem TEA e ama tudo que é visual, então a gente usa muitos mapas coloridos, imagens e vídeos. Ela participa muito bem quando as atividades têm recursos visuais ricos. Tive que adaptar algumas atividades em grupo porque ela não gosta de muito barulho e movimento, então às vezes ela trabalha em dupla com alguém mais calmo ou faz parte de grupos menores. Uma vez tentei colocar ela num grupo grande achando que ia dar certo porque eram amigos dela — mas foi muita informação ao mesmo tempo e ela não conseguiu se concentrar.
No final das contas, acho que o segredo é sempre observar cada aluno como um ser único e estar disposto a adaptar a nossa forma de ensinar às necessidades deles. Nem sempre é fácil ou perfeito, mas cada avanço deles é uma conquista gigante pra mim também.
Então é isso, pessoal! Espero ter dado umas ideias bacanas aí pro trabalho de vocês com essa habilidade. Vamos trocando experiências porque todo dia aprendemos algo novo! Até mais!