Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF01LP17, parece algo meio complicado, né? Mas na prática é bem mais simples do que parece. A ideia é ajudar os meninos a aprenderem a planejar e produzir textos que eles vão usar no dia a dia. Então, em vez de ficarmos só naquela de copiar texto da lousa ou ficar só na teoria, a gente coloca a mão na massa mesmo. Os alunos precisam conseguir fazer listas de compras, convites para festinhas, uma receita de bolo que eles mesmos possam entender e seguir, essas coisas práticas que fazem sentido na vida deles. Pra isso, primeiro eles têm que entender pra quem eles estão escrevendo, qual o motivo, e aí organizam o texto direitinho.
Quando os meninos chegam no primeiro ano, eles já vêm com alguma noção de escrita e leitura lá do infantil, tipo reconhecer o nome deles, saber algumas letras e começar a se interessar por ler histórias. O que a gente faz é pegar essa base e levar pro próximo nível, onde eles conseguem criar algo sozinhos ou com uma ajudinha dos colegas e do professor. E ó, não é só escrever por escrever. Eles aprendem a pensar no que estão fazendo: "Pra quê que eu tô escrevendo isso? Quem vai ler? O que eu preciso escrever pra pessoa entender?"
Uma atividade que eu gosto muito de fazer é a criação de convites pra algum evento fictício, tipo uma festa na escola ou um piquenique. Uso material simples: papel colorido, lápis de cor, canetinha e cola. Primeiro eu divido a turma em grupos pequenos, uns quatro ou cinco alunos. Aí eu explico direitinho o que é um convite e o que precisa ter nele: data, local, horário e quem tá convidando. Dou pra eles mais ou menos uns 30 minutos pra trabalharem. É interessante ver como cada grupo pensa diferente! Da última vez que fiz isso, o Joãozinho e a Maria se empolgaram tanto que queriam fazer um convite pra cada um da família deles! Eles até desenharam um bolo enorme na capa do convite. Os alunos adoram essa atividade porque é criativa e envolve desenho, o que sempre deixa a galera animada.
Outra coisa bacana é montar um calendário da turma. Isso ajuda muito a trabalhar os dias da semana, os meses e até os números. A gente pega uma cartolina grande pra ser o nosso calendário e cada aluno fica responsável por desenhar e escrever um dia do mês. Como são muitos dias, fazemos isso ao longo de duas semanas, uns 10 minutinhos por dia. Essa atividade é super legal porque todo mundo participa e no final montamos o nosso calendário na parede da sala. Teve uma vez que o Pedro desenhou ele mesmo em todos os dias do mês! Eu brinquei com ele dizendo que era porque ele queria ter festa todo dia.
E também fazemos receitas juntos! Isso é ótimo porque envolve leitura, compreensão de texto e até um pouco de matemática quando falamos das medidas dos ingredientes. Escolho receitas simples como brigadeiro ou suco de laranja pra facilitar. Pra essa atividade uso um quadro branco onde vou anotando tudo enquanto os meninos me ajudam com as ideias. Geralmente faço essa atividade em grupos pequenos também porque assim eles podem trocar ideia entre eles sobre como fazer tudo certinho. Lembro de uma vez que a Luísa trouxe uma receita da avó dela pra fazermos juntos e foi uma festa! Ela ficou tão orgulhosa de mostrar pros amigos.
Cada uma dessas atividades dura cerca de 45 minutos a uma hora dependendo do interesse da turma e do andamento dos trabalhos. O legal é ver como as crianças se envolvem e como elas começam a perceber que essas produções são úteis no dia a dia delas. E além de tudo isso, essas atividades ajudam muito na alfabetização porque elas têm que ler o que estão escrevendo e entender o contexto daquilo.
O bom de trabalhar com essas atividades práticas é que elas não ficam só nos exercícios chatos do caderno; elas fazem sentido pros alunos e ainda desenvolvem várias habilidades ao mesmo tempo: criatividade, trabalho em grupo, planejamento... E bom, essa prática toda acaba se refletindo nas outras áreas também. Vejo evolução não só em português mas até em matemática por causa das medidas nas receitas, por exemplo.
Enfim, pessoal, é isso que tenho feito com os meninos na minha sala! É desafiador às vezes porque cada turma reage de um jeito diferente mas sempre vale a pena quando vejo eles empolgados com o resultado final. Se alguém tiver mais ideias ou sugestões tô aqui pra ouvir também!
Pra saber se o aluno aprendeu a habilidade, eu não fico só esperando um teste formal, não. No dia a dia, a sala de aula vira um grande laboratório e os meninos são os cientistas. Quando eu tô andando pela sala, já fico de olho. Aí eu vejo como eles estão lidando com as atividades. Tipo assim, se eles tão conseguindo fazer uma lista de compras sem travar muito ou se o convite pra festinha tá ali com todas as informações importantes — data, local, hora.
Teve um dia que a Júlia tava explicando pro Joãozinho como fazer uma receita de brigadeiro. Ela falou: "Primeiro você precisa saber quantas pessoas vão comer, aí já dá pra calcular quanto de leite condensado e chocolate precisa". Olha só, isso aí é sinal de que ela pegou a ideia de planejar antes de escrever. E quando eles começam a discutir entre eles se uma frase tá clara ou não, é um baita indicativo de que tão entendendo a importância de escrever pra ser entendido.
Mas claro que ninguém acerta tudo de primeira, né? Tem uns erros bem comuns que vejo na sala. Tipo o Felipe, que sempre esquecia de colocar quem era o destinatário no convite. Ele ficava tão empolgado com a parte do "Vai ter bolo e refrigerante" que esquecia do essencial. Eu noto que esses erros acontecem porque eles ainda tão aprendendo a se colocar no lugar do outro, pensar que alguém vai ler aquilo e precisa entender direitinho. Quando pego esse erro na hora, eu vou até ele e falo: "Felipe, imagina se você vai receber esse convite. Você saberia onde e quando ir?" Aí ele dá aquele sorriso sem graça e diz: "Ah, é mesmo". Então ele corrige na hora.
Agora, com o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA, eu preciso dar uma atenção diferente. O Matheus é cheio de energia e se distrai fácil. Com ele, o negócio é dividir as tarefas em partes menores e dar intervalos curtos pra ele espairecer um pouco. Tem uma técnica que funciona bem com ele: uso cartões coloridos com lembretes das etapas que ele precisa seguir na produção do texto. Por exemplo, um cartão amarelo pra planejar as ideias, um verde pra escrever e um azul pra revisar. Isso ajuda ele a visualizar o processo e manter o foco.
A Clara, por outro lado, precisa de mais estrutura nas atividades. Ela gosta de saber o que vai acontecer em cada etapa do trabalho. Pra ela, eu costumo usar uma tabela com desenhos representando cada passo — tipo um relógio pro tempo de começar e terminar, uma folha com lápis pro momento da escrita. Isso dá segurança pra ela saber o que vem a seguir e não ser pega de surpresa. E também é importante dar tempo extra quando necessário porque às vezes ela precisa de mais tempo pra processar as informações do que os outros alunos.
Uma vez tentei usar música ambiente enquanto eles escreviam — achei que seria relaxante — mas percebi que isso não funcionou nem pro Matheus nem pra Clara. Pro Matheus foi ainda mais um motivo de distração, e a Clara ficou incomodada com os sons inesperados no meio da música. Então voltei ao silêncio durante as atividades mais focadas.
Bom, é por aí que vou observando e ajustando conforme necessário. A sala de aula tá sempre mudando e eu vou junto com ela tentando entender como posso ajudar cada aluno a encontrar seu próprio jeito de aprender e se desenvolver.
E é isso aí pessoal! Espero ter compartilhado algumas ideias úteis pra vocês que também vivem essa loucura boa da sala de aula. Abraço!