Olha, essa habilidade EF67EF01 da BNCC, que é focada em jogos eletrônicos, tem tudo a ver com a molecada que tá sempre com um celular ou tablet na mão. A ideia é trazer esse universo dos games para dentro da escola de um jeito que faça sentido pra eles e pra gente também. Não basta só jogar por jogar. A gente precisa reconhecer que os games têm um papel cultural importante e que diferentes pessoas podem ver esses jogos de maneiras bem diferentes. O aluno precisa conseguir entender o jogo, respeitar as opiniões dos outros sobre aquele jogo e também expressar seu próprio ponto de vista. É um processo de troca de experiências bem rico.
Quando eles estavam na série anterior, muitos já tinham contato com jogos, mas ficavam mais na coisa do entretenimento mesmo, sabe? Agora, no 6º ano, a gente tem a chance de aprofundar e fazer eles perceberem que os games também podem ensinar muito sobre cultura, respeito e até trabalho em equipe. E isso faz parte do desenvolvimento deles como cidadãos também.
Vou contar como eu faço isso na prática com três atividades que funcionaram bem por aqui.
A primeira atividade é uma roda de conversa sobre jogos populares. Não precisa de muito material. Eu costumo usar só um projetor e um computador pra mostrar alguns vídeos dos jogos mais conhecidos. A gente organiza a turma em círculo pra todo mundo poder se ver e se ouvir bem. Essa atividade leva em torno de 30 a 40 minutos. A ideia é cada um falar sobre o jogo que mais gosta e explicar o porquê. A galera se anima bastante porque eles adoram falar sobre o que jogam em casa. Teve uma vez que o João começou a falar do Free Fire, aí a Mariana logo emendou que gostava era do Minecraft porque dava pra criar mundos novos e tal. Foi bacana porque rolou um debate saudável onde eles mesmos começaram a perceber as diferenças entre os tipos de jogos e como cada um deles pode ensinar alguma coisa diferente.
Outra atividade é fazer eles criarem um pequeno vídeo tipo um vlog sobre o impacto dos jogos na vida deles e das famílias. A gente usa os celulares mesmo pra gravar e editar esses vídeos. Divido a turma em pequenos grupos de três ou quatro alunos pra que todos possam participar ativamente sem correr risco de alguém ficar só olhando. Essa atividade costuma durar duas aulas de 50 minutos cada, uma pra planejar e gravar e outra pra assistir e discutir os vídeos na sala. Na última vez que fizemos isso, teve um momento engraçado quando o Pedro e o Lucas perceberam, enquanto editavam, que o irmãozinho do Lucas apareceu no fundo mexendo no videogame enquanto eles falavam justamente sobre como equilibrar tempo de jogo e outras atividades. Depois assistimos juntos os vídeos e foi legal ver como cada grupo tinha uma perspectiva diferente sobre o mesmo tema.
Por último, uma das atividades mais legais é organizar uma competição de quiz sobre conhecimentos gerais dos jogos eletrônicos. Eu preparo algumas perguntas divididas por categorias como história dos jogos, personagens famosos, impactos sociais dos games, essas coisas. Uso papéis coloridos para as perguntas e uma caixa pra sortear. A turma é dividida em equipes de cinco ou seis alunos e transformamos a sala numa espécie de game show! A atividade leva uma aula inteira, uns 50 minutos também. Os alunos ficam super energizados querendo responder tudo rápido e acertar mais pro time ganhar uns brindes simples tipo marcador de livro com estampas de games que eu mesmo faço aqui em casa. Na última vez que fiz essa atividade, a equipe da Ana venceu com uma resposta incrível sobre o impacto social dos MMORPGs (que são esses jogos multiplayer massivos online). Foi legal ver como ela explicou claramente como esses jogos ajudam as pessoas a formarem comunidades online.
Bom, pessoal, essas são algumas das formas como eu trabalho essa habilidade EF67EF01 na minha turma do 6º ano aqui em Goiânia. Os meninos se envolvem bastante porque é algo que já faz parte do dia a dia deles, mas com essas atividades a gente consegue dar um novo olhar pros jogos eletrônicos: algo além do entretenimento puro.
Espero que essas ideias sejam úteis pra vocês também! Qualquer coisa tô por aqui pra compartilhar mais experiências ou ouvir as ideias de vocês também! Valeu!
Olha, perceber que os meninos realmente entenderam essa habilidade EF67EF01 sem aplicar prova formal é mais fácil do que parece. Eu vou circulando pela sala, observando as conversas, e você começa a pegar umas sacadas. Por exemplo, durante uma atividade em que eles precisam discutir sobre um jogo específico, se você escuta um aluno tipo o Pedro dizendo "ah, mas esse jogo aqui tem essa mecânica porque ele quer ensinar a gente a trabalhar em equipe", aí eu penso: "opa, o Pedro tá ligando os pontos". Ou então quando a Maria explica pro Gustavo como o jogo reflete uma questão cultural, e ele responde com "cara, nunca tinha pensado nisso", é ali que dá pra ver que eles estão começando a entender a profundidade dos jogos além da diversão.
Outro exemplo foi quando programei uma atividade em duplas, onde um aluno precisava explicar pro outro o que tinha entendido sobre um jogo que todos jogaram. A Letícia começou a falar pro Lucas sobre como aquele jogo específico incentivava a tomada de decisões rápidas e estratégicas. E ela ainda usou exemplos de dentro do jogo pra explicar isso. Foi uma coisa linda de ver porque ela dominou o assunto e ainda conseguiu expressar de uma forma que o Lucas compreendeu perfeitamente. Nessas horas você vê que o aprendizado foi além do esperado.
Agora, sobre os erros mais comuns, sempre tem aqueles deslizes que os meninos acabam cometendo. Um dos mais frequentes é quando eles tentam generalizar as características de um jogo pra todos os outros. Tipo o João, que chegou todo empolgado dizendo que todos os jogos ensinam estratégia porque ele tinha jogado um de estratégia militar. Aí eu expliquei que nem todo jogo tem esse objetivo; alguns são mais voltados pro entretenimento ou pra contar uma boa história, por exemplo. Esses erros geralmente acontecem porque eles ainda estão começando a entender as diferentes finalidades dos jogos e como cada um pode ter uma proposta única.
Quando eu pego esses erros na hora, geralmente paro tudo e abro pra discussão com toda a turma. Pergunto pros meninos se concordam com o João ou se tem exemplos de jogos que não seguem essa linha de estratégia. Isso abre espaço pra eles pensarem criticamente e se expressarem sobre suas experiências pessoais com jogos diferentes. Às vezes, trago até exemplos de jogos históricos ou narrativos pra mostrar essas diferenças na prática.
Agora, lidando com o Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA, eu preciso fazer umas adaptações nas atividades. Pro Matheus, eu tento sempre manter as atividades bem dinâmicas e variadas. Não adianta colocar ele sentado por muito tempo discutindo teoria porque ele perde o foco rápido. Em vez disso, trago atividades práticas onde ele possa usar muita energia física e mental. Em uma aula, por exemplo, fizemos uma simulação onde ele era responsável por criar estratégias em tempo real enquanto jogávamos um game adaptado na quadra da escola. Ele se saiu super bem porque conseguiu usar toda aquela energia extra a favor da atividade.
Com a Clara, o lance é diferente. Como ela tem TEA, precisa de um ambiente mais organizado e previsível. Então procuro deixar claro o passo a passo das atividades antes de começar qualquer coisa. Uso bastante material visual com ela também; coisas tipo ilustrações ou vídeos curtos que expliquem as mecânicas dos jogos antes dela participar ativamente das discussões ou das atividades práticas. Uma vez testei uma atividade sem dar esse suporte visual e vi que ela ficou bem perdida e frustrada. Aprendi daí que preciso mesmo oferecer esse tipo de apoio pra ela ter um aproveitamento legal.
Bom, acho que é isso por hoje sobre a EF67EF01. A gente vai aprendendo junto com os alunos e nos adaptando conforme as necessidades vão surgindo, sempre tentando fazer com que todos tenham oportunidades iguais de aprender e se expressar. É um desafio atrás do outro, mas é assim mesmo que a gente vai crescendo como educador. Espero que essas experiências ajudem outros professores por aí também! Abraço!