Olha, essa habilidade EF67LP36 da BNCC, pra mim, é sobre ajudar os meninos a fazer seus textos ficarem mais claros e coerentes, sabe? Coesão referencial e sequencial é um jeito bonito de dizer que a gente precisa ensinar os alunos a conectar bem as ideias nos textos e a usar palavras certas pra não ficar tudo solto. É como se você estivesse contando uma história pra alguém e precisasse garantir que a pessoa tá entendendo tudo sem ficar perdida. Por exemplo, se eu começo a falar de um personagem, tipo o João, eu tenho que usar "ele" depois em vez de ficar repetindo "João" toda hora. E na sequência das ideias, é tipo você começar com "primeiro", passar pro "depois", e por aí vai, pra não virar bagunça.
A galera do 6º ano já chega com uma base disso do 5º ano, mas no começo eles ainda repetem muita palavra e às vezes o texto fica meio confuso. Então o desafio é afiar esse conhecimento. Sabe aquela história de ligar os pontos? É mais ou menos isso. Eles precisam pegar um texto e fazer ele fluir direito.
Uma das atividades que eu curto fazer é a "Reescrita Coesa". Eu levo textos curtos pras crianças, tipo fábulas ou pequenas crônicas. Aí a gente divide a turma em duplas ou trios, depende do dia e do número de alunos, e dou um texto cheio de repetições desnecessárias. Eles têm uns 20 minutos pra reescrever o texto deixando ele mais coeso. Eu imprimo esses textos bem simples mesmo, não precisa de muita coisa não. Teve uma vez que o Pedro e o Lucas pegaram um texto sobre uma tartaruga que repetia a palavra "tartaruga" toda hora. Eles riram muito porque no meio da reescrita começaram a chamar a tartaruga de "dona Tarta" e "ela", e o texto ficou super engraçado e coeso. No final, eles lêem pras outras duplas e discutimos as escolhas que fizeram.
Outra atividade é o "Mural das Conexões". Olha, essa dá trabalho mas vale a pena. Eu trago um grande papel pardo pra sala e colocamos no quadro. Cada aluno escreve uma frase ou ideia solta nesse papel, tipo assim: "O cachorro fugiu", "A vizinha trouxe bolo", coisas assim. Depois eles têm que se juntar em grupos de quatro e ligar essas ideias pra formar uma história coesa e fazer sentido. Eles têm uns 30 minutos pra organizar as ideias e depois um porta-voz do grupo apresenta pra turma toda. Uma vez, a Mariana quase chorou de rir quando viu que o grupo dela transformou o cachorro fugitivo num supercachorro que salvava bolos da vizinha voadora! As apresentações ficam bem engraçadas e ajudam eles a verem como ligações fazem toda diferença.
A última atividade que eu gosto de fazer é uma chamada "História em Cadeia". Funciona assim: cada aluno começa escrevendo duas ou três frases de uma história num papel, mas sem terminar o pensamento. Aí eles passam esse papel pro colega da frente que continua a história de onde parou. A ideia é que cada um use conectivos adequados pra dar sequência ao que veio antes. No final de umas três rodadas disso (uns 15 minutos), cada um lê o papel que ficou na sua mão. Na última vez que fizemos isso, a Ana tava com um papel onde o primeiro amigo tinha começado com “Era uma vez um cientista maluco” e terminou com “E assim o gato virou rei!”. A risada foi geral porque as transições eram muito boas! Eles adoram fazer isso porque é meio surpresa ver como as histórias terminam.
Essas atividades são super práticas, não exigem material complicado, só criatividade e disposição dos meninos. E olha, mesmo quando no começo parece confuso ou bagunçado, no final sempre sai coisa boa. O importante é eles verem como os textos ficam melhores quando as ideias são bem conectadas. Verem isso na prática torna tudo mais fácil do que só falar em teoria.
Bom, acho que é isso aí. Espero ter ajudado quem tá começando agora ou quem tá pensando em novas ideias pra trabalhar essa habilidade com os alunos! É sempre bom compartilhar experiências assim. Qualquer dica nova também tô aceitando! Abraço!
Bom, aí como é que eu percebo que os meninos aprenderam essa habilidade sem precisar aplicar uma prova formal? Olha, é mais no dia a dia mesmo, na sala de aula, quando tô circulando entre as mesas. Eu gosto de ouvir as conversas deles enquanto eles tão fazendo as atividades em grupo ou mesmo quando estão discutindo o que cada um fez individualmente. É impressionante como a gente pega muita coisa só de escutar.
Teve uma vez, por exemplo, que o Pedro e a Luana estavam discutindo um texto que escreveram juntos. Eles estavam tentando ver se fazia sentido do jeito que estava. Aí o Pedro virou e falou algo como: “Acho que aqui é melhor usar ‘ele’ em vez de repetir ‘o cachorro’ toda hora.” Na hora pensei: “Opa, o moleque tá pegando o jeito!” Ele entendeu que não precisa ficar repetindo palavras se já deu pra entender quem ou o que é. Isso é coesão, né?
Outra situação foi com a Mariana. Eu tava passando pelas mesas e vi ela ajudando a Ana com um texto de história. A Ana tava fazendo um resumo e aí a Mariana explicou: “Aqui você começou falando do começo da guerra e depois pulou pro fim, sem falar o meio, então o professor pode ficar confuso.” Aí é que eu vi que a Mariana tinha sacado a importância da sequência lógica nas ideias, a tal da coesão sequencial.
Agora, claro, os erros mais comuns também aparecem. Tem horas que os meninos se embolam todo pra fazer essa conexão das ideias. O João Guilherme, por exemplo, tem um problema de quando começa uma frase com um pronome indefinido, tipo “alguém” ou “algo”, e depois não explica do que tá falando. Aí fica todo mundo perdido sobre quem é ou o quê é esse “alguém”. E isso acontece porque os meninos estão pensando tão rápido que esquecem de levar o leitor junto na linha do raciocínio.
Quando eu pego esse tipo de erro na hora, eu sento do lado e brinco: “Tá, mas quem é esse alguém? É alguém famoso? Alguém que só você conhece?” E assim vou puxando até eles verem a necessidade de explicar melhor. Repetições demais também são um problema clássico, tipo quando escrevem: “A menina foi na escola. A menina estudou muito. A menina voltou pra casa.” Bom, aí eu falo algo como: “Vamos variar aqui? Quem sabe ela vira ‘ela’ na segunda frase?” Isso ajuda eles a verem outros jeitos de dizer a mesma coisa sem cansar quem tá lendo.
Aí quando falamos do Matheus, que tem TDAH, a coisa muda um pouco. Com ele, meu foco é tornar as atividades mais dinâmicas e cheias de movimento. Por exemplo, em vez de ficar sentado escrevendo por muito tempo – o que pra ele parece uma eternidade – dou tarefas em etapas curtas. Ele escreve um parágrafo, aí vem me mostrar e depois volta pra mesa pra continuar. Isso mantém ele engajado e facilita ele manter o foco.
Com a Clara, que tem TEA, as coisas precisam ser mais visuais e estruturadas. Ela se dá bem com mapas mentais e organizadores gráficos. Dou pra ela uns cartões com palavras-chave e imagens pra ajudar a conectar as ideias no texto dela. E sempre deixo claro o passo a passo do que vamos fazer no dia: primeiro ler, depois discutir em dupla e por último escrever.
Por outro lado, já tentei usar jogos de tabuleiro educativos com os dois e não deu certo. O Matheus ficava muito agitado com as regras e perdia o interesse rápido; já a Clara ficava sobrecarregada com tantos estímulos visuais ao mesmo tempo.
Enfim, ensinar essa habilidade EF67LP36 é como conduzir uma dança onde cada aluno tem seu ritmo e jeito de aprender. O importante é observar cada um e adaptar os passos conforme necessário. A sala de aula é um ambiente tão rico quando a gente se permite ver além das palavras escritas nos cadernos.
É isso aí, pessoal! Espero que as histórias tenham ajudado vocês a pensar em novas maneiras de trabalhar essa habilidade com os alunos. Me contem como vocês têm feito por aí também! Grande abraço!