Parecer descritivo na educação especial e inclusiva

Guia de escrita + 5 modelos prontos para adaptar

EP
Equipe Pedagógica Profez
Atualizado em julho de 2026Usado por 12.000+ professores

Na educação inclusiva, o parecer descreve a pessoa, não o diagnóstico: quais barreiras o estudante encontra, quais apoios funcionam e que avanços aconteceram — insumo direto para o plano educacional individualizado (PEI).

Como escrever esse parecer (antes de copiar qualquer modelo)

Olha, minha gente, escrever um parecer descritivo no contexto da educação especial e inclusiva é uma grande responsabilidade. Esse documento fala pra família, pra próxima professora, pros registros da criança. Mais do que isso, ele é um guia importante pro desenvolvimento dela. Agora, vamos lembrar: o parecer não é diagnóstico, viu? Não é pra justificar tudo com a condição da criança nem prever o que ela pode ou não pode fazer no futuro. Já devolvi muitos pareceres pra reescrever porque estavam cheios de julgamentos e usavam o diagnóstico como uma explicação mágica pra tudo. Precisamos ser cuidadosas e respeitosas.

Na hora de escrever, você vai precisar de material concreto. Então, ao longo do período, observe e registre. Veja como a criança interage com os colegas numa brincadeira, como reage a uma proposta de pintura ou construção, quais apoios ela aceita de bom grado e quais não fazem tanto sentido pra ela. Lembro de uma situação em que uma criança com TEA se conectava melhor durante atividades musicais. Sempre que havia música envolvida, essa criança demonstrava mais interesse e interação. Anote esses detalhes! São essas cenas concretas que vão fazer seu parecer ser útil de verdade.

Agora vamos falar dos erros mais comuns que vejo por aí. Tem muita gente que ainda escreve frases vazias como “Joãozinho tem dificuldades em acompanhar a turma”. Isso não diz nada! Melhor seria: “Joãozinho demonstra interesse quando usamos materiais visuais no aprendizado. Ele participa mais ativamente e interage com os colegas nesses momentos.” Outra coisa é o julgamento disfarçado de descrição, como “Mariazinha é preguiçosa e dispersa”. Não façam isso! Troque por algo como “Mariazinha precisa de pausas frequentes para se concentrar melhor nas atividades propostas.”

E cuidado com essa coisa de copiar e colar o mesmo texto trocando só o nome da criança. Cada uma delas é única e deve ser vista assim no seu parecer. Além disso, cuidado com a linguagem que rotula, como “apesar da deficiência” ou “nunca vai conseguir”. Isso é capacitismo e não ajuda ninguém.

Vamos fechar bem, certo? Depois de descrever as potencialidades, os interesses e as barreiras, pense em continuidades e encaminhamentos. O que pode ser mantido em termos de apoio? O que precisa mudar ou ser adaptado? Isso vai servir de insumo pro Plano Educacional Individualizado (PEI) da criança.

Por exemplo, se você notou que Beatriz responde bem quando trabalhamos com histórias socialmente significativas em rodas de conversa, isso deve continuar. Se César ainda encontra barreiras na interação com os colegas durante atividades livres mas está mostrando mais iniciativa nas brincadeiras dirigidas, isso também é um ponto importante pro próximo passo.

Lembre-se: cada parecer é uma peça valiosa do quebra-cabeça do desenvolvimento integral da criança. Escreva com cuidado, respeito e sempre pensando na colaboração entre a escola, a família e todos os envolvidos na educação desse estudante. Assim a gente avança junto, fazendo do jeito certo e garantindo que cada criança seja vista em sua plenitude.

Espero ter ajudado vocês a enxergar o verdadeiro valor desse documento! Vamos em frente sempre trabalhando pelo melhor das nossas crianças.

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Modelos prontos de parecer descritivo — Educação especial

5 exemplos completos, um por perfil. Os nomes são fictícios — adapte as cenas ao que você observou na sua turma.

Modelo 1Menino de 4 anos com TEA

João, de 4 anos, demonstra grande interesse pelas atividades musicais, participando com entusiasmo nas rodas de música. Ele se comunica principalmente através de gestos e algumas palavras, mostrando satisfação ao ser compreendido. Com o apoio de imagens, João ampliou sua participação nas atividades em grupo, apontando para as figuras para se expressar e se engajar nas conversas com os colegas.

As principais barreiras observadas foram a dificuldade em iniciar interações espontaneamente e manter o foco em propostas que não envolvem música. Contudo, houve avanços significativos na socialização e na comunicação com os pares durante o semestre, especialmente quando a mediação incluiu elementos visuais e musicais. Para o próximo período, recomenda-se a continuidade do uso de imagens como apoio comunicativo, além da inserção gradual de novos temas de interesse que possam expandir suas interações e vivências no grupo.

Modelo 2Menina de 5 anos cadeirante

Larissa, 5 anos, participa ativamente das brincadeiras junto ao grupo, utilizando adaptações que foram construídas coletivamente com seus colegas. Ela demonstra alegria ao engajar-se em jogos ao ar livre e durante as atividades de roda, onde é sempre incluída pelas crianças. Sua comunicação verbal é clara e expressiva, permitindo que compartilhe ideias e sentimentos de maneira efetiva.

Embora existam barreiras físicas no ambiente escolar que possam limitar a acessibilidade em alguns espaços, Larissa supera esses desafios por meio da cooperação dos colegas e da utilização de recursos adaptados. O envolvimento da turma na criação dessas adaptações fortaleceu o senso de coletividade e inclusão. Para o próximo semestre, será essencial continuar promovendo ajustes no ambiente escolar visando eliminar barreiras físicas remanescentes e incentivar Larissa a explorar novas formas de participação nas atividades propostas.

Modelo 3Menino do 2o ano com TEA

Ricardo, estudante do 2o ano, tem um notável interesse por dinossauros, que se revelou um recurso eficaz para estimular suas produções escritas e leituras avançadas para sua idade. Como leitor precoce, ele utiliza seu conhecimento sobre o tema para produzir textos detalhados e criativos. O uso de materiais sobre dinossauros favoreceu seu engajamento nas atividades de leitura e escrita.

Apesar do progresso nessas áreas, Ricardo enfrenta desafios relacionados à interação social e à adaptação a mudanças de rotina. No entanto, o estabelecimento de uma rotina previsível e o uso do seu tema preferido como ponto de partida para outras áreas do conhecimento têm contribuído para reduzir essas barreiras. O planejamento para o próximo semestre inclui ampliar os temas abordados nas atividades para incluir outros interesses do estudante, possibilitando novas conexões e aprofundamento em diferentes disciplinas.

Modelo 4Menina do 4o ano com TDAH

Ana Clara, aluna do 4o ano, destaca-se pela sua criatividade e participação ativa em sala de aula. Ela tem demonstrado avanços significativos no desenvolvimento das suas habilidades organizacionais por meio de autoinstrução e pausas programadas durante as aulas. Esse sistema permitiu que ela gerenciasse melhor seu tempo e foco nas tarefas.

Ana Clara ainda encontra dificuldades em manter a concentração durante longos períodos de atividades sem intervalos. No entanto, a introdução de avaliações em etapas tem sido uma estratégia eficaz para aprimorar seu desempenho acadêmico e reduzir a ansiedade frente às demandas escolares. Para o próximo semestre, sugere-se a continuidade das estratégias já implementadas e a introdução gradual de novas técnicas de autogerenciamento que possam auxiliar na ampliação da sua autonomia acadêmica.

Modelo 5Menino do 3o ano com deficiência intelectual

Lucas é um estudante do 3o ano conhecido pelo carinho dos colegas da turma. Com um currículo flexibilizado, Lucas tem avançado concretamente na leitura funcional e na matemática aplicada ao cotidiano. Ele é responsável por pequenas tarefas diárias relacionadas à organização da sala, o que reforça sua autonomia.

Durante o semestre, Lucas encontrou barreiras na compreensão de conceitos mais abstratos sem apoio visual concreto. No entanto, atividades práticas que envolvem situações reais têm sido essenciais para promover sua aprendizagem significativa. A continuidade do suporte visual associado a práticas cotidianas em contextos diversos é recomendada para o próximo semestre, visando fortalecer suas habilidades funcionais e preparar Lucas para novos desafios acadêmicos e sociais.

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