Oi pessoal, tudo bem? Vamos conversar sobre como eu trabalho aquela habilidade EF09HI25 da BNCC na minha turma do 9º ano. Essa habilidade fala sobre relacionar as transformações da sociedade brasileira aos protagonismos da sociedade civil após 1989. Na prática, isso significa que os alunos precisam entender como a sociedade brasileira mudou depois de 1989 e qual foi o papel da sociedade civil nessas mudanças. Os meninos têm que perceber que não foi só o governo que fez as mudanças acontecerem, mas também a galera comum, tipo você e eu, que se organizou e lutou por direitos.
Quando falamos lá no início do ano sobre a história do Brasil, eles já tinham uma base do 8º ano sobre as ditaduras e um pouco sobre o processo de redemocratização. Eu costumo fazer uma ponte entre o que eles já sabem e o que vamos ver. Tipo assim, no ano passado eles estudaram bastante a Constituição de 1988. Aí, o que eu faço é mostrar como essa Constituição abriu espaço pra várias lutas da sociedade civil, como as de movimentos negros, indígenas e outros grupos que estavam buscando direitos.
Agora, vou contar três atividades que faço com eles pra trabalhar essa habilidade. A primeira atividade é uma roda de conversa sobre o papel dos movimentos sociais após 1989. Eu uso reportagens antigas e atuais, artigos de revistas e uns vídeos curtos do YouTube que mostram protestos e conquistas sociais. Organizo a turma em círculo, porque acho que isso deixa a discussão mais fluida. Esse papo geralmente leva uma aula inteira, umas 50 minutos. Na última vez, a Maria Clara levantou uma questão super interessante sobre como os movimentos dos anos 90 se conectam com os de hoje em dia. O João ficou empolgado e começou a falar sobre o movimento LGBTQIA+ e como ele viu um documentário sobre isso. É sempre bacana ver eles fazendo essas ligações.
A segunda atividade é um debate simulado onde dividimos a turma em grupos. Cada grupo representa um movimento social diferente (negros, indígenas, LGBTQIA+, etc.) e eles têm que defender suas causas e suas conquistas desde 1989. Pra isso, eu dou um texto básico pra cada grupo, mas deixo eles pesquisarem mais na internet ou em livros da biblioteca se quiserem. A organização é bem fácil: eles têm uns dois dias pra se preparar e depois dedicamos uma aula inteira pro debate. Na última vez que fiz isso, o Pedro representou os indígenas e trouxe dados super interessantes sobre demarcação de terras, o que fez a galera parar e pensar seriamente no assunto.
Uma terceira atividade legal é um projeto onde eles criam uma linha do tempo das transformações políticas e sociais no Brasil desde 1989. Divido a turma em duplas ou trios e dou cartolina, canetinha colorida e revistas velhas pra recorte (sim, sou das antigas). Eles têm duas aulas pra fazer isso e no final expomos no mural da escola. A reação deles é sempre positiva porque dá pra ver concretamente as mudanças ao longo dos anos. Uma vez, a Isabela trouxe fotos da avó dela numa passeata antiga pela educação nos anos 90 e compartilhou com todos. Isso aproximou muito o conteúdo da realidade deles.
Essas atividades não são só pra cumprir tabela com a BNCC, sabe? Elas realmente ajudam os meninos a entenderem que eles também fazem parte dessa sociedade civil que tem protagonismo nas mudanças do país. E é legal ver como isso mexe com eles e os faz refletir sobre o papel deles mesmos na sociedade atual.
Enfim, trabalhar essa habilidade é um jeito de mostrar pros alunos que história não é só coisa do passado distante. É algo contínuo e eles estão sempre participando dela. É claro que não dá pra fazer tudo nem agradar todo mundo sempre, mas acho que com essas atividades eu consigo engajar boa parte da turma.
E vocês aí? Como estão trabalhando essa parte da BNCC nas suas turmas? Têm outras ideias de atividades ou já passaram por situações parecidas? Bora trocar umas ideias!
Até mais!
Quando falamos lá na sala sobre essas transformações, eu gosto de usar atividades que puxam a participação ativa deles, tipo debates e rodas de conversa. Mas o que me ajuda mesmo a perceber se a galera tá pegando o conteúdo, muitas vezes, são aqueles momentos meio despretensiosos, sabe? Tipo quando tô andando pela sala enquanto eles fazem uma atividade em grupo.
É muito bacana quando eu passo e ouço o João explicando pro Pedro algo que discutimos sobre os movimentos sociais dos anos 90. Ele fala das diretas já, da Constituição de 88 como se estivesse contando que viu na TV ontem. Eu paro ali perto só pra ouvir, e é ali que eu percebo: "Pô, o João entendeu bem essa parte!". Aí tem a Carol, que sempre levanta questões quando discutimos sobre as ONGs e como elas atuam nas periferias. Ela sempre solta uns exemplos de coisas que viu na internet ou leu em algum lugar, misturando com as nossas discussões de sala. Fico impressionado com como ela puxa essas referências e encaixa no assunto.
Outro dia, durante uma atividade em grupo sobre cidadania ativa, ouvi a Sofia falando pro grupo dela sobre como a mãe dela participa da associação de bairro. Era uma fala tão natural que dava pra ver que ela entendeu o quanto o protagonismo civil é importante pra transformação social. Esses momentos valem mais do que qualquer prova formal porque mostram que eles internalizaram o conhecimento.
Mas olha, nem tudo são flores. Tem uns erros comuns que a galera comete nessa caminhada. Por exemplo, o Lucas vive confundindo eventos históricos da década de 80 com os anos 90. Outro dia ele tava falando das Diretas Já como se tivesse acontecido nos anos 90, e eu falei "Opa, Lucas! Vamos ajustar aqui o calendário!". Aí aproveito esses deslizes pra revisar a linha do tempo com toda a turma.
A Julia é outra. Ela sempre tenta simplificar demais as coisas, dizendo que foi só vontade política do governo que fez tudo mudar. Aí eu entro explicando que não é tão simples assim, e relembramos juntos o papel dos movimentos sociais e como cada um teve um papel importante nas conquistas dos direitos.
Agora, falando um pouco sobre inclusão, na minha turma tem o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA. Com o Matheus, eu notei que ele é mais atento quando fazemos atividades mais dinâmicas e divididas em etapas curtas. Então eu sempre procuro incluir tarefas mais interativas e dou espaço para pequenas pausas entre elas. Uso materiais visuais mais coloridos e exemplos práticos que prendam a atenção dele. Já tentei só falar e deixar ele copiar do quadro, mas vi que isso não funcionou bem pra ele.
Com a Clara, eu procuro ser bem claro nas instruções e uso menos abstrações. O que ajuda é quando faço uma lista de etapas pra ela seguir durante as atividades e dou tarefas bem específicas. Não adianta dar uma atividade aberta demais sem estrutura porque isso dificulta pra ela. Já tivemos algumas experiências onde eu deixei algumas orientações muito soltas e vi que isso não rolou legal.
Uma vez tentei fazer uma atividade sem roteiros definidos achando que ia ser inclusivo, mas ficou bem bagunçado e alguns alunos se perderam. Aprendi que clareza nas instruções é essencial tanto pro Matheus quanto pra Clara.