Olha, quando a gente fala de EF02MA23 na prática, estamos falando de ajudar os meninos a aprenderem a fazer pesquisa e a organizar as informações que eles coletam. Não é só uma questão de saber contar ou fazer contas, tem mais a ver com entender o que fazer com os dados que a gente tem em mãos. Tipo assim, eles têm que conseguir escolher algumas características ou categorias pra observar e depois organizar tudo isso em tabelas ou gráficos que fazem sentido.
Imagina a situação: os meninos têm 30 bolinhas de gude, e eles precisam decidir se vão contar quantas são azuis, quantas são vermelhas e quantas são verdes. Daí eles organizam essas informações em tabelas, e transformam isso em gráficos. É importante porque ajuda eles a perceberem padrões e tendências, entenderem como as coisas se relacionam. Na série anterior, os alunos já começam a aprender a contar e comparar quantidades, então agora é como se estivessem dando um passo adiante, vendo como essas quantidades podem ser classificadas e representadas de formas diferentes.
Pra trabalhar essa habilidade na minha turma do 2º Ano, eu costumo fazer algumas atividades bem práticas. Vou contar três delas aqui.
Primeira coisa que eu faço é uma atividade chamada "Pesquisa da Fruta Favorita". É bem simples. Eu levo pra sala uns cartazes coloridos e entrego canetinhas pras crianças. Aí a gente conversa sobre quais frutas eles mais gostam e escolhemos três pra trabalhar: banana, maçã e laranja, por exemplo. Cada aluno faz sua escolha individualmente e marca no cartaz correspondente. Depois disso tudo organizado, eu peço pra eles contarem quantas marcas cada fruta recebeu. A aula dura uns 40 minutos, e os meninos adoram porque envolve desenho e interatividade. Da última vez, o Joãozinho quis votar várias vezes na banana porque ele ama banana, aí tive que explicar que cada um só pode votar uma vez! Foi engraçado e ele entendeu o conceito de votação única.
Outra atividade que faço é a "Pesquisa dos Animais". Eu levo porquinhos de brinquedo, vacas e cavalinhos. Separados em grupos pequenos, eles brincam um pouco com esses animais pra descontrair. Depois de uns 10 minutos de brincadeira livre, peço pra cada grupo escolher três características dos animais que querem observar. Pode ser cor, tamanho ou tipo de animal. Com isso escolhido, eles contam quantos de cada característica têm no grupo deles. Eles fazem uma lista com os resultados e depois montamos um gráfico simples na lousa com as informações de todos os grupos juntos. Essa parte leva cerca de 50 minutos no total. Geralmente a turma toda fica bem animada nessa atividade. A última vez teve um grupo liderado pela Mariana que escolheu contar orelhas! Eles ficaram surpresos quando perceberam que alguns animais tinham orelhas diferentes dos outros.
Por último tem uma atividade que chamo de "Nosso Minizoológico". Essa é mais trabalhosa mas super recompensadora. A turma tem que pesquisar sobre três animais diferentes – algo tipo gato, cachorro e peixe – usando livrinhos ou folhetos que eu consigo com bibliotecas ou ONGs locais. Cada aluno escolhe um animal e coleta dados sobre ele: onde vive, o que come, como é sua aparência. Depois disso tudo coletado, a gente faz grupos pra organizar essas informações em tabelas grandes que ficam expostas na sala por umas semanas. Dá um trabalhinho maior porque leva umas duas aulas de 50 minutos cada, mas eles amam ver seus trabalhos pendurados na parede da sala! Da última vez, o Pedro tava todo orgulhoso porque descobriu que os peixes podem ter tantas cores diferentes quanto os carros do pai dele!
Essas atividades ajudam muito os alunos a desenvolverem essa habilidade porque são práticas e visuais. E olha só: os meninos não só aprendem matemática como também se familiarizam com o conceito de pesquisa desde cedo! Aí quando eles tiverem mais velhos vai ser mais natural lidar com dados e informações de forma crítica.
Bom, é isso! Trabalho essas atividades sempre pensando em conectar com o dia-a-dia deles pra fazer sentido mesmo fora da sala de aula. Se vocês tiverem outras ideias ou sugestões também, compartilhem aí! Adoro trocar figurinhas sobre essas experiências! Até mais!
Aí, continuando aqui, acho que um dos jeitos mais legais de perceber que a molecada tá entendendo o conteúdo é quando você tá ali circulando pela sala e vê a troca entre eles. Tipo, quando eu passo pelas mesas e ouço um aluno explicando pro outro como fazer uma tabela, já me dá aquele alívio de saber que eles tão pegando a ideia.
Teve um dia que tava rolando uma atividade com frutas. Cada um tinha que anotar quantas maçãs, quantas bananas e quantas laranjas a gente tinha num cesto. Tava ali circulando e passei perto do Pedrinho que tava explicando pra Sofia: “Olha, primeiro você conta as maçãs, anota aqui, depois as bananas nesse lado da tabela.” Aí pensei: “Poxa, ele entendeu direitinho como organizar as informações.” É nessas horas que a gente vê a mágica acontecendo.
Outra coisa é quando eles começam a fazer perguntas mais elaboradas, tipo: “E se alguém trouxer mais laranjas na semana que vem? Aí vai mudar tudo na tabela?” Eles começam a fazer essa conexão entre o mundo real e o que tão aprendendo. É show de bola!
Agora, claro que tem os erros também, né. Aliás, é errando que se aprende e com os pequenos não é diferente. Um erro comum é na hora de categorizar as coisas. Tipo o Dudu, ele teve dificuldade em entender que ele precisava contar só as bolinhas de gude vermelhas primeiro e depois as azuis. Ele ia misturando tudo e anotava tudo junto. Aí eu chego do lado dele e falo: “Vamos resetar essa contagem aqui, Dudu? Vamos começar pelas vermelhas dessa vez?” E ele já vai entendendo onde tá o deslize.
E tem também a Marcela que às vezes se embanana na hora de passar os dados da contagem pra tabela. Ela conta direitinho, mas quando vai anotar esquece de uma coluna ou coloca tudo na mesma linha. Aí eu mostro pra ela como se fosse brincadeira: “Vamos imaginar que cada linha é uma casinha diferente pros números morarem.” E aos poucos ela vai pegando.
Sobre o Matheus, que tem TDAH, olha, o segredo é quebrar as tarefas em pedacinhos menores. Ele se perde fácil se tem muita coisa de uma vez só. Então, ao invés de pedir pra ele contar todas as bolinhas de uma vez, eu peço pra ele começar por uma cor só e depois voltamos pro restante. E faço umas pausas pra ele dar umas esticadas nas pernas porque estar sentado por muito tempo não rola pra ele. Já usei também cartões coloridos como guia pra ele seguir na contagem e isso ajudou bastante.
A Clara, que tem TEA, é mais visual nas atividades. Então eu sempre uso imagens grandes com ela. Quando estamos fazendo atividades de contagem de frutas, por exemplo, levo imagens das frutas em tamanho bem visível e deixo ela trabalhar com essas figuras. Eu também dou um tempo extra pra ela terminar as atividades dela porque ela precisa de mais tempo pra processar as informações.
O desafio é encontrar o equilíbrio certo entre dar suporte e deixar eles se virarem um pouco porque é importante eles sentirem que conseguem avançar sozinhos também.
Bom, acho que é isso! A gente vai aprendendo todo dia com esses meninos e meninas. Cada um com seu jeitinho especial faz o ambiente da sala de aula ficar mais rico e cheio de vida.
Se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar experiências parecidas com essas questões aí da EF02MA23 ou mesmo sobre trabalhar com a diversidade em sala de aula, tô aqui pra trocar ideia! Abraço!