Olha, trabalhar a habilidade EF05LP20 é um trem que parece complicado quando a gente lê na BNCC, mas na prática a coisa flui. A ideia é fazer os meninos e meninas do 5º ano olharem pras coisas que eles já gostam, tipo filmes, desenhos animados e jogos, e começarem a perceber o que tá por trás daquilo tudo. Não é só assistir ou jogar e pronto. Eles precisam desenvolver um olhar crítico, pensar se aquilo que tão vendo faz sentido, se os argumentos são convincentes, se dá pra confiar no que tá sendo mostrado. É como se eles tivessem que ser detetives das histórias, sabe? Ver se o que tão dizendo ali realmente cola.
Eles vêm do 4º ano já com uma base legal de interpretar texto, mas aí no 5º ano a gente precisa elevar o nível. Tipo assim, antes eles olhavam só a história em si, agora eles têm que perceber se aquela história tá tentando vender alguma ideia ou produto pra eles. E isso é importante demais hoje em dia porque eles consomem muita mídia. Faz parte do nosso papel mostrar que nem tudo é o que parece e que eles têm que ter esse olhar mais esperto.
Uma atividade que eu gosto de fazer é análise de filme. Eu escolho um filme popular entre eles, tipo "Detona Ralph" ou "Frozen", algo que todo mundo já viu, ou quase todo mundo pelo menos. Aí a gente assiste algumas cenas juntas na sala de aula mesmo. Uso o projetor da escola, que é uma mão na roda. O tempo varia, mas geralmente uma aula de umas duas horas dá conta. Depois de assistir, eu peço pra turma se dividir em grupos pequenos, cada grupo fica responsável por analisar um personagem específico ou uma cena em particular.
Nessa última vez que fizemos isso com "Detona Ralph", o grupo do Lucas ficou responsável pela cena da corrida no jogo da Vanellope. Eles tinham que ver quem tava tentando convencer quem de quê, quais eram os argumentos dos personagens e se esses argumentos eram válidos ou não. O Lucas, sempre muito ligado, percebeu que a Vanellope usa da simpatia e do jeito dela meio trapaceiro pra ganhar apoio do Ralph. Ele até levantou uma questão interessante: "Será que essa amizade deles não tá sendo usada pra gente gostar mais do filme?". Os meninos começaram a ver que muita coisa nas cenas era proposital pra criar empatia ali.
Outra atividade legal é com HQs. Escolho uma história em quadrinhos que seja bem acessível, tipo da Turma da Mônica. A vantagem é que eles já estão familiarizados com os personagens e as situações. Dou as HQs impressas mesmo e deixo eles lerem em duplas ou trios por uns 30 minutos. Depois disso, a gente começa a discutir na sala como os personagens tentam convencer uns aos outros ao longo da história.
Na última vez que fizemos isso, foi engraçado ver como a Ana Clara ficou indignada com o Cebolinha sempre tentando passar a perna na Mônica com seus planos infalíveis. Ela falou: "Mas professor, sempre dá errado! Por que ele ainda tenta convencer o Cascão?". E aí entramos num papo sobre persistência e como às vezes as histórias usam desses argumentos repetidos pra criar humor ou expectativa no leitor.
Por fim, uma das atividades mais desafiadoras mas também mais recompensadoras é analisar comerciais de TV voltados pro público infantil. Trago alguns comerciais atuais e passados (uns mais antigos são bem divertidos) e passo na TV da sala. Geralmente reservo uma aula inteira só pra isso porque rende bastante discussão. Eles assistem e depois discutimos se comprariam aquele produto e por quê.
Teve um dia que passamos um comercial antigo de brinquedo e a Rebeca levantou o dedo empolgada: "Ô prof! Esse brinquedo aí parece ser massa porque mostra os meninos brincando felizes... mas será que ele faz tudo isso mesmo?". Ela pegou bem o espírito da coisa: de questionar se aquilo que é mostrado no comercial realmente entrega o que promete. A gente discutiu sobre promessas exageradas na publicidade e como isso ajuda a vender mais.
As reações dos alunos são sempre empolgantes nessas atividades porque eles gostam muito desse tipo de mídia e amam falar sobre o assunto. E eu percebo como eles crescem em entendimento crítico ao longo do ano. No começo alguns ficam meio perdidos, mas com o tempo vão pegando jeito e percebendo essas nuances nos argumentos das histórias. O importante é manter esse espaço aberto pra dúvida e discussão, onde todos podem colocar suas opiniões e aprender uns com os outros.
Então é isso aí galera, trabalhar essa habilidade é puxado mas vale muito a pena pelo crescimento dos meninos. Quem tiver mais ideias aí compartilha também!
Aí, voltando pra parte de como a gente percebe que o aluno aprendeu, sem aplicar uma prova formal. No dia a dia, isso acontece de várias formas. Quando eu fico circulando pela sala, dá pra sacar muita coisa. Eu gosto de prestar atenção nas conversas entre eles. Tem vezes que tô lá andando entre as carteiras e escuto alguém dizendo pro colega: "Ah, isso aqui tá igual aquele filme tal, que o personagem não falou a verdade e deu tudo errado depois." Aí eu penso: "Opa, esse já tá ligando os pontos!"
Um outro exemplo é quando um aluno ajuda o outro. Já me aconteceu de ver a Julia explicando pro Pedro sobre como num texto eles usam certas palavras pra te convencer de alguma coisa. Ela disse algo tipo: "Então, quando eles querem que você compre o produto, sempre falam que é o melhor e usam umas palavras bonitas." Nessa hora eu percebo que a Julia tá entendendo o jogo das palavras e é gratificante de ver.
Agora, os erros mais comuns... Tem vários, mas os principais são coisas como não perceber a diferença entre opinião e fato. A Luana uma vez tava lendo um anúncio e falou: "Mas se tá escrito no papel que é bom, é porque é verdade." Esse é um erro comum porque, na cabeça deles, se tá impresso ou dito por alguém "importante", tem que ser verdade. Quando escuto algo assim, eu paro tudo e converso com a turma. Pergunto se eles lembram de alguma vez que ouviram uma propaganda ou viram alguma coisa que parecia incrível e depois não era bem assim. A gente tenta trazer pra uma situação do dia a dia deles e aí fica mais fácil de entender.
Outro erro comum é não perceber as intenções por trás das mensagens. O João, por exemplo, leu um texto publicitário e disse: "Ah, eles tão só informando sobre o produto." E aí eu perguntei: "Mas será que é só isso mesmo? Não tão querendo te convencer a comprar?" Aí ele parou pra pensar. Isso acontece porque a galera dessa idade ainda tá aprendendo a ler nas entrelinhas. Eu costumo pegar exemplos simples da TV ou internet pra mostrar como às vezes as mensagens têm segundas intenções.
Sobre os alunos com necessidades específicas, tipo o Matheus com TDAH e a Clara com TEA, bom, o desafio é adaptar as atividades pra incluir todo mundo. Com o Matheus, por exemplo, eu mudo um pouco o tempo das atividades. Ele tem dificuldade de ficar concentrado muito tempo numa coisa só. Então eu faço atividades mais curtas ou divido em etapas menores. E quando ele termina cada etapa, ele já sente aquela sensação de "dever cumprido", sabe?
Com a Clara eu preciso ser mais visual nas explicações porque ela responde melhor a estímulos visuais do que às vezes só escutar eu falando ou só ler o texto. Então uso cartazes coloridos, desenhos e mapas mentais. Se estamos trabalhando com textos onde é importante identificar intenções ou sentimentos dos personagens, uso aquelas carinhas de emojis pra ela identificar se o personagem tá triste, feliz ou bravo.
Já usei uns aplicativos interativos no tablet e pro Matheus foi ótimo porque ele fica mais focado. Mas pra Clara não funcionou tão bem porque ela se perde nas animações e sons do app. Então com ela eu mantenho as coisas mais no papel mesmo.
E olha, não é fácil sempre acertar na primeira tentativa. Teve vez que pensei que ia ser legal fazer um grupo maior pra Clara achar interessante interagir com mais crianças, mas ela se sentiu perdida e preferiu voltar pro grupo menor. É questão de tentar e ver como cada um responde melhor.
Bom gente, acho que deu pra ter uma ideia de como é esse trabalho diário na sala e como aos poucos a gente vai percebendo o aprendizado dos meninos e meninas sem precisar daquela coisa formal da prova escrita. É isso aí por hoje. Qualquer dúvida ou ideia nova tô por aqui pro que precisarem! Abraço!