Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF67EF14 da BNCC, que é sobre experimentar, fruir e recriar diferentes lutas do Brasil, a gente tá falando de muito mais do que só dar uns socos e chutes no ar, né? A ideia aqui é fazer os alunos entenderem e valorizarem as lutas como parte da nossa cultura e história, mas sempre levando em conta a questão da segurança e integridade física deles e dos colegas. Então, não é pra sair brigando por aí, é pra aprender a respeitar o próprio corpo e o dos outros.
Na prática, os meninos precisam conseguir se movimentar de forma segura, saber os limites do corpo deles e respeitar os limites dos colegas. Por exemplo, quando a gente fala de capoeira, eles não têm só que aprender os movimentos, mas também o contexto histórico e a importância dessa luta na cultura brasileira. E isso se conecta bastante com o que eles já trabalharam nas séries anteriores, onde começaram a ter noções de espaço, coordenação e respeito às regras do jogo. Agora é hora de aprofundar isso e trazer esse conhecimento pro dia a dia deles.
Bom, vou contar pra vocês três atividades que tenho trabalhado com a minha turma do 7º ano. A primeira atividade é a roda de capoeira. Pra isso, eu uso um pandeiro e, às vezes, um berimbau. É coisa simples mesmo, nada sofisticado. A turma se divide em duplas e cada dupla entra no meio da roda pra praticar os movimentos básicos que a gente aprendeu nas aulas anteriores. Essa atividade leva uns 40 minutos no total. Os alunos geralmente reagem super bem porque acham divertido e acabam aprendendo sem nem perceber que tão aprendendo, sabe? Outro dia o João tava um pouco tímido no início, mas quando ele entrou na roda e viu que todo mundo tava lá pra apoiar e vibrar junto, ele se soltou e fez os movimentos com muita confiança. Foi bacana ver essa mudança nele.
Outra atividade legal que faço é o "desafio das sombras", focada em movimentos de defesa pessoal. A gente não precisa de muito material além de cones pra demarcar espaço. Organizo a turma em duplas novamente: um aluno faz movimentos como se atacasse a sombra do colega, sem tocar nele de verdade. O outro tem que se defender apenas desviando ou bloqueando com os braços. Essa atividade dura uns 30 minutos. No começo eles estranham um pouco ficar sem encostar no colega, mas depois entendem a importância disso pra segurança de todos. Semana passada rolou uma situação engraçada com a Ana e o Pedro: ela tava tão concentrada tentando desviar que quase saiu do espaço delimitado e tropeçou num cone! A gente deu risada junto e isso ajudou a descontrair o ambiente.
A terceira atividade é uma coisa mais teórica misturada com prática: uma pesquisa sobre diferentes lutas brasileiras seguida de uma apresentação em grupo. Aqui eu divido a turma em grupos de cinco ou seis alunos e dou um tempinho na aula pra eles pesquisarem sobre uma luta específica — vale judô, jiu-jitsu brasileiro, karatê brasileiro e até lutas indígenas como huka-huka. Eles têm duas semanas pra pesquisar em casa e depois apresentam pro restante da turma na nossa aula semanal de educação física. Essa parte das apresentações leva cerca de duas aulas inteiras pra dar tempo de todos os grupos mostrarem seu trabalho. Os meninos adoram porque aí vira uma competição saudável pra ver quem faz a apresentação mais criativa. O grupo do Lucas surpreendeu todo mundo na última vez trazendo uma mini encenação do huka-huka que deixou todo mundo empolgado e mais interessado por essa prática tradicional.
O melhor dessas atividades é ver como os alunos começam a entender mais sobre si próprios — seus limites físicos — mas também aprendem a respeitar o espaço dos colegas. E vocês sabem como é, né? Quando o aluno começa a ver sentido nessas práticas dentro da realidade dele, o aprendizado flui bem melhor. E acho que é isso que essa habilidade da BNCC quer trazer: não só o movimento por si só, mas toda uma reflexão sobre identidade cultural, respeito ao corpo alheio e autoconhecimento.
Bom, é assim que eu tenho trabalhado essa habilidade com a galera do 7º ano aqui em Goiânia. Se alguém tiver outras ideias ou quiser compartilhar suas experiências também, vamos trocar figurinha! Abraço pra todo mundo!
Olha, eu sempre acho que a gente percebe quando o aluno realmente aprendeu alguma coisa no dia a dia, sem precisar daquela prova formal. Eu circulo bastante pela sala, fico de olho nas interações entre eles. O legal é que nessa habilidade específica, a EF67EF14, dá pra ver bem mesmo quem tá entendendo a parada. Sabe quando você vê o João ensinando pro Pedro como fazer um movimento de capoeira e consegue explicar direitinho, até com um sorriso no rosto? Aí você pensa: "Ah, esse aí pegou mesmo!" Ou quando a Maria tá lá na frente tentando coordenar os passos da aula de luta romana e você percebe que ela tá aplicando o que foi discutido em sala, aí é gratificante demais.
E tem aqueles momentos que te pegam de surpresa, tipo quando você tá só passando e escuta uma conversa entre a Luana e o Felipe sobre como é importante respeitar o colega na luta, que não é só sobre ganhar ou perder, e sim entender o que cada movimento representa culturalmente. Aí você vê que a sementinha plantada ali realmente germinou.
Agora, sobre os erros mais comuns que vejo nessa turma, olha, tem de tudo um pouco. Por exemplo, o Lucas sempre acha que a força bruta é mais importante do que a técnica. Já expliquei várias vezes que não é só dar um soco forte, mas como ele deve posicionar o corpo para ser eficiente e seguro. Ele já entendeu melhor quando mostrei na prática com ele e o Alex ao lado pra corrigir um ao outro. A Júlia por outro lado tem dificuldade em entender as regras básicas de cada luta. Uma vez, ela confundiu os movimentos do judô com os do jiu-jitsu, e aí gerou uma confusão na prática. Coisas assim acontecem porque muitas vezes eles estão empolgados demais ou não prestaram muita atenção nas explicações iniciais.
Quando eu noto esses erros durante as aulas práticas, gosto de parar tudo na hora e chamar a atenção de forma positiva. Peço pra eles respirarem fundo e tentarem de novo, muitas vezes até demonstrando eu mesmo como fazer corretamente. É um jeito de segurar a concentração deles novamente sem parecer que tô chamando atenção demais.
Agora vamos falar do Matheus e da Clara. Olha, trabalhar com alunos com TDAH como o Matheus é sempre um desafio diferente. Ele tem muita energia, então eu tento canalizar isso pra atividades mais dinâmicas. Tipo assim, ao invés de ficar muito tempo numa mesma atividade repetitiva, eu divido as tarefas em pequenos blocos com intervalos curtos. Isso ajuda ele a manter o foco sem se dispersar muito. Já tentei usar cartões visuais pra lembrar ele dos movimentos e isso funcionou bem até certo ponto.
Com a Clara, que tá dentro do espectro autista (TEA), as coisas são um pouco diferentes. Ela precisa de um ambiente mais estruturado e previsível. Então eu sempre mostro pra ela o cronograma do dia antes de começar. Uso materiais visuais também pra explicar os movimentos, e ela responde bem a isso. Uma vez experimentei colocar música enquanto fazíamos uma atividade e percebi que ela ficou agitada demais, então cortei isso das aulas dela em particular.
Cada um deles tem seu tempo e jeito de aprender e eu tento respeitar isso ao máximo. E é claro que nem tudo são flores: já teve atividade que não funcionou bem pra nenhum dos dois. Uma vez tentei uma técnica de meditação antes das aulas pra ajudar na concentração geral da turma e foi um fiasco total com o Matheus — ele ficou mais agitado ainda!
No final das contas, ensinar é isso: aprender todos os dias também com essas experiências práticas que eles proporcionam pra gente. E eu sempre digo: mais importante do que qualquer lista ou currículo é estar aberto às necessidades dos meninos e fazer o melhor possível dentro da realidade de cada um.
Bom gente, é isso aí por hoje! Espero ter ajudado com alguma ideia ou insight aí pras suas aulas também. Vamos continuar trocando experiências por aqui porque juntos a gente vai longe! Até a próxima!