Olha, essa habilidade EF05LP19 da BNCC é uma daquelas que eu acho superimportante a gente trabalhar com os meninos do 5º ano. Basicamente, o que tá pedindo ali é que os alunos aprendam a argumentar, ou seja, defender um ponto de vista sobre algo que tá acontecendo no mundo, mas sempre respeitando o que a galera pensa diferente deles. Aí, não é só sair falando o que acha, né? Tem que ter uma base, tipo alguma notícia que viram na TV, um post na internet, algo que ouviram no rádio, essas coisas. O legal é que eles já vêm com uma bagagenzinha do 4º ano sobre dar opinião e tal, mas agora a gente precisa afiar esse lado de argumentar mesmo.
Então, quando eu penso nessa habilidade na prática, imagino os alunos conseguindo não só dizer "eu acho isso", mas também explicar o porquê de acharem aquilo. E mais importante: ouvirem o outro lado da moeda sem dar chilique. É um baita exercício pra vida toda. Eles precisam conseguir pegar uma informação nova e pensar sobre ela antes de abrir a boca. É isso que tento trabalhar com eles.
Vou contar umas atividades que faço na sala pra botar essa habilidade em prática:
Uma das coisas que faço frequentemente é a "roda de conversa". Essa é clássica e adoro porque funciona bem demais. Trago algumas notícias atuais e simples. Coisa de jornal mesmo, não precisa ser nada ultra complexo. Divido a turma em grupos pequenos de 4 ou 5 alunos e dou uns 10 minutinhos pra eles lerem juntos e discutirem entre si. Aí vem a parte boa: cada grupo escolhe um porta-voz pra expor o que acham ali no meio da roda grande. Essa atividade leva uns 50 minutos no total.
Na última vez, trouxe uma notícia sobre um projeto de lei aqui em Goiás que tava dando o que falar. Os meninos do grupo do João Pedro ficaram super empolgados, discutindo se o projeto era bom ou não pras escolas. Quando foram falar na roda maior, cada um quis dar seu pitaco, então tive que intervir pra não virar bagunça. No final das contas, João Pedro foi o porta-voz deles e mandou bem demais explicando os prós e contras da medida. Até os mais tímidos, tipo a Julia, acabaram participando.
Outra atividade que fazemos é o "debate estruturado". Esse toma um pouco mais de tempo pra organizar, mas vale muito a pena. Escolho um tema polêmico mais simples e divido a turma em dois grandes grupos: um a favor e outro contra. Dou uns 20 minutos pra eles se prepararem, seja lendo material que trago ou até pesquisando rapidinho nos celulares (com supervisão). Depois disso, começamos o debate, cada grupo expondo seus argumentos e ouvindo o outro lado também. Isso vai fácil uns 60 minutos.
Teve uma vez que fizemos sobre o uso de tecnologia nas escolas. A galera do grupo da Beatriz tava a favor e trouxeram dados sobre como a tecnologia ajuda no aprendizado. Do outro lado, o Marco Antônio liderou os contra com argumentos sobre como isso pode distrair em vez de ajudar — ele até citou um artigo que leu com a mãe dele! O bacana foi ver eles respeitando quando o outro lado falava e até admitindo quando um argumento era forte.
A terceira atividade é algo mais individual chamado "diário de argumentos". Peço pros alunos escolherem um tema atual (pode ser algo que viram nas atividades anteriores) e escreverem um pequeno texto defendendo seu ponto de vista sobre aquela questão. Não precisa ser longo, umas 10 linhas já tá ótimo. Eles têm uns 30 minutos pra isso e depois quem quer pode ler pro resto da turma.
Quando fizemos isso há pouco tempo com o tema do desmatamento na Amazônia, fiquei surpreso com a Clara. Ela sempre foi mais calada nas discussões orais, mas no texto dela defendeu super bem a importância da preservação das florestas com dados que pegou numa revista em casa. Ela leu pro pessoal e foi legal ver como se sentiu confiante no final.
Olha, essas atividades são só algumas maneiras de fazer os meninos trabalharem essa habilidade de argumentação oral respeitosa. A prática leva à perfeição e cada vez mais vejo eles mais seguros nas discussões e até levando isso pra outros assuntos fora da sala de aula.
É isso aí galera! Espero que essas ideias ajudem outros professores por aí também. Abraço!
Perceber que um aluno aprendeu sem usar uma prova formal é tipo um momento de ouro na sala de aula. Um dia desses, tava circulando pela sala enquanto eles trabalhavam em grupo numa atividade de debate. Eles tinham que discutir se o uso de uniformes na escola era uma boa ou não. Aí, eu passei perto da mesa do Felipe e ele estava argumentando com a Ana. Ele veio com um ponto de vista super bem embasado sobre como o uniforme ajuda a diminuir o bullying porque nivela todo mundo. E o mais legal foi ele citar um caso que viu num documentário sobre uma escola na Inglaterra que resolveu aderir ao uniforme justamente por essa razão. Aí eu pensei, "Esse menino entendeu o que é defender um ponto de vista com base em algo concreto!"
Outro jeito de perceber é quando eles começam a usar os argumentos no dia a dia, mesmo fora das atividades formais. Tipo a Mariana, que um dia chegou contando que convenceu a mãe a deixar ela adotar um gatinho usando tudo que aprendeu nas aulas, falando dos benefícios pros humanos e pros bichos. E o João, que explicou pro Lucas por que a gente não pode acreditar em tudo que lê na internet, usando exemplos de notícias falsas que discutimos em classe.
Agora, sobre os erros mais comuns... Olha, tem os clássicos. A galera às vezes se empolga e acaba misturando opinião pessoal com argumento. O Pedro, por exemplo, sempre começa dizendo que acha tal coisa, mas não sustenta com dados ou exemplos. Ele diz "Eu acho que videogames são ruins pra saúde", e quando pergunto por quê, ele só volta com "Só acho". Aí, precisa ajudar ele a entender que sem um exemplo ou dado apoiando, fica só como opinião mesmo.
Aí tem também aquela confusão entre argumento e exagero. A Sofia é ótima nisso. Uma vez ela veio argumentar sobre alimentação saudável dizendo que quem não come frutas todo dia vai ficar doente sempre. Tive que explicar pra ela que exagerar assim pode tirar credibilidade do argumento. Ajudei ela a reformular isso mostrando uns dados sobre benefícios de frutas na dieta de crianças.
Com o Matheus, que tem TDAH, preciso estar sempre atento ao tempo das atividades e ao jeito de apresentar as coisas. Ele se dispersa fácil quando é algo muito longo ou sem intervalos. Então faço atividades mais curtas com ele e dou pequenas pausas pra ele não perder o foco total. Ah, e usar cores nos materiais ajuda também! Ele responde melhor quando tem algo visual atraente pra chamar atenção.
Com a Clara, que tem TEA, o desafio maior é lidar com as mudanças e imprevistos. Ela tem uma rotina bem definida e gosta de saber o que esperar. Então, sempre aviso antes se vai ter alguma mudança na aula ou atividade diferente. Uso muito apoio visual com ela também: cartazes com passos da atividade, imagens coloridas... E dou opções pra ela escolher qual atividade quer fazer primeiro, isso parece dar mais segurança pra ela.
Claro que já fiz coisas que não funcionaram também. Tentei uma vez fazer uma dinâmica de grupo grande com todo mundo junto e tanto o Matheus quanto a Clara não conseguiram acompanhar bem. O Matheus ficou perdidinho no meio da confusão e a Clara se isolou num cantinho da sala porque ficou ansiosa demais. Então agora divido as turmas em grupos menores quando faço algo mais agitado.
No fim das contas, o importante é observar cada aluno como único e adaptar conforme as necessidades deles vão aparecendo. Nem sempre dá pra acertar de primeira, mas a gente vai ajustando o caminho.
Bom, gente, é isso aí! Espero ter ajudado um pouco com essas histórias e dicas da minha experiência aqui na escola pública em Goiânia. Se alguém tiver mais alguma ideia ou quiser compartilhar experiências parecidas, estou por aqui pra trocar figurinhas! Vamos seguindo juntos nessa jornada educativa! Abraço!