Olha, trabalhar a habilidade EF06MA04 da BNCC com os meninos do 6º ano é um desafio, mas também é muito legal ver como eles vão se engajando ao longo das atividades. Pra quem não tá muito por dentro, essa habilidade pede que a gente ensine os alunos a criar algoritmos em linguagem natural e depois representar isso num fluxograma. No caso aqui, a ideia é usar isso pra resolver um problema simples, tipo descobrir se um número é par. O legal é que essa habilidade não é só sobre matemática, mas também envolve um pouco de lógica e até programação.
Comecei explicando pros meninos o que é um algoritmo, mas na base do dia a dia. Falei que é como seguir uma receita de bolo, onde você tem que fazer tudo na ordem certa pra dar certo. Eles riram, claro, quando eu falei em bolo, mas aí perguntaram mais sobre como isso funciona em matemática. Então eu disse que a gente ia usar esses passos pra saber se um número é par ou não. Peguei um número qualquer ali no quadro, o 8 por exemplo, e fui mostrando como você verifica se ele é par dividindo por 2 e vendo se sobra resto zero.
A primeira atividade foi bem prática. Eu levei umas cartolinas e pedi pra eles trabalharem em duplas. Entreguei uma folha com alguns números de exemplo e expliquei: "vocês vão escrever os passos que precisam seguir pra saber se esses números são pares". Dei uns 40 minutos pra essa parte. A galera ficou bem animada, especialmente a Júlia e o Pedro, que adoram qualquer coisa que envolva desafio. Eles logo começaram a discutir entre si sobre qual o melhor jeito de ordenar os passos. Teve dupla que demorou um pouco mais pra pegar o jeito, tipo o Lucas e o Vinícius que estavam meio perdidos no começo. Dei uma ajuda aqui e ali, e no final todo mundo conseguiu montar seu algoritmozinho.
Na segunda atividade, partimos pra transformar aqueles passos em algo visual: o fluxograma. Usei papel pardo pregado na parede e pedi pra cada grupo desenhar o seu fluxograma usando canetas coloridas. O tempo tava um pouco mais apertado porque tinha só uns 30 minutos, mas eles mandaram bem. Expliquei como cada forma no fluxograma tem uma função: retângulo é ação, losango é decisão, e por aí vai. A Ana ficou super empolgada com essa parte porque ela ama desenhar e caprichou nas setinhas ligando as formas. Já o Marco tava mais preocupado se as decisões estavam corretas do que com o desenho em si.
Na última atividade resolvemos fazer uma troca entre os grupos: cada dupla ia testar o fluxograma de outro grupo pra ver se ele funcionava direitinho. Dei uns 20 minutos pra isso e depois mais uns 10 pra fazerem ajustes se fosse necessário. Foi engraçado ver a reação deles quando perceberam que às vezes falta só um detalhe pra coisa toda dar certo ou errado. O Rafael e a Mariana acharam um erro no fluxograma da Carla e do João e ficaram super orgulhosos disso. Era algo pequeno numa decisão ali no meio do caminho e foi uma boa oportunidade pra gente revisar juntos como corrigir.
No fim das contas, acho que a habilidade EF06MA04 foi super bem trabalhada porque os alunos realmente tiveram que quebrar a cabeça pra entender o processo de construção de algoritmos e representação em fluxogramas. Eles conseguiram entender que não é só matemática pura; tem toda uma lógica envolvida e um jeito de pensar passo a passo. Além disso, essas atividades deram uma boa sacudida na aula tradicional, trazendo algo mais dinâmico e interativo.
Foi bacana ver como alguns alunos que geralmente ficam mais quietos nas aulas tradicionais acabaram se destacando aqui porque têm facilidade em entender esse tipo de lógica processual. E sem contar que eles saíram da aula já pensando em outros tipos de problemas simples que poderiam resolver com fluxogramas.
É isso aí pessoal! Espero que esse relato tenha ajudado vocês a pensar em formas de trabalhar essa habilidade também! Até a próxima!
Uma forma que eu percebo que os alunos estão realmente entendendo essa parada de algoritmo e fluxograma é no momento em que eles começam a explicar o processo pros colegas. Aí você vê que não é mais só aquela repetição do que foi dito, mas sim uma compreensão genuína. É tipo quando a Beatriz chega pro João e explica como montar um sanduíche como um algoritmo. Primeiro coloca o pão, depois o presunto, o queijo e finaliza com a outra fatia de pão. E quando ela consegue fazer isso sem se embolar nas etapas é um sinal de que ela captou a ideia.
Sem falar que nas atividades diárias, quando eles começam a fazer conexões entre diferentes problemas e aplicam o mesmo raciocínio lógico, é uma baita demonstração de entendimento. Esses dias o Pedro tava tentando resolver um problema de matemática que não tinha nada a ver com algoritmo, mas ele começou a separar em passos e desenhar como fluxograma. Fiquei orgulhoso demais de ver isso acontecendo.
Olha, erro comum que vejo muito é a galera se perder na sequência das etapas. Isso acontece direto! Tipo assim, ao invés de seguir a ordem certinha, eles acabam pulando etapas ou então repetindo alguma. O Lucas, por exemplo, às vezes monta fluxograma que volta pro início sem ter uma condição clara pra isso, então acabo pegando no pé dele pra prestar atenção nesses detalhes. Já a Sofia sempre esquece de colocar uma condição clara num problema simples, tipo “se está chovendo, pega o guarda-chuva”. Coisas simples que fazem toda a diferença.
Agora, em relação ao Matheus, que tem TDAH, o desafio é manter a atenção dele durante as explicações. O segredo é quebrar as instruções em partes menores e ir chamando ele pra participar aos poucos. E também faço uso de materiais visuais bem coloridos e chamativos pra atrair a atenção dele. A gente tenta também incorporar dinâmicas mais práticas e movimentadas, do tipo montando fluxogramas grandes no chão da sala com fita adesiva. Isso ajuda ele a se concentrar melhor porque envolve mais do que apenas ficar sentado e escrevendo.
Já com a Clara, que é autista, o lance é um pouco diferente. Ela se dá bem com estruturas bem definidas e previsíveis. Então eu sempre tento criar um ambiente de aprendizado onde ela sabe exatamente o que esperar em cada etapa da atividade. Pra ajudar ela, costumo usar exemplos bem concretos do dia a dia dela na hora de criar algoritmos. Se ela está familiarizada com a rotina de alimentar os gatos em casa, por exemplo, transformamos isso em algoritmo e fluxograma: “pegar ração”, “colocar no pote”, “chamar os gatos”. Tudo visualmente organizado para ela seguir com mais facilidade.
Por fim, é sempre bom dar espaço para ela expressar suas dúvidas ou até mesmo demonstrar seus fluxogramas do jeito dela. Assim como fizemos esses dias na apresentação da Clara sobre como ela desenhou um fluxograma sobre como faz para desenhar seus personagens preferidos.
No fim das contas, perceber que os meninos estão aprendendo vai além das provas tradicionais. É no dia a dia da sala que você vê aqueles pequenos brilhos nos olhos deles quando uma ideia faz sentido ou quando eles ajudam uns aos outros a entenderem melhor. São essas conquistas diárias que fazem tudo valer a pena. Até mais!