Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF15LP14 da BNCC, que é de construir o sentido em histórias em quadrinhos e tirinhas, a gente tá falando de ajudar os meninos a entenderem como o texto e as imagens funcionam juntos, né? Não é só ver os desenhos e ler o que tá escrito, mas perceber como uma coisa complementa a outra. Tipo assim, é ver que um balão de fala ondulado significa que o personagem tá pensando ou que uma letrinha zigue-zague quer dizer que tá tendo barulho forte, como um trovão. E isso não é só entender a palavra "trovão", mas sentir o barulho na cabeça, sabe? É se conectar mesmo com a história.
Os meninos do 1º ano já chegam com um pouco de noção disso aí. Na educação infantil, eles já tiveram contato com livros cheios de imagens e aquelas histórias bem ilustradas. Eles sabem que as imagens ajudam a contar a história. Mas agora é hora de ir além, de olhar esses detalhes gráficos que fazem diferença. É hora de mostrar que um balão pode ter vários formatos e isso muda como a gente entende quem tá falando e como tá falando.
A primeira atividade que eu gosto de fazer é bem básica, mas faz um efeito danado. Eu levo pra sala algumas tirinhas simples, tipo aquelas do Calvin e Haroldo ou da Turma da Mônica. A ideia nessa primeira atividade é só observar. Eu peço pra eles olharem bem nas tirinhas e depois a gente conversa sobre o que cada elemento significa. Uso só algumas em preto e branco mesmo, imprimo papel A4 pra cada menino ter um exemplar. A turma fica em duplas porque acho que discutir entre eles ajuda muito a raciocinar sobre essas coisas.
Aí eu pergunto: "O que vocês acham que esse balão tá querendo dizer?" E "Por que será que esse desenho tá desse jeito?" A aula dura uns 30 minutos e aí surgem conversas bem legais. Da última vez, o Joãozinho ficou todo empolgado explicando pra Maria o porquê do balão do Cebolinha estar todo tremido. Ele falou: "É porque ele tá com medo!" E acertou!
Outra atividade é a reprodução. Depois de entenderem como funciona, eu dou pra eles papéis em branco e lápis de cor pra criarem suas próprias tirinhas. Não precisa ser nada muito complexo, às vezes uma história simples de três quadros já tá ótimo. O importante aqui é eles tentarem usar os tipos de balões e onomatopeias que a gente conversou antes. Gosto de dar uns 40 minutos pra essa atividade porque exige mais deles.
Na última vez, a Ana fez uma tirinha sobre uma festa surpresa pro seu cachorro Pluto (ela ama cachorros!) e colocou um balão todo com linhas tremidas quando o Pluto latia alto ao ser surpreendido. A turma toda riu muito com isso e aí ela se sentiu toda importante por ter usado bem o recurso.
A terceira atividade é mais colaborativa. Faço um mural na sala com várias tirinhas desconexas trazidas por eles ou impressas por mim. A tarefa deles é reorganizar essas tirinhas numa história completa usando as imagens e textos já prontos. Aqui, a galera trabalha em grupos maiores, tipo quatro ou cinco alunos juntos, pra incentivar a discussão e o compartilhamento de ideias.
Essa leva cerca de uma hora porque precisa de mais tempo pra discussão e reorganização das ideias. Na última vez fez sucesso porque o Pedrinho encontrou um modo hilário de juntar o primeiro quadro da Mônica batendo no Cebolinha com um último quadro do Jotalhão todo atrapalhado caindo numa poça d’água – ele fez uma história nova completamente diferente do original!
Dessas atividades dá pra notar como os meninos vão pegando jeito na leitura dos elementos visuais e linguísticos juntos. Eles começam a entender que não é só sobre ler palavras ou ver imagens isoladas, mas perceber como tudo dialoga junto.
E assim vou levando as aulas. Eles vão se envolvendo mais nas histórias, começam a tentar interpretar melhor até mesmo quando assistem desenhos animados ou leem livrinhos em casa. É lindo ver essa evolução deles! Então é isso aí, pessoal. Espero que tenham curtido essas ideias e espero ouvir mais sugestões de vocês também! Até mais!
Então, gente, continuando nosso papo sobre a habilidade EF15LP14... Olha, eu percebo que os meninos tão pegando o jeito sem precisar de prova formal de várias maneiras. Tipo, quando eu tô circulando pela sala, vou ouvindo as conversas deles, né? E é ali que você vê a mágica acontecer. Por exemplo, outro dia vi a Maria explicando pro Joãozinho como ela entendeu uma tirinha. Ela falava assim: "João, ó, esse balão aqui tá tremido porque o personagem tá com medo". Aí, eu pensei: "Ahá, essa entendeu!"
E tem umas horas que você só sabe que eles sacaram pelo jeito que interagem com o material. Tipo quando eu leio uma tirinha em voz alta e eles começam a rir nos momentos certos ou alguém solta um "nossa, olha isso!" antes mesmo de eu perguntar alguma coisa. É sinal de que já tão entendendo o humor da situação ou a ironia da história.
Os erros mais comuns que os alunos cometem nesse conteúdo tão bem na cara. Às vezes eles se perdem nos detalhes das imagens e esquecem de ligar as falas ao contexto visual. Teve uma vez que o Pedro achou que um personagem tava cantando porque viu umas notas musicais em cima da cabeça dele. Mas na real, era só o rádio ligado no fundo da cena. Erro comum, faz parte do processo! Eu falo pra eles olharem de novo pras imagens e pensarem no que tá acontecendo ao redor.
Outra coisa é quando confundem estilos de balões. Tipo a Mariana que pensou que o balão zigue-zagueado era sempre de grito, mas eu mostrei pra ela que depende do contexto: às vezes pode ser só um barulho no fundo, tipo uma TV ligada. Quando pego um erro assim na hora, eu puxo a galera pra perto e a gente rabisca junto numa folha: desenho novos balões e eles inventam falas pra esses balões. Isso ajuda a fixar a ideia.
Agora, sobre o Matheus e a Clara... olha, cada um é um mundo, né? O Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de movimento enquanto aprende. Então eu crio atividades que envolvem mais do que só ficar sentado lendo. Uma coisa que funciona bem é dar pra ele uma tirinha impressa em pedaços e pedir pra ele montar na ordem certa numa cartolina grande. Ele levanta, vai de lá pra cá colando e isso ajuda muito a manter o foco.
Já com a Clara, que tem TEA, eu preciso ser mais claro nas instruções e usar rotinas bem definidas. Pra ela, atividades previsíveis funcionam melhor. Eu faço fichas com as tirinhas impressas e ela vai marcando com adesivos coloridos as partes que entendeu ou gostou mais. Também uso imagens sem texto pra ela criar diálogos próprios, o que incentiva tanto a criatividade quanto a compreensão do cenário.
O que não funcionou muito bem foi quando tentei uma atividade onde precisavam fazer uma dramatização da tirinha. O Matheus até curtiu no começo, mas depois se distraiu muito com os colegas e não conseguiu focar no texto em si. Já a Clara ficou desconfortável com a mudança repentina na rotina e não quis participar. Aí aprendi que atividades assim precisam ser introduzidas bem devagarzinho e com mais preparação prévia.
E por aí vai... é sempre um aprendizado ver como cada aluno absorve o conteúdo de formas tão diferentes e encontrar o jeito certo de ajudá-los. Espero que essas histórias também ajudem vocês aí nas suas salas de aula.
Vamos trocando essas figurinhas por aqui, é sempre bom aprender com as experiências dos colegas. Até mais!