Olha, a habilidade EF09HI30 da BNCC parece um bicho de sete cabeças, mas não é tanto assim quando a gente coloca em prática. Basicamente, essa habilidade pede que os alunos façam uma comparação entre os regimes ditatoriais aqui da América Latina, focando em coisas como censura política, opressão, uso da força e as reformas econômicas e sociais que rolaram nesses períodos. Parece complicado, mas se você pensar nos anos anteriores, os meninos já vêm com uma noção básica sobre ditaduras. Aí a missão agora é aprofundar isso e fazer eles perceberem as semelhanças e diferenças entre os diferentes países daqui.
Quando falo em comparação, tô falando daquela capacidade de pegar dois ou mais exemplos e fazer uma análise crítica. O aluno tem que conseguir ver que, enquanto no Brasil a gente teve censura com filmes, músicas e até novelas, na Argentina era mais fechado ainda, e rolava um desaparecimento em massa de pessoas. E eles precisam entender também o impacto disso na vida das pessoas, nas famílias, na economia e tudo mais. Na série anterior, eles já tinham visto sobre a Ditadura Militar no Brasil, então já têm uma base pra entender o contexto geral de uma ditadura.
Agora vamos às atividades que faço com a turma do 9º ano pra trabalhar essa habilidade. A primeira é um debate encenado. É assim: separo a turma em grupos, cada um fica responsável por um país (Brasil, Argentina, Chile e Uruguai). Eles têm que pesquisar sobre como era o regime ditatorial naquele país e depois participar de um debate. Aí faço um sorteio pra ver quem vai ser a favor do regime e quem vai ser contra dentro do grupo deles. Uso vídeos do YouTube e textos bem simples como material pra eles começarem a pesquisa. Isso leva umas duas aulas pra eles se prepararem e uma aula inteira pro debate mesmo. Na última vez que fiz isso, teve um momento hilário em que o Lucas, ao terminar sua fala representando um general brasileiro, soltou “Bom dia” no lugar de “Boa noite” no discurso final dele. A galera caiu na risada.
Outra atividade que dá super certo é a análise de músicas censuradas. Trago algumas letras de músicas que foram proibidas na época das ditaduras latino-americanas e a gente ouve junto na sala. Divido a sala em duplas e cada dupla fica responsável por analisar uma música diferente. Eles têm que identificar por que aquela música foi censurada e o que ela queria realmente dizer por trás das entrelinhas. Isso costuma ser bem emocionante porque traz uma conexão mais pessoal com o tema. As músicas trazem sentimentos à tona e ajudam eles a entender melhor o impacto da censura. Na última vez que fizemos isso, a Ana Clara ficou surpresa ao descobrir que “Cálice” do Chico Buarque tinha tanto significado escondido.
E por fim, faço uma atividade chamada "Linha do Tempo Comparativa". Uso cartolina e canetinhas coloridas pra criar linhas do tempo dos quatro países estudados (Brasil, Argentina, Chile e Uruguai). Os alunos trabalham em grupos novamente e ficam responsáveis por montar essa linha do tempo destacando os principais eventos políticos, sociais e culturais das ditaduras desses países. Isso leva umas três aulas porque eles precisam pesquisar bem os eventos e depois organizar tudo na cartolina. Ajuda muito a visualizar quando cada coisa aconteceu e como os fatos se interconectam. Da última vez que fizemos essa atividade, o Pedro Henrique ficou todo orgulhoso de explicar pro restante da turma como a censura no Chile era diferente da censura aqui no Brasil.
Essas atividades não só fazem os alunos aprenderem sobre as ditaduras latino-americanas como também ajudam eles a desenvolverem várias habilidades como pesquisa, trabalho em equipe e comunicação. E olha, os meninos sempre ficam animados com essas atividades porque fogem daquela aula tradicional de ficar só ouvindo o professor falar.
No fim das contas, o mais importante é que eles consigam perceber que essas coisas todas não estão tão distantes assim da realidade deles. As consequências dessas ditaduras ainda estão presentes de várias formas no nosso cotidiano. E fazer essas conexões é essencial pra formarmos cidadãos críticos que entendem o passado pra melhorar o futuro.
Bom gente, é isso! Espero que essas dicas ajudem vocês aí na sala de aula também! Bora trocar ideia sobre como vocês trabalham temas difíceis assim? Sempre bom aprender coisa nova! Abraço!
E aí, galera, vou falar um pouco sobre como eu percebo que os alunos realmente entenderam a EF09HI30, sem ter que apelar pra aquela prova formal. Quando a gente circula pela sala, só de ouvir as conversas já dá pra sacar se eles estão pegando a ideia ou não. Tipo outro dia, tava passando pelas mesas e escutei o Felipe explicando pro Lucas a diferença entre censura política no Brasil e na Argentina. Ele falou algo como "Olha, no Brasil os jornais eram calados de um jeito mais 'sutil', cortando só algumas partes. Já na Argentina, a coisa era mais grossa, tipo sem jornal e ponto". Quando a conversa entre eles chega nesse nível de detalhe, você percebe que o aluno realmente internalizou o conteúdo.
E aí tem aqueles momentos mágicos quando um aluno explica pro outro e você vê a luz nos olhos dos dois. A Camila é ótima nisso! Sempre que ela entende uma coisa, ela vira meio que uma 'professora assistente'. Uma vez vi ela explicando pro João sobre as reformas econômicas na ditadura chilena e como isso impactou todo o continente. Ela usava exemplos do dia a dia, como se estivesse contando uma história. É nessas horas que sei que eles pegaram mesmo a ideia.
Agora, sobre os erros mais comuns, olha só: muitos confundem os eventos históricos do Brasil com os de outros países da América Latina. Não é raro ouvir um aluno falando que o "AI-5" foi na Argentina. Lembro de um dia que o Pedro tava todo empolgado contando sobre a operação Condor, mas misturou umas histórias do Paraguai com as do Chile. Esse tipo de confusão rola muito porque são muitos detalhes e datas pra lembrar. Pra contornar isso, sempre peço pra eles criarem mapas mentais ou linhas do tempo no caderno. Quando pego esse tipo de erro na hora, paro tudo e abro espaço pra turma discutir junto e corrigir ali mesmo.
Sobre o Matheus que tem TDAH e a Clara com TEA, aí é uma outra história. Cada um tem suas necessidades específicas e eu tento adaptar as atividades pra ajudar de verdade. Com o Matheus, por exemplo, atividades práticas funcionam muito bem. Uma vez, montamos um mural com recortes de jornais antigos e ele ficou super engajado. O que não funciona muito é fazer ele ficar parado muito tempo ouvindo explicação. Então intercalo teoria com prática sempre.
Já com a Clara, que tem TEA, as coisas são um pouco diferentes. Ela se dá bem com rotina previsível e material visual. Eu sempre tento deixar claro o que vai acontecer em cada aula antes de começar e uso bastante imagens e vídeos curtos pra ilustrar o conteúdo. Uma coisa que deu certo foi disponibilizar fones de ouvido pra ela usar quando precisa se concentrar em algo específico sem se distrair com o barulho da sala.
O legal é que essas adaptações acabam sendo boas pra turma inteira, né? Tipo aquele clichê de que o que é bom pro aluno com necessidade especial pode melhorar o aprendizado geral. Mas claro, não é tudo que funciona sempre. Já tentei usar jogos digitais achando que ia resolver todos os problemas, mas foi um caos porque muitos ficaram mais preocupados em ganhar pontos do que em entender o conteúdo.
Bom, pessoal, é isso aí! Essas são algumas das coisas que rolam no meu dia a dia lidando com a EF09HI30 e as peculiaridades da turma. Espero ter ajudado um pouco quem tá passando por algo parecido ou só queria ouvir umas histórias da sala de aula mesmo. Até a próxima!