Oi pessoal, aqui é o Carlos Eduardo, de Goiânia. Hoje quero compartilhar com vocês como eu trabalho a habilidade EM13LP26 da BNCC com a galera do 2º ano do Ensino Médio. Pra quem não tá tão familiarizado com essas nomenclaturas, essa habilidade envolve fazer os alunos relacionarem textos e documentos legais e normativos a seus contextos de produção. Em resumo, a molecada precisa entender pra que servem essas leis, tipo quais os direitos e deveres que elas trazem, principalmente pros adolescentes e jovens.
Bom, na prática, o que eu faço é ajudar os alunos a conectarem o que tá no papel com o que eles vivem no dia a dia. Tipo assim: eles têm que conseguir olhar pra um estatuto ou uma lei e sacar qual é a real dela, o que motivou alguém a criar aquilo, quais problemas tenta resolver. Na série anterior, no 1º ano, a gente já tinha trabalhado um pouco com leitura crítica de textos mais gerais, então eles já tinham uma base de saber tirar informações importantes e fazer conexões com a realidade deles.
Agora, vou contar pra vocês três atividades que eu faço na sala pra ajudar nisso tudo.
A primeira atividade é uma roda de conversa sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Eu peço pra turma levar o texto impresso ou ler ele online no celular mesmo. Aí organizo a turma em círculo – olha, dá uma bagunçadinha às vezes na sala, mas funciona – e peço pra eles comentarem as partes que chamaram mais atenção. Isso leva aí umas duas aulas de 50 minutos. O interessante é ver como eles conseguem relacionar o que tá ali com situações reais que eles enfrentam. Uma vez o Lucas comentou sobre os direitos à educação e à saúde e como ele vê que muitas crianças na comunidade dele não têm acesso fácil a isso. Aí começa um debate forte sobre desigualdade e como esses direitos nem sempre são cumpridos.
A segunda atividade é uma pesquisa sobre leis locais. Eu divido a turma em pequenos grupos e cada grupo fica responsável por buscar informações sobre uma lei municipal ou estadual que impacte adolescentes e jovens. Eles têm uma semana pra fazer isso, então geralmente usam o tempo em casa ou nos horários de estudo na escola. Depois trazem as informações pro grupo todo numa apresentação oral. Quando a gente fez isso pela última vez, a Maria e o João descobriram uma lei sobre transporte público gratuito pra estudantes e ficaram impressionados porque muita gente nem sabia disso direito. A galera ficou bem engajada em entender por que essa lei existe e como ela poderia ser melhor divulgada.
A terceira atividade envolve um trabalho em cima da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A gente pega alguns artigos mais relacionados aos jovens e discute a relevância deles hoje em dia e como eles são aplicados ou não no contexto atual brasileiro. Eu dou umas cópias desses artigos pra turma ou mando pelo WhatsApp mesmo pra economizar papel. O legal dessa atividade é ver como eles começam a perceber que muitos dos direitos garantidos não são tão acessíveis assim na prática aqui no Brasil. Lembro da Ana Paula falando que achava lindo tudo aquilo no papel, mas contando que na prática nem todo mundo tem seus direitos respeitados.
Geralmente, os alunos reagem muito bem a essas atividades porque elas tocam em coisas do cotidiano deles. Fazem eles pensarem: "Pôxa, esse direito aí devia ser meu!". Claro que às vezes rola um desinteresse inicial – normal – mas depois que algum colega começa a se empolgar, os outros vão na onda.
Então, pessoal, trabalhar essa habilidade vai além de simplesmente decorar leis ou estatutos - é fazer os alunos refletirem sobre o impacto dessas normas nas próprias vidas e nas comunidades ao redor deles. Espero que essas dicas ajudem vocês também! Até a próxima!
Oi pessoal, aqui é o Carlos Eduardo de novo. Continuando a conversa sobre a habilidade EM13LP26, queria agora contar pra vocês como eu percebo quando os alunos realmente entenderam o conteúdo, sem precisar fazer aquela prova formal. Isso tem muito a ver com observar a galera no dia a dia. Quando eu tô circulando pela sala, sempre fico de olho nas conversas entre eles. Sabe quando você passa perto e ouve aquele papo onde um aluno diz: “Mas na lei tal tá dizendo que a gente tem direito a isso e aquilo”? Quando eles começam a trazer situações do cotidiano e conectar com o que estão aprendendo, aí é sinal de que eles tão pegando o jeito da coisa.
Teve uma vez que eu percebi que o João, um dos meus alunos, tinha entendido bem o lance. A gente tava discutindo sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e ele começou a explicar pro amigo do lado que aquela parte sobre educação significava que eles tinham direito a transporte escolar. E aí ele largou uma: “É como quando nossa escola não tem ônibus suficiente, isso tá errado!” Cara, nessa hora eu fiquei tão orgulhoso porque ele não só entendeu o conteúdo, mas também conectou com uma situação real que eles vivem.
Agora, sobre os erros mais comuns... Ah, isso tem bastante! O Lucas, por exemplo, é um pouco apressado. Ele sempre tenta achar respostas rápidas sem prestar muita atenção nos detalhes dos textos legais. Uma vez ele disse que, segundo a Constituição, qualquer um pode fazer o que quiser no Brasil por causa da liberdade de expressão. Aí eu tive que intervir com carinho: “Olha, Lucas, liberdade de expressão tem limites e não significa que podemos fazer tudo sem pensar nas consequências pros outros”. Erros assim acontecem porque às vezes eles leem só uma parte do texto ou tiram de contexto. Quando pego esse tipo de erro na hora, costumo pedir pra relerem juntos e discutirmos o parágrafo todo. Ajuda bastante!
Agora sobre Matheus e Clara... Cada um tem suas particularidades, né? O Matheus tem TDAH então ele precisa de atividades mais dinâmicas e intervalos entre elas. Com ele, uso muito materiais visuais e exercícios mais curtos mas frequentes. Uma coisa que funcionou bem foi usar cards coloridos com perguntas e respostas pra ele ir montando associações rápidas. Também deixo ele usar fidget toys discretos durante as aulas pra ajudar na concentração dele.
Já a Clara, que tem TEA, precisa de uma organização clara e previsível nas atividades. Pra ela, eu sempre entrego um roteiro do que vamos fazer na aula logo no início. Uma vez, testei deixar ela escolher se queria participar de uma leitura em voz alta ou fazer uma atividade individual sobre o texto em vez disso. Ela escolheu trabalhar quietinha no canto dela sobre o texto enquanto a turma lia em grupo. Funcionou bem porque deu pra ver que ela ficou mais tranquila e se concentrou melhor.
Ainda assim, nem tudo dá certo de primeira. Tentei fazer uma dinâmica em grupo onde tinha muita interação verbal e percebi que isso deixou a Clara desconfortável e o Matheus disperso demais. Às vezes é preciso ajustar as velas no meio do caminho pra garantir que todo mundo esteja aprendendo.
Bom, pessoal, é isso por hoje! Espero que essas histórias ajudem vocês a pensar em formas diferentes de perceber quando nossos alunos estão realmente aprendendo. Sabemos que cada turma é um universo à parte e precisamos ser flexíveis pra garantir que todos se sintam incluídos nesse processo. Até a próxima!