Olha, quando a gente fala da habilidade EF05LP11 da BNCC, a ideia é que os meninos e meninas do 5º ano consigam escrever anedotas, piadas e cartuns de uma forma autônoma. Na prática, é o seguinte: eles precisam pegar essas histórias engraçadas que tanto gostam de contar e aprender a registrá-las no papel de maneira organizada. E isso não é só escrever qualquer coisa, viu? Tem que levar em conta como se faz cada tipo de texto e pensar no porquê está escrevendo aquilo. Por exemplo, se estão escrevendo uma piada, tem que saber como ela geralmente começa e termina, como fazer aquele suspense pra dar graça. Se for um cartum, além do texto, tem o desenho que precisa complementar a piada ou a situação.
Os meninos já chegam com uma base do 4º ano, onde eles trabalham bastante a questão de recontar histórias e começar a entender as características dos diferentes gêneros textuais. No 5º ano, a gente dá um passo além e começa a focar mais nas convenções específicas de cada gênero e na autonomia deles para criarem seus próprios textos. Então, bora pras atividades que costumo fazer pra desenvolver essa habilidade neles.
A primeira atividade que faço é um "Dia da Piada". Trago uma seleção de piadinhas bem simples, tipo aquelas de "por que a galinha atravessou a rua?", sabe? Imprimo em pedaços de papel e distribuo pela sala. A turma é dividida em duplas e cada dupla fica responsável por reescrever a piadinha que recebeu, mas com um toque pessoal. Eles têm cerca de meia hora pra isso. A ideia é que eles pensem nas palavras que escolhem e tentem brincar um pouco com as expectativas de quem vai ouvir ou ler. Os resultados são surpreendentes! Da última vez, o João e o Ricardo transformaram aquela clássica piada da galinha em algo totalmente diferente: "Por que a galinha foi pra escola? Porque queria 'chocar' na prova!" Essa atividade é sempre divertida, porque eles adoram inventar moda e saem com cada coisa!
Outra coisa que funciona bem é o "Cartum colaborativo". Nesse caso, eu levo algumas tirinhas de jornal ou internet sem os diálogos nos balõezinhos. Os alunos são divididos em grupos de quatro ou cinco e precisam criar as falas dos personagens. Damos uns 40 minutos pra isso. A dinâmica do grupo ajuda muito porque eles precisam discutir entre si qual diálogo faz mais sentido e qual é mais engraçado. Na última vez que fizemos, a Ana ficou encarregada dos desenhos e criou falas super sagazes pro cartum sobre um cachorro atrapalhado tentando roubar um bife da mesa. A turma caiu na risada, mas também debateu sobre como uma boa fala às vezes depende muito das expressões dos personagens no desenho.
E por fim, tem o "Contação de Anedota". Essa atividade envolve mais escrita individual no início, mas depois vira uma roda de conversa bem legal. Peço pra cada um escrever uma anedota breve — pode ser algo que aconteceu com eles ou uma história inventada mesmo. Eles têm uns 20 minutos pra escrever. Depois disso, juntamos todas as anedotas e fazemos uma roda onde cada um lê sua história em voz alta. É interessante ver como mesmo os alunos mais tímidos vão ganhando confiança com o tempo. O Pedro, por exemplo, no começo do ano quase não falava nada nas apresentações orais, mas numa dessas rodas ele contou uma história engraçada sobre seu cachorro fujão que deixou todo mundo rindo alto.
Essas atividades são bacanas porque incentivam os alunos a pensar criticamente sobre como estruturam suas ideias na escrita e ainda desenvolvem outras habilidades, como trabalhar em grupo e apresentar ideias oralmente. E olha, eles se divertem muito no processo! São momentos em que dá pra ver claramente a criatividade deles à solta e também como estão aprendendo a respeitar as etapas da escrita enquanto se divertem.
Acho que o mais legal disso tudo é perceber como esses momentos influenciam o jeito deles lidarem com outros tipos de texto também. Eles começam a perceber que todo texto tem suas regras e encantos próprios e ganham confiança pra explorar isso em outros gêneros textuais nas aulas seguintes.
E assim vamos caminhando aqui na sala! Se os colegas aí tiverem mais ideias ou sugestões pra esse tipo de atividade, estou aberto! É sempre bom trocar figurinhas nesse nosso mundão do ensino.
Aí, pessoal, continuando o papo sobre a habilidade EF05LP11, vocês sabem que eu sou daqueles que não precisa de uma prova formal pra saber se a galera tá mandando bem. Observando no dia a dia, já dá pra sentir quando os meninos pegaram o jeito da coisa.
Tipo assim, quando você tá circulando pela sala, dá pra perceber como eles estão se expressando, sabe? Vejo com frequência o Lucas, por exemplo, contando uma piada pro Pedro bem certinho, com começo, meio e fim, do jeito que a gente conversou em sala de aula. E ele faz isso sem travar! Isso porque ele tá indo bem na habilidade. Outra coisa é ouvir as conversas entre eles. Quando um aluno explica pra outro como fazer uma anedota e deixa claro que tem que ter um clímax antes do desfecho engraçado, eu penso: "Ahá! Essa aí já pegou a ideia."
Teve um dia que a Mariana tava ajudando a Ana com o cartum dela. A Mariana explicou que a graça do cartum não era só no desenho, mas também na legenda esperta. Quando vejo essas interações, tenho certeza que entenderam. E o mais legal é que muitas vezes essa troca de ideias entre eles flui de forma tão natural que eu só fico ali, meio invisível, mas escutando tudo e dando aquele sorriso de orgulho.
Mas vamos ser sinceros, nem tudo são flores. Os erros acontecem! E muitos erros vêm daqueles detalhes pequenos mas importantes. O Bruno, por exemplo, sempre começa bem uma piada, mas às vezes ele se empolga tanto que se perde no meio e acaba estragando o suspense. Já vi ele contando uma história engraçada e se atropelando todo na hora de chegar ao final. Aí tenho que lembrá-lo de voltar um pouco e reconstruir aquela tensão até chegar na punchline. Esses erros acontecem porque manter a linearidade numa narrativa divertida não é fácil pra eles. O jeito é trabalhar paciência e prática!
Outra aluna é a Joana. Ela adora fazer cartuns, mas vive esquecendo de limitar as falas nos balões ou estendendo demais a história numa tirinha só. Quando vejo isso acontecendo ao lado dela na sala, já dou um toque: "Joana, tenta cortar um pouco aqui ou ali pra não perder o ritmo do cartum." É meio que um exercício constante de revisão e edição.
Agora, falando do Matheus e da Clara... Bom, o Matheus tem TDAH e a Clara tem TEA. Cada um com suas particularidades, né? Pro Matheus, preciso de atividades mais fragmentadas e com pausas frequentes. Ele se perde fácil se o trabalho for muito longo ou complexo demais sem respiro. Então eu faço pequenas atividades intercaladas com momentos mais livres pra ele dar aquela ventilada na mente.
E pro Matheus funcionar bem com essas atividades menores, às vezes uso jogos educativos que têm tempo limitado por rodada; isso ajuda ele a manter o foco sem perder o interesse. Sabe o que funciona também? Permitir que ele se mexa um pouquinho pela sala entre as atividades – isso ajuda muito!
Com a Clara é diferente. Como ela tem TEA, procuro trazer mais previsibilidade pras atividades dela. Aviso com antecedência como será cada parte do trabalho; isso dá segurança e ela consegue se organizar melhor internamente. Além disso, elaboro materiais visuais mais diretos e menos cheios de informação pra ela não ficar sobrecarregada.
Uma coisa que achei super útil foi usar cartões coloridos com etapas das atividades pra Clara; cada cor representa uma fase diferente do trabalho, e ela já entende só de bater o olho. Uma vez tentei colocar música de fundo pra ver se ajudava a turma toda a relaxar enquanto escreviam, mas percebi que não rolou bem pra Clara – aí tirei logo depois.
É isso aí, galera! Cada um no seu tempo e com suas estratégias consegue desenvolver essa habilidade de registrar o humor no papel. Sempre aprendendo com eles também! Valeu por lerem até aqui e espero ter ajudado com as dicas e experiências. Até a próxima conversa no fórum!