Olha, essa habilidade EF02MA21 da BNCC é muito legal de trabalhar com os meninos do 2º Ano. No dia a dia, eles vão se deparar com situações onde precisam entender e classificar a probabilidade dos acontecimentos, mesmo sem perceber. A ideia aqui é ajudar eles a reconhecerem se algo que acontece ao redor deles é “pouco provável”, “muito provável”, “improvável” ou “impossível”. É uma forma de levar a matemática pra vida real deles, sabe? Por exemplo, se eu perguntar para a turma: "Será que vai chover geladeira hoje?" Eles vão dar risada e responder que é impossível. Agora, se eu falar: "Será que vai chover hoje à tarde?" Aí a conversa muda, e eles começam a pensar em sinais, como o tempo nublado, e isso já pode ser considerado "muito provável".
No 1º Ano, os meninos já começam a ter contato com a noção de possível e impossível, mas de uma forma bem mais básica. É tipo quando falamos sobre um animal que não existe e eles já sabem que não dá pra ver um por aí. Então, no 2º Ano, amplificamos isso para situações mais cotidianas e reais.
Uma atividade que eu gosto muito de fazer é o jogo da previsão do tempo. Eu pego imagens de revistas velhas ou imprimo algumas da internet com diferentes tipos de tempo: solzão, nublado, chuva fina, tempestade. Aí divido a turma em pequenos grupos de 4 ou 5 alunos e entrego para cada grupo um conjunto dessas imagens. Os grupos têm que discutir entre si e decidir qual tipo de tempo é mais provável pro dia seguinte, com base no que viram no céu durante aquele dia. Eles adoram essa atividade porque se sentem pequenos meteorologistas. Normalmente leva uns 30 minutos essa parte de discussão. Na última vez que fizemos isso, o Lucas ficou obstinado em convencer o grupo dele de que ia ter uma tempestade porque "o vento tava uivando", segundo ele. A discussão entre eles foi super rica.
Outra coisa que faço é o jogo das bolinhas coloridas numa sacola. Pego uma sacola opaca e coloco dentro bolinhas de cores diferentes: algumas cores têm mais bolinhas do que outras. Aí chamo os alunos para tirar uma bolinha sem olhar e cada um tem que falar qual cor acha que vai sair antes de pegar. Eles adoram essa expectativa! Depois discutimos juntos qual cor tinha mais chance de sair e por quê. Às vezes levo meia hora só nessa brincadeira porque eles ficam querendo várias rodadas pra ver se a previsão deles melhora conforme vão pegando as bolinhas. Uma vez, a Ana Clara tirou quatro bolinhas vermelhas seguidas e ficou toda orgulhosa dizendo que "tava com sorte". Foi uma risada só!
A terceira atividade que sempre rende bons momentos é o jogo das cartas dos eventos esquisitos. Funciona assim: eu preparo cartas com eventos estranhos ou engraçados escritos nelas, tipo "Um cavalo vai entrar na sala" ou "A professora vai virar um robô" e também coisas mais normais como "O lanche vai ter pão com queijo". Aí cada aluno puxa uma carta do baralho e precisa classificar o evento em uma das categorias: pouco provável, muito provável, improvável ou impossível. Depois pede pra compartilhar com a turma e explica por que escolheu aquela classificação. Normalmente leva uns 20 minutos porque todo mundo quer contar alguma coisa. Na última vez que fizemos isso, o João Pedro puxou a carta dizendo "A gente vai ter aula na lua" e ele deu um show explicando por que achava improvável mas não impossível — fiquei impressionado com a criatividade!
O legal dessas atividades é que elas são simples de preparar e não exigem materiais sofisticados; é só usar coisas do cotidiano mesmo. E mais importante ainda, elas trazem um aprendizado super significativo pro dia a dia dos meninos. Eles passam a prestar mais atenção nos detalhes ao redor deles e começam a entender melhor como funciona esse lance da probabilidade, mesmo nas pequenas coisas.
E assim vamos indo, um dia de cada vez, sempre aprendendo junto com a galera. É bom demais ver como eles absorvem as coisas e transformam em conhecimento prático pra vida. Até mais pessoal!
vai chover hoje?\" Aí a conversa já muda de figura, porque eles começam a pensar sobre o céu, se tá nublado, se ouviram o clima na TV e tal. E é aí que começa a mágica da aprendizagem, quando eles conseguem pegar o que falamos e trazer pro mundinho deles.
Agora, perceber que eles realmente entenderam essa habilidade sem aplicar uma prova formal, é mais sobre ficar ligado nas pequenas coisas que acontecem durante a aula. Tipo, enquanto ando pela sala, dou uma espiada no que estão escrevendo nos caderninhos ou se estão desenhando alguma coisa que faz sentido com o que conversamos. Às vezes, só de ouvir as conversas entre eles já dá pra sacar. Teve um dia que o João tava explicando pro Pedro que era "improvável" ganhar na loteria porque ele ouviu isso do pai e lembrou da aula. Na hora pensei: "Ah, moleque, você entendeu!"
Outra vez, quando estávamos fazendo um jogo de cartas onde eles tinham que decidir se era mais provável ou menos provável de tirar uma carta vermelha ou preta, ouvi a Isabela falar com a Ana: "É mais fácil tirar uma carta vermelha porque tem mais delas no baralho", mesmo sem eu ter dado dica nenhuma. Ali eu vi que ela tava ligando os pontos e entendendo na prática.
Mas nem tudo são flores e tem uns errinhos comuns que os meninos cometem. O Lucas tem uma mania de achar que tudo é possível porque na cabecinha dele tudo pode acontecer se ele imaginar, sabe? Aí preciso trazer ele de volta pra realidade e mostrar por A + B por que algumas coisas simplesmente não rolam. Outro erro comum é confundir pouco provável com impossível. Tive a Maria que achava que ver um elefante voando era pouco provável, quando na verdade é impossível. Então aí o jeito é conversar mais, mostrar exemplos visuais – às vezes um vídeo ou uma imagem ajuda – e fazer eles pensarem em outras situações parecidas.
Agora, falando do Matheus e da Clara, cada um tem seu jeito especial de aprender e interagir com os conteúdos. O Matheus, com TDAH, precisa de atividades mais dinâmicas e curtas pra manter ele focado. Então eu divido as tarefas em etapas menores e faço pausas pra não cansar ele demais. Uso materiais mais visuais e práticos, como jogos de tabuleiro ou cartas coloridas pra ele manipular. O lance é deixar ele bem ativo durante a aula.
Com a Clara, que tem TEA, procuro criar um ambiente bem previsível e tranquilo. Atividades com menos estímulos visuais e auditivos ajudam pra ela não se sentir sobrecarregada. Gosto de usar fichas ilustradas com passos claros do que fazer e dou um tempo maior pra ela concluir as atividades sem pressa. Às vezes sento do lado dela e faço junto pra ela sentir segurança – isso funcionou bem melhor do que quando só explicava verbalmente.
Claro que nem sempre dá certo todas as estratégias de primeira. Já tentei usar uns aplicativos no tablet esperando que o Matheus se interessasse mais, mas ele acabou se distraindo fácil com outras coisas no aparelho. E com a Clara, já percebi que muita informação de uma vez só acaba atrapalhando mais do que ajudando.
Mas a coisa mais importante é estar sempre disposto a adaptar o que não funciona e celebrar as pequenas conquistas diárias deles. No fim das contas, cada dia é um aprendizado diferente pra mim também como professor.
E é isso aí, pessoal! Espero ter ajudado vocês com essas experiências e quem tiver dicas também manda aí! Até a próxima!