Olha, quando a gente fala da habilidade EF03HI12 na prática, o que a gente tá fazendo é ajudar os meninos a entenderem como o trabalho e o lazer mudaram com o tempo, e também o que ficou igual. A ideia é eles conseguirem olhar pro agora, pro nosso dia a dia, e comparar com como era antigamente. Por exemplo, antes a maioria das pessoas trabalhava na roça, no campo, e hoje é mais comum o trabalho em escritórios ou em fábricas. Em termos de lazer, hoje a galera tá sempre grudada nos celulares e videogames, enquanto no passado as brincadeiras eram mais na rua, ao ar livre. Eles já chegam no 3º ano com alguma noção de mudança e permanência do cotidiano, mas não têm ainda uma ideia clara do que é isso em relação ao trabalho e ao lazer ao longo do tempo. Já estudaram um pouco sobre o que são profissões na série anterior, mas sem esse olhar histórico.
Então, aí vão três atividades que eu faço com os meninos pra desenvolver essa habilidade. Primeiro, eu gosto de uma atividade de "linha do tempo". Eu peço pra eles trazerem fotos antigas da família, pode ser dos avós ou bisavós trabalhando ou em momentos de lazer, e também fotos atuais deles ou dos pais fazendo essas mesmas coisas. Daí a gente organiza as carteiras em círculo e eles vão apresentando as fotos pros colegas. Cada aluno tem uns 5 minutos pra contar sobre as fotos que trouxe. É interessante ver como eles ficam curiosos com os objetos antigos nas imagens. Uma vez o João trouxe uma foto da avó costurando numa máquina de costura que parecia coisa de museu pros outros meninos. O João ficou todo orgulhoso contando como até hoje a avó dele faz roupas pra família. Essa atividade leva uns dois períodos de aula.
Outra atividade legal é a "entrevista histórica". Peço pra eles conversarem com alguém mais velho da família sobre como era a cidade antigamente em termos de trabalho e lazer. Eles anotam as histórias num caderninho que eu dou pra cada um. Depois, fazem tipo um jornalzinho em grupo onde cada um escreve uma pequena matéria sobre uma das histórias que ouviram. Divido a turma em grupos de cinco e dou três aulas pra eles organizarem tudo: entrevistar, escrever e passar a limpo num cartaz grande que fica exposto na sala. Um dia desses, durante uma dessas entrevistas, a Mariana descobriu que a bisavó dela fazia música num clube da cidade! Ela ficou tão empolgada que trouxe até um disquinho velho para mostrar pros colegas. E vê-los reunidos em grupo trocando essas informações é incrível; eles ficam tão animados que até esquecem do recreio.
A terceira atividade envolve um pouco de drama: é o "teatro do ontem e hoje". Divido a turma em dois grupos: um fica responsável por encenar uma cena de trabalho ou lazer de antigamente e o outro faz o mesmo pro tempo atual. Eles próprios escolhem o tema dentro do que já discutimos. Eu trago alguns tecidos velhos e acessórios simples pra ajudar na caracterização dos personagens. Dou uma semana pras apresentações ficarem prontas, ensaiamos um pouco na sala mesmo antes do grande dia de apresentação. Eles adoram essa parte porque podem soltar a criatividade e fazer graça uns pros outros. Uma vez o Paulo resolveu dramatizar como era brincar na rua sem celular comparado com hoje em dia, ele colocou uns óculos grandes da mãe dele pra fazer um personagem e toda a turma caiu na risada quando ele imitou o pai dele gritando da janela "vem pra dentro menino!". Essa atividade ajuda muito porque além deles aprenderem se divertindo, ainda melhora a oralidade e expressão corporal.
No fim das contas, essas atividades ajudam os alunos a perceberem as diferenças e semelhanças entre passado e presente de forma mais concreta e divertida. E ver essa curiosidade crescendo neles não tem preço! Espero ter dado uma ideia boa aí do que rola lá na minha sala e quem sabe inspirar vocês também! Qualquer coisa tô por aqui pra trocar mais ideias!
E aí, gente! Continuando aqui sobre como percebo que os alunos aprenderam a habilidade EF03HI12 sem precisar de prova formal. Olha, eu fico de olho neles no dia a dia, circulando pela sala, escutando as conversas e observando como eles interagem uns com os outros. É nessa hora que eu percebo se a sementinha plantada tá dando frutos.
Tem uma coisa que eu gosto de fazer, que é deixar os meninos trabalharem em grupo e discutir entre eles. Aí, é só ficar atento às conversas pra ver quem já tá sacando o assunto. Um dia desses, por exemplo, o Pedro tava explicando pro João como antigamente era comum brincar de pião e soltar pipa, enquanto hoje a gente vê mais videogame. Quando vejo um aluno explicando pro outro desse jeito, já sei que ele tá entendendo.
Outro jeito é nas perguntas que eles fazem. Teve uma vez que a Maria me perguntou se antigamente as pessoas precisavam viajar muito pra trabalhar como acontece hoje. Essa pergunta dela mostrou que ela tava relacionando o conteúdo aprendido com a realidade ao redor dela. E isso é uma beleza de se ver!
Agora, falando sobre os erros mais comuns, a galera às vezes se confunde com as raízes históricas das mudanças no trabalho e lazer. Tipo, o Lucas achava que no passado todo mundo trabalhava na fábrica porque tinha visto um filme sobre a Revolução Industrial e misturou as épocas todas. Isso acontece porque eles ainda tão aprendendo a organizar a linha do tempo na cabeça e é normal embaralhar as coisas.
Quando pego esses erros na hora, procuro quebrar o conceito em pedacinhos menores pra eles conseguirem ligar os pontos. Falo algo como: "Lucas, lembra da história do vovô que trabalhava na colheita antes de vir morar na cidade? Então, nem todo mundo tava na fábrica naquela época." E aí ele vai ligando as informações.
Agora, sobre o Matheus que tem TDAH e a Clara com TEA. Ah, esses dois me ensinam todo dia! Com o Matheus, eu tento sempre ter atividades mais dinâmicas, que ele possa interagir e movimentar-se um pouco mais. Por exemplo, uso jogos de tabuleiro históricos adaptados pra turma. Ele adora quando pode ser o "mestre do jogo" e fica super focado.
Já a Clara, por ser dentro do espectro autista, gosta mais de rotina e previsibilidade. Com ela, eu uso muito imagens e quadrinhos pra ilustrar conceitos históricos. Faço cartões com figuras antigas e modernas pra ela associar melhor as mudanças no tempo. As atividades precisam ter início, meio e fim bem claros pra ela se sentir confortável.
Uma coisa que não funcionou muito bem foi tentar misturar as atividades deles com muita variabilidade de uma vez só. Teve um dia que propus uma atividade onde eles tinham que se movimentar pela sala, trocando de estação tipo um circuito de exercícios. O Matheus ficou meio doido querendo ir em todas ao mesmo tempo e a Clara ficou perdida sem saber onde começar ou terminar.
Mas aí é ajuste fino: hoje já sei deixar a Clara começar sempre da mesma estação e o Matheus com uma ficha-guia pra saber onde ir em seguida.
E é isso, pessoal! Essas vivências de sala são ricas demais e cada dia aprendemos juntos. Se tiverem ideias novas ou quiserem compartilhar como vocês fazem aí nas suas escolas, vou adorar saber!
Abraço grande! Até a próxima!