Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Hoje eu vim compartilhar como eu trabalho a habilidade EM13LP51 da BNCC com a minha turma do 2º ano do Ensino Médio. Pra quem não tá familiarizado, essa habilidade fala sobre selecionar obras do repertório artístico-literário contemporâneo e usar isso pra se inserir e intervir com autonomia e criticidade no meio cultural. Mas falando assim, parece um bicho de sete cabeças, né? Então deixa eu explicar como eu vejo isso na prática.
Bom, quando a gente fala de "selecionar obras", não é só pegar um livro qualquer na prateleira e pronto. A ideia é ajudar os meninos a desenvolverem um olhar crítico sobre o que eles gostam de ler ou assistir e entenderem por que gostam disso. Isso é importante porque eles vão criar um acervo pessoal. E não precisa ser uma biblioteca gigante não, pode ser uma lista de coisas que eles realmente curtem e acham que dizem algo pra eles.
E olha, isso tá conectado com o que eles já vêm aprendendo em anos anteriores. Lá no 1º ano, a gente já começa a trabalhar com eles essa ideia de análise crítica, só que de uma forma mais básica. Agora no 2º ano, a ideia é aprofundar isso e fazer eles se sentirem confiantes pra discutir e defender as escolhas deles. É como se cada obra que eles escolhem fosse uma pecinha de um quebra-cabeça que vai formando quem são como leitores e cidadãos.
Então, vamos pras atividades que eu faço na sala pra desenvolver essa habilidade:
Primeira atividade: "Café Literário". Essa é bem legal e os alunos geralmente gostam muito. Eu pego alguns livros contemporâneos do acervo da escola e também aceito sugestões de livros que eles leem por conta própria. Então, organizo a turma em pequenos grupos de 4 ou 5 pessoas. Cada grupo escolhe um livro pra ler durante umas duas semanas. Durante esse tempo, eles vão discutindo entre si sobre o que gostaram ou não, o que acharam interessante, essas coisas. No final desse período, fazemos um "Café Literário" na sala mesmo, onde cada grupo apresenta a obra que leu pros outros colegas.
Na última vez que fiz essa atividade, a Maria Clara trouxe um livro de poesia que ninguém conhecia, todo mundo ficou super curioso! A turma dela fez uma apresentação tão envolvente que até os mais quietinhos participaram da discussão. Acho legal como essas apresentações às vezes quebram barreiras entre os alunos e incentivam até quem tem vergonha de falar.
Segunda atividade: "Diário de Bordo". Essa é mais individual e tem um impacto bem pessoal nos alunos. Basicamente, cada aluno mantém um diário onde anotam as impressões sobre qualquer obra artística que consumiram na semana: pode ser um filme, série, música, além dos livros. Isso ajuda eles a perceberem padrões no próprio gosto e pensar mais profundamente sobre o impacto dessas obras nas suas vidas.
Lembro uma vez do João Pedro escrevendo sobre uma série que ele amava. Ele percebeu que sempre gostava das séries com protagonistas femininas fortes porque lembrava da mãe dele. Foi muito bacana ver ele compartilhar isso com a turma e perceber a relação emocional dele com as obras.
Terceira atividade: "Debate Cultural". Essa é ótima pra dar aquela mexida na turma toda! Eu trago um tema contemporâneo e relevante — pode ser algo sobre diversidade nas artes ou tecnologia no cinema — e proponho um debate na sala. A turma se divide em dois grupos: um defende o tema proposto e o outro traz argumentos contrários ou críticas.
Na última vez, o tema foi "A influência das redes sociais na música atual", e eu nunca tinha visto os meninos tão animados pra argumentar! A Júlia surpreendeu todo mundo quando trouxe várias referências musicais que ela tinha pesquisado por conta própria. Foi incrível ver como eles conseguem se envolver quando se identificam com o assunto.
Olha, trabalhando desse jeito eu vejo os alunos crescendo muito em autonomia e criticidade. Eles começam a entender melhor o próprio gosto, a importância desse gosto na formação deles como indivíduos e também como isso pode ser usado pra construir diálogos culturais mais ricos.
E é assim que eu tenho tentado desenvolver essa habilidade com os meninos do 2º ano. Eu acho essencial dar esse espaço pra eles se expressarem e aprenderem uns com os outros. A gente não tá só formando leitores ou espectadores críticos, mas cidadãos mais conscientes e participativos no meio cultural em que vivem.
Espero que essas dicas ajudem vocês aí também! E contem pra mim como vocês têm feito na sala de aula, adoro trocar ideias com vocês. Até mais!
Oi, pessoal! Continuando o papo sobre a habilidade EM13LP51, quero contar como percebo que os meninos realmente entenderam, sem precisar de prova formal, sabe? É aquele velho ditado: a prática no dia a dia fala mais alto. E olha, uma das coisas que eu mais gosto é circular pela sala e ver como eles interagem com o conteúdo.
Tipo assim, quando estou passando pelas carteiras e vejo a Ana explicando pro João sobre como o livro que leu tem relação com um filme que assistiram na aula passada, e ele faz aquela cara de “ah, agora entendi!”, ali eu sei que eles estão captando a essência da coisa. Ou quando o Pedro tá lá vibrando porque descobriu que aquela música que ele adora tem tudo a ver com o tema da aula. É nesse momento que você vê o brilho nos olhos, e isso não tem preço.
E tem as conversas entre eles, né? Quando você ouve um aluno comentando com o outro sobre como a obra que ele escolheu fala de temas atuais, dá pra sacar que ele tá se apropriando do conteúdo. Teve uma vez que peguei a Luísa comentando: “Cara, esse livro fala da nossa realidade! É tipo ver nos noticiários.” Quando eles trazem os conteúdos pra realidade deles e discutem entre si, você sabe que tão no caminho certo.
Agora, sobre os erros mais comuns... Ah, esses aparecem e muito! Um erro frequente é quando os meninos começam a falar sobre uma obra sem considerar o contexto histórico dela. Tipo o Lucas, que falava de um livro do século XIX como se fosse algo super recente. Ele achava que tudo aquilo podia ser lido com os olhos de hoje sem considerar o tempo em que foi escrito. Aí eu paro e pergunto: "Lucas, pensa em como as pessoas viviam naquela época. Será que algumas coisas não mudaram de lá pra cá?" É um puxãozinho de orelha carinhoso pra eles pensarem além do texto.
Outro erro comum é quando os alunos tentam interpretar tudo literalmente. Dá vontade de rir às vezes, mas é importante guiar. A Sofia uma vez achou que porque algo aconteceu no livro, então certamente deveria acontecer na vida real daquele jeito. Aí eu chego e falo: "Sofia, lembra que a literatura também tem licença poética? Nem tudo precisa ser um reflexo direto da nossa realidade."
Com o Matheus e a Clara, eu preciso ter uma abordagem um pouco diferente. O Matheus tem TDAH e precisa de mais espaço pra se mexer durante as atividades. Eu procuro organizar atividades mais dinâmicas pra ele, tipo debates em pé ou até caminhadas literárias pela sala. Isso ajuda muito! Uma vez tentei deixar só papel e caneta pra ele durante uma leitura silenciosa... não deu certo. Já a Clara, que tem TEA, se dá melhor com rotinas bem estruturadas. Gosto de usar materiais visuais pra ela, como esquemas e quadros sinóticos. E sempre aviso sobre mudanças no planejamento com antecedência.
A gente também ajusta os tempos das atividades pensando neles. Por exemplo, se vou passar um vídeo longo, sempre deixo eles saberem quanto tempo vai durar antes de começar. Pro Matheus, isso ajuda a gerenciar a ansiedade dele; pra Clara, facilita entender o começo e o fim da atividade.
O material diferente? Ah, faço uso de podcasts curtos e resumos visuais das leituras. Pra Clara, esses resumos visuais ajudam muito na compreensão dos temas principais sem sobrecarga de informações verbais. Pro Matheus, mais atividades práticas ajudam na concentração dele.
Bom, pessoal, é isso aí! As adaptações são essenciais na nossa prática diária com os estudantes. É um aprendizado contínuo pra nós também enquanto professores. Eu vou ficando por aqui por hoje, mas espero ter compartilhado algumas dicas úteis.
Até mais! Abraços!