Voltar para Língua Portuguesa 3º EM Ano
EM13LP52Língua Portuguesa · 3º EM Ano · Ensino Médio

Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente.

CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, trabalhar a habilidade EM13LP52 da BNCC na prática é uma aventura e tanto. A ideia é que os alunos consigam analisar obras literárias de várias origens, não só do Brasil, mas também de Portugal, dos povos indígenas, da África e da América Latina. A habilidade fala sobre usar ferramentas da crítica literária, como estrutura da composição, estilo e aspectos discursivos. Mas o mais importante é ligar essas obras ao contexto em que foram criadas, aos movimentos culturais e estéticos da época e ver como elas ainda fazem sentido hoje. É perceber que um texto escrito há séculos pode ter algo a dizer sobre o mundo atual.

Então, na prática, o principal é ajudar os alunos a fazer essas conexões. Eles precisam ler um texto e conseguir identificar esses aspectos todos. É como se eles fossem detetives literários: pegam uma obra, investigam por que o autor escreveu aquilo, em que contexto foi feito, como aquilo dialoga com outras obras e com o mundo deles hoje. E isso se conecta muito com o que eles já trazem do 1º ano do Ensino Médio, quando começam a se familiarizar mais com os textos literários e suas análises.

Agora, vou contar umas atividades que faço com a turma pra eles desenvolverem essa habilidade.

Primeira atividade que sempre rola é o "Círculo de leitura". Eu escolho umas três ou quatro obras curtas — tipo contos ou poemas — de autores de diferentes origens, como Machado de Assis, José Craveirinha de Moçambique e Claribel Alegría de El Salvador. Aí a gente se organiza em pequenos grupos e cada grupo lê uma obra diferente. Depois, cada grupo troca ideia sobre o que leu. Eles têm que discutir a estrutura do texto, o estilo do autor (tipo assim, se é mais descritivo ou se usa muitas metáforas) e tentar identificar o contexto histórico e cultural daquela obra. O legal é ver a empolgação dos meninos quando descobrem, por exemplo, como uma narrativa africana pode ter pontos em comum com um conto brasileiro. Essa atividade leva umas duas aulas de 50 minutos e o material que uso são só as cópias dos textos mesmo. Da última vez que fiz essa atividade, o Lucas ficou impressionado como um conto do Machado de Assis criticava a sociedade da época dele e ainda fazia sentido hoje em dia!

Outra atividade é o "Desafio do contexto". Eu trago um texto bem conhecido pra galera — já usei "O Guarani" do José de Alencar — e dou um tempo para eles lerem um trecho em sala. Depois, organizo a turma em duplas ou trios pra eles pesquisarem sobre o contexto histórico daquela obra: tipo assim, quais eram as discussões sociais na época? Tinha algum movimento cultural rolando? A ideia é eles perceberem que aquilo não foi escrito num vácuo cultural. Os meninos usam celulares pra pesquisa rápida mesmo ou levamos os notebooks da escola pra sala. Reservo umas duas aulas pra essa atividade também. No final, cada grupo apresenta suas descobertas e aí rola aquele aprendizado colaborativo. Quando fizemos isso com "O Guarani", a Ana Clara ficou surpresa ao descobrir as influências do nacionalismo na obra de Alencar e como isso se relacionava com o Brasil atual.

Por último tem a "Conexão com o presente". Essa é uma das minhas favoritas porque mexe muito com a criatividade deles. A ideia é pegar uma obra clássica — pode ser até uma lenda indígena, por exemplo — e pedir pra eles pensarem num jeito de reescrever ou adaptar aquilo pro contexto atual deles. Pode ser um roteiro de filme curto, uma peça de teatro ou até um quadrinho. Eles formam grupos de afinidade (normalmente deixo eles escolherem) e têm umas três aulas pra desenvolver isso. O material varia conforme a escolha deles: tem grupo que usa papelão pra fazer cenário, tem quem desenhe personagens no papel sulfite... Na última vez que fiz isso com eles usando uma lenda guarani, o João Pedro — aquele menino criativo demais — fez um quadrinho incrível onde intercalava cenas da lenda original com situações do dia a dia dele. Ficou show!

Então é isso aí! Essas atividades ajudam os alunos não só a entenderem melhor as obras literárias mas também a perceberem como essas histórias antigas ainda falam bastante sobre nosso mundo hoje em dia. E olha, ver os meninos se engajar nessas discussões faz valer a pena toda a correria! Qualquer dúvida ou sugestão diferente pro pessoal fazer também tô por aqui! Até mais!

Olha, vou te contar que a gente percebe quando os meninos estão entendendo o conteúdo muito mais nas pequenas coisas do dia a dia do que numa prova formal, sabe? Mas é claro que isso vem com a experiência de sala de aula. Eu fico bem de olho na hora que tô circulando pela sala, tipo, pra ver como eles estão discutindo entre eles. Às vezes você passa e escuta aquele papo entre dois alunos, sabe? Um explicando pro outro porque tal personagem fez isso ou aquilo com base no contexto histórico ou cultural da época. Quando vejo um aluno como a Júlia, por exemplo, falando pro colega dela "ah, mas se a gente pensar que naquela época as mulheres não podiam fazer isso ou aquilo, faz sentido ela ter agido assim", aí eu penso: beleza, ela tá pegando a ideia.

Outra coisa que sempre faço é observar quando eles estão em grupos e trocam ideias sobre o que leram. Quando um aluno consegue conectar o livro com alguma coisa do nosso mundo atual e traz isso espontaneamente numa roda de conversa, é um sinal claro de que ele internalizou o aprendizado. Tipo quando o Gabriel comentou uma vez numa discussão sobre "Memórias Póstumas de Brás Cubas" que se Machado de Assis estivesse vivo hoje, ele provavelmente seria bem ácido no Twitter. Essa percepção do estilo irônico do autor aplicado aos dias de hoje é música pros meus ouvidos.

Claro que nem tudo são flores, né? E tem os erros comuns. Por exemplo, o Lucas, um dia estava totalmente certo de que uma obra africana que a gente estava estudando era recente porque tinha menção a algo que ele achava moderno, mas era só um elemento cultural tradicional daquela região que se mantém até hoje. É comum essa confusão sobre o contexto temporal. Esses erros acontecem porque às vezes os alunos focam muito nos detalhes e esquecem de ver o quadro todo. O que eu faço quando pego isso na hora é puxar uma discussão em sala pra gente tentar reconstruir a linha do tempo juntos e situar o texto melhor. Pergunto algo tipo "quem pode lembrar pra gente o que estava acontecendo na África nessa época?"

Sobre o Matheus que tem TDAH e a Clara com TEA, com eles eu tento adaptar as atividades pra ajudar na concentração e comunicação. Pro Matheus, atividades mais visualmente atraentes funcionam melhor. Eu costumo usar mapas mentais ou quadrinhos que ajudam ele a visualizar melhor as informações. Por exemplo, numa aula sobre “Os Lusíadas”, fizemos um storyboard da viagem de Vasco da Gama, e ele curtiu muito. Outra coisa é dividir as atividades em partes menores, isso ajuda ele a não ficar sobrecarregado.

Com a Clara, eu procuro usar um pouco mais de rotina nas atividades porque sei que ela se sente mais segura assim. Quando estamos lendo um texto novo, eu aviso com antecedência e sempre começo mostrando primeiro um vídeo ou algo visual sobre o tema pra ela já ir se ambientando antes da leitura em si. Uma vez tentei fazer uma atividade mais livre em grupo sem muita estrutura e percebi que não funcionou bem pra ela; desde então tento ser mais organizado nesse sentido.

E olha, é importante também dar um tempo extra pra ambos quando eles precisam, já entendi que não adianta apressar. E sempre conversar com eles é essencial, perguntar diretamente como estão se sentindo em relação às atividades.

Então é isso aí galera, ensinar é mesmo um aprendizado constante e cada turma tem suas peculiaridades. Espero que essas histórias ajudem alguém por aqui. Qualquer coisa tô por aqui pra trocar ideia!

Gere materiais prontos para esta habilidade

Plano de aula, lista de exercícios ou avaliação — tudo com o código EM13LP52 incluído.

Criar material em 30 segundos

Grátis para começar. Sem cartão.