Olha, pessoal, trabalhar a habilidade EF09LP07 com o pessoal do 9º ano é mais interessante do que parece à primeira vista. Quando a BNCC fala de comparar a regência verbal e nominal na norma-padrão com o uso no português brasileiro coloquial, na prática, é mostrar pra galera que tem diferença entre o que eles falam em casa, na rua, e o que vai aparecer numa redação ou num texto formal. E não é pra tirar a graça do jeito de falar deles não, viu? É mais pra eles sacarem que existem contextos diferentes e que cada um pede uma forma de comunicação. Então, quando a gente fala de regência, estamos falando dessas palavrinhas que acompanham os verbos e os substantivos, tipo "gostar de", "assistir a", "amor a". Na fala do dia a dia, os meninos às vezes engolem essas preposições ou usam de outro jeito. E tá tudo certo! Mas entender isso ajuda muito na hora de escrever bem.
No 8º ano, a turma já tinha ideia de como funciona isso nas frases simples, então no 9º ano a gente aprofunda, mostrando as diferenças entre o padrão e o coloquial. E é um barato ver quando eles percebem essas nuances e começam a brincar com isso. Dá até um brilho diferente nos olhos.
Bom, pra dar conta disso tudo, eu uso umas atividades que eles curtem bastante. A primeira delas é uma análise de música. A gente pega letras de músicas populares que eles gostam, dessas que tocam nas playlists deles mesmo. Eu imprimo as letras e a gente analisa em grupo. Divido a turma em pequenos grupos de quatro ou cinco alunos e dou uns 20 minutinhos pra eles identificarem onde a regência padrão não tá rolando. Eles discutem entre si e depois apresentam pro resto da turma as "descobertas". Na última vez fizemos isso com uma música do Jorge & Mateus e o Rafael soltou "Olha aqui, professor! Ele fala 'você vai me amar sem medo', mas não põe 'de', que seria o certo". A galera morre de rir quando acha esses "erros" nas músicas que gostam.
Outra atividade é um joguinho de correção. Faço duplas ou trios, depende do tamanho da turma no dia (às vezes falta gente). Eu distribuo cartões com frases escritas de duas maneiras: uma no padrão coloquial e outra na norma-padrão. Eles têm que emparelhar as frases corretas com as erradas. Tipo assim: "Eu vou assistir o filme" versus "Eu vou assistir ao filme". O legal é que isso leva uns 15 minutos só e dá pra fazer como aquecimento no início da aula. A última vez que fiz, o Pedro mandou bem rápido e ainda ajudou a Luana, que tava meio confusa com umas frases mais complicadas. É uma atividade rápida e dá tempo deles tirarem dúvidas depois.
Por fim, tenho uma atividade um pouco mais elaborada: um debate sobre um tema polêmico onde eles têm que usar as duas formas de regência dependendo do público-alvo. Isso leva mais tempo. Geralmente faço em duas aulas seguidas, porque primeiro a gente tem que escolher o tema e fazer uns estudos preliminares. Na última vez falamos sobre os impactos do uso excessivo do celular na vida dos adolescentes (tema quente, né?). A ideia é que eles argumentem usando o português coloquial em algumas partes e depois façam uma espécie de “tradução” pro padrão culto, como se fossem apresentar pra um público mais formal.
No dia do debate foi muito engraçado porque a Sofia começou falando bem descontraída, cheia dos "tipo assim", "mano", mas aí quando viu que tinha que passar pro modo formal, deu um reset total na cabeça dela! Mas foi bacana ver ela tentando ajustar o discurso ao contexto formal durante a fala dela. Ela até comentou depois: "Nossa, profe! Parece fácil quando você explica mas na hora o bicho pega!". Aí eu vi que ela entendeu direitinho onde tava pisando.
Enfim, trabalhar essa habilidade é mais sobre criar um ambiente onde os alunos se sintam confortáveis em explorar esses usos da língua sem medo de errar. Mostrar pra eles onde tá a diferença entre o jeito descontraído do dia a dia e aquele português arrumadinho dos textos formais faz diferença lá na frente, principalmente em provas e apresentações formais. E é muito legal ver como eles vão se apropriando disso aos pouquinhos. No final das contas, acredito que essa habilidade abre portas pra eles se expressarem melhor em qualquer situação da vida.
Por hoje é isso aí pessoal! Se tiverem outras ideias ou sugestões tô aqui pra trocar figurinhas! Abraço!
Então, quando a gente fala de regência, estamos focando nessa diferença entre o que é mais formal e o que é mais do dia a dia. É um desafio, mas tem seus momentos recompensadores. Aí, como é que eu sei que os meninos realmente entenderam isso, sem ter que apelar pra prova escrita?
Bom, é na prática mesmo. Eu gosto muito de circular pela sala enquanto eles estão fazendo aqueles exercícios de comparação entre frases, sabe? Tipo, "O pessoal espera o ônibus" versus "O pessoal aguarda pelo ônibus". Quando eu passo entre as mesas e escuto as conversas, dá pra perceber quem tá pescando a ideia. Outro dia, ouvi a Mariana explicando pro Lucas que "esperar" pode ser mais direto, enquanto "aguardar por" tem aquela pegada mais formal. Aí pensei: "Ó, essa aí tá ligada no que a gente tá fazendo."
E tem muito isso deles trocarem ideia entre eles. Quando um aluno consegue explicar pro outro um conceito desses, sem enrolar, aí já sei que entendeu mesmo. Tipo o João, que falou pro Gabriel: "Cara, não é que tá errado falar ‘assistir o filme’, mas na redação é melhor ‘assistir ao filme’ se tu quer ganhar uns pontos." Nessas horas, eu só dou um sorrisinho e sigo em frente. Você vê que eles estão começando a fazer essas escolhas sozinhos.
Agora, claro, erros também aparecem. E é comum mesmo. A Julia sempre tropeça no uso do verbo "preferir". Ela diz: "Eu prefiro mais praia do que campo." Daí eu dou aquele toque: "Olha, Júlia, prefiro praia ao campo". E já emendo com uma brincadeira pra ela não ficar chateada. Esses erros acontecem porque eles estão acostumados a ouvir e falar de um jeito mais solto em casa e com os amigos. O jeito é ir corrigindo aos poucos sem podar o jeito natural deles falarem.
Quando percebo esses deslizes durante as atividades ou nas conversas paralelas – e isso acontece bastante –, eu costumo puxar uma discussão rapidinha ali na hora mesmo. Assim fica mais dinâmico, e eles percebem o erro sem pressão. O importante é não deixar pra depois ou fazer eles se sentirem mal por errar.
Agora sobre o Matheus e Clara... olha, cada um tem seu jeitão de aprender e a gente precisa se adaptar pra que eles fiquem confortáveis na sala. O Matheus tem TDAH e ele precisa de atividades bem mais dinâmicas e rápidas. Às vezes, misturo jogos com conteúdo de regência ou faço ele trabalhar com colegas que também são bem ativos pra manter ele focado. Quando usamos jogos tipo quiz ou desafios rápidos, ele engaja bem melhor.
Já a Clara, que tem TEA, precisa de uma rotina mais previsível e orientações bem claras. Eu sempre deixo as instruções das atividades por escrito e às vezes dou uma folha a mais com exemplos pra ela. Isso ajuda bastante porque ela pode ir no próprio ritmo e consultar sempre que precisar. Também evito sobrecarregar ela com mudanças repentinas nas tarefas ou no jeito da aula.
Uma coisa que não funcionou muito foi tentar fazer atividades em grupos grandes com o Matheus; ele se distrai demais com tanta gente falando ao mesmo tempo. Já com a Clara, tentar abordar um assunto novo sem explicar passo a passo antes foi complicado; ela ficou ansiosa e teve dificuldade em acompanhar.
Enfim, pessoal, cada aluno é diferente e a gente vai ajustando nosso jeito de ensinar conforme o tempo vai passando e com base nas necessidades deles. O legal é ver aquele brilho nos olhos quando percebem que estão entendendo algo novo ou quando conseguem explicar pra alguém o que aprenderam.
É isso aí! Espero ter ajudado alguém por aqui com essas histórias da sala de aula. Se tiverem outras experiências ou dicas pra compartilhar também, tô sempre curioso pra saber como vocês lidam com essas situações! Até a próxima!