Olha, trabalhar essa habilidade EM13LP05 da BNCC no 1º ano do ensino médio é um trem bem interessante. A turma vem do 9º ano já com uma base legal sobre argumentação, mas a gente precisa dar um passo além. O que a habilidade pede, na real, é que os meninos consigam analisar um texto argumentativo e sacar quais são os argumentos que o autor tá usando, se são fortes ou fracos, se ele tá só sustentando uma ideia ou já tá partindo pra refutar outra opinião. A ideia é que eles consigam ler um texto e ver: isso aqui faz sentido? Eu concordo? Por quê?
Pra mim, é tipo assim: o aluno tem que ser capaz de pegar um texto de opinião, por exemplo, e dizer "esse autor usou tal argumento pra sustentar a ideia dele, mas faltou isso aqui", ou "ele refutou bem o argumento contrário por causa disso". É uma habilidade de leitura mais crítica mesmo, né? E pra completar, eles têm que conseguir se posicionar. Não adianta só entender o texto, tem que ter opinião também! Isso se conecta com o que eles já aprenderam antes sobre expressar uma opinião e defender um ponto de vista.
Bom, agora vou contar como eu trabalho essa habilidade em sala. A primeira atividade é com textos da atualidade. Eu sempre procuro artigos de jornais ou revistas que sejam do interesse da galera. Tipo, peguei uma vez um texto sobre a proibição de canudos de plástico. A turma tava super engajada nesse lance de meio ambiente. A gente lê o texto junto em sala, e depois eu divido a galera em grupos de quatro. Eles têm uns 30 minutos pra discutir entre eles quais são os argumentos principais do autor e se acham que esses argumentos são fortes ou não.
Da última vez que a gente fez isso, o João e a Maria pegaram um bom embate no grupo deles. O João achava que o texto não considerava a questão da geração de empregos nas fábricas de canudos. Já a Maria argumentou que o impacto ambiental era mais importante. Foi legal ver os dois defendendo seus pontos e ainda ouvindo o outro lado.
Outra atividade que curto fazer é um debate em sala. Eu escolho um tema polêmico, tipo a redução da maioridade penal. Aí divido a sala em dois grupos: um a favor e outro contra. Cada grupo tem tempo pra pesquisar e preparar seus argumentos – geralmente duas aulas pra isso. No dia do debate, cada lado tem uns 10 minutos pra apresentar seu caso e depois rola uma fase de perguntas.
A reação dos alunos varia muito! Tem gente que adora e se joga mesmo na atividade, tipo o Matheus, que fez uma apresentação tão boa na última vez que até os colegas do outro grupo bateram palma. Mas também tem aqueles mais tímidos, como a Júlia, que demorou pra entrar no clima mas no fim fez uma pergunta super pertinente pro grupo contrário.
A terceira atividade é meio individual e escrita, mas acho essencial. Peço pra cada aluno produzir um texto argumentativo sobre um tema que eles escolherem – mas claro, tem que ser algo atual e relevante. Eles têm uma semana pra pesquisar e escrever em casa. Depois disso, na aula seguinte, faço uma troca: cada aluno lê o texto de outro colega e faz anotações sobre os argumentos usados.
Dei uns exemplos antes da turma começar o trabalho, mostrando como eu faria as anotações. Tipo assim: "aqui você disse isso, mas poderia fortalecer com tal dado" ou "esse parágrafo precisa de mais clareza". Na última vez teve até um elogio inesperado do Lucas pro trabalho da Ana: ele disse que achou um argumento super criativo dela sobre educação à distância.
Acho que essas atividades ajudam demais os meninos a desenvolverem esse olhar crítico sobre textos argumentativos. E é muito bacana quando eles começam a levar isso pra fora da sala de aula também. Já teve aluno vindo me contar que discutiu com a família sobre algo porque agora sabia como argumentar melhor. Então sinto que estamos no caminho certo.
E é isso aí! Espero que essas dicas te ajudem também na sua sala! Me conta depois como foi por aí! Abraço!
de ler o texto e já começar a articular as ideias na cabeça, meio que num diálogo interno, sabe? Eu sempre digo que é como se a gente estivesse numa conversa com o autor. Aí, na hora de perceber se os meninos entenderam mesmo, eu tô sempre de olho nas rodas de conversa, nos grupinhos que se formam durante as atividades. Quando tô circulando pela sala, é muito interessante ver como eles se ajudam. Tipo a Marcela explicando pro João: "Olha, aqui ele tá falando que a principal causa disso é tal coisa, mas se você olhar lá em cima, ele já tinha dado uma pista de que não concordava muito com essa ideia". Aí eu penso: "Ah, a Marcela tá manjando dos paranauês de argumentação".
Outro jeito que dá pra saber se eles pegaram o jeito é quando começo a escutar certas palavras que foram discutidas na aula saindo naturalmente durante as conversas deles. Sei lá, tô andando pela sala e escuto alguém dizendo: "Ah, mas esse argumento aqui tá meio fraco, não faz muito sentido porque...". É aí que eu vejo que tão começando a internalizar o conteúdo.
Agora, os erros comuns... Bom, esses aparecem bastante. Um erro que vejo direto é o pessoal confundir fato com opinião. Tipo o Ricardo tava lendo um artigo sobre meio ambiente e disse: "Esse dado aqui é uma opinião do autor". Aí tive que parar e explicar que dados são informações concretas e objetivas, enquanto opinião é algo mais subjetivo.
Outro erro comum é eles não conseguirem identificar quando o autor tá sendo irônico ou sarcástico. A Júlia, por exemplo, leu um texto onde o autor usava ironia pra criticar uma posição política e ela levou tudo ao pé da letra. Tive que chamar ela num canto e mostrar como algumas palavras ou frases tinham sido usadas de forma não literal, pra criticar ou provocar uma reflexão.
Quando percebo esses erros na hora, procuro corrigir ali mesmo. Paro a aula rapidinho e chamo atenção pro ponto. Uso exemplos do cotidiano deles pra ilustrar e tento tornar isso mais palpável. Tipo: "Gente, pensa assim: você fala pra alguém 'Nossa, você é sempre tão pontual!' quando a pessoa sempre chega atrasada. Isso é ironia."
Agora, sobre o Matheus com TDAH e a Clara com TEA, tenho feito algumas adaptações pra ajudar. Com o Matheus, eu procuro dividir as atividades em partes menores. Um texto grande eu transformo em várias partes menores e dou um tempinho pra ele processar cada parte antes de passar pra próxima. Isso tem ajudado ele a manter o foco. Já tentei usar recursos visuais mais chamativos pra ele, mas percebi que nem sempre funciona porque pode distrair ainda mais.
Com a Clara, uso bastante apoio visual e dinâmicas mais estruturadas. Ela se dá muito bem com gráficos e esquemas. Se eu só fico na fala, ela às vezes se perde na lógica do texto argumentativo. Então faço esquemas no quadro ou entrego mapas mentais impressos pra ela acompanhar. Também tento avisar antecipadamente sobre mudanças nas atividades ou no cronograma da aula, pois sei que mudanças repentinas podem afetar o ritmo dela.
Um método que usei recentemente com ambos foi criar um espaço de perguntas anônimas durante a aula. Todo mundo pode escrever uma dúvida num papelzinho e colocar numa caixa. Isso funciona porque às vezes eles ficam com dúvidas mas não querem perguntar na frente de todo mundo. Quando abro a caixa e leio as perguntas (sem dizer quem perguntou), consigo esclarecer pontos sem expor ninguém.
Bom, acho que por hoje é isso pessoal. Espero ter conseguido dar uma ideia de como eu trabalho essa habilidade em sala e como faço pra enxergar o aprendizado dos meninos mesmo sem prova formal. Se alguém tiver dicas também ou quiser compartilhar experiência parecida, tô por aqui! A gente vai se falando!