Olha, pessoal, essa habilidade EF09HI20 da BNCC pode parecer meio complicada de entender de cara, mas basicamente estamos falando de ajudar os meninos a entenderem que durante a ditadura civil-militar no Brasil, teve muito mais coisa acontecendo além do que a censura e repressão. Quer dizer, teve uma resistência danada da sociedade e várias tentativas de reorganizar o país, seja pelos movimentos sociais ou por grupos que estavam na clandestinidade. O aluno precisa conseguir ver que, mesmo num período tão fechado, a galera estava lutando por mudanças e que essas lutas têm impacto até hoje.
Na prática, o aluno tem que ser capaz de discutir e analisar esses processos de resistência. Eles precisam pegar exemplos concretos, como as ações dos movimentos estudantis, culturais, indígenas e negros daquela época, e entender como eles resistiam ao regime e propunham novas formas de viver em sociedade. E isso não é do nada! Quando eles chegam no nono ano, já viram um bocado sobre história recente do Brasil no oitavo ano. Então eles têm uma base pra entender que a ditadura não foi só um momento isolado, mas parte de um processo histórico maior. O que a gente faz agora é aprofundar isso.
Agora vou contar algumas atividades que faço com a turma do nono ano pra trabalhar essa habilidade. Lá na minha sala, as coisas são bem práticas porque eu acredito que é assim que eles aprendem de verdade.
Uma atividade que sempre funciona bem é o debate sobre as músicas da época. Eu levo algumas letras de músicas que foram censuradas na época da ditadura e também algumas que passaram mesmo com críticas sutis ao regime. A música é algo que sempre conecta com a galera, então eu coloco uns áudios pra tocar. A gente escuta junto “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” do Geraldo Vandré e “Cálice” do Chico Buarque. Depois, divido a turma em grupos e peço pra eles discutirem quais mensagens essas músicas estavam passando e como isso se relaciona com a resistência ao regime. Aí vem cada coisa legal! Na última vez que fizemos isso, o Felipe levantou uma questão sobre como algumas músicas conseguem passar mensagens tão poderosas com palavras simples. Ele sacou que era uma forma de burlar a censura sem deixar de ser crítico. Esse tipo de insight me deixa animado porque mostra que eles estão realmente entendendo o espírito da coisa!
Outra atividade bacana é trazer recortes de jornais da época ou cópias de documentos históricos. A gente faz uma análise documental em duplas ou trios. Nessa hora, eu disponibilizo materiais impressos mesmo, porque não tem tecnologia na nossa escola pra todo mundo usar computador ao mesmo tempo. Eu dou uma introdução rápida sobre o contexto e deixo eles mergulharem nos textos. Isso leva umas duas aulas completas. A ideia é eles identificarem nos textos pistas sobre a resistência contra o regime ou sobre as tentativas do governo de controlar a narrativa da época. Na última vez, o João e a Juliana encontraram um artigo sobre um protesto estudantil e ficaram tão empolgados que começaram a fazer perguntas sobre como eram os protestos hoje em dia em comparação com aqueles tempos. Dá gosto ver quando eles fazem essas conexões.
Por último, faço uma atividade de dramatização que os meninos adoram. A gente cria pequenos grupos e cada um fica responsável por apresentar uma cena que represente algum momento importante de resistência ou reorganização social durante a ditadura. Eu deixo eles escolherem o tema dentro de alguns tópicos sugeridos como movimentos estudantis, luta indígena ou questões negras na época da ditadura. Eles têm uns dias pra se preparar e depois apresentam pra turma toda. É sempre engraçado porque eles levam muito a sério e capricham nos detalhes das apresentações. Da última vez, o grupo do Pedro fez uma cena sobre o Movimento Negro Unificado e foi incrível! Eles conseguiram passar uma mensagem forte sobre identidade e resistência sem perder o humor na atuação.
Olha só como essas atividades mexem com a galera! Cada uma delas ajuda a conectar os pontos entre o que eles já sabem e o novo aprendizado. E aí dá pra perceber como eles começam a enxergar esse período da história não só como um monte de datas ou eventos tristes, mas como um tempo cheio de vida e luta por parte das pessoas comuns. Acho isso essencial porque prepara eles pra pensarem criticamente sobre outros momentos históricos também.
Bom, espero ter ajudado vocês a entenderem um pouco mais como trabalhar essa habilidade na sala de aula! Se alguém tiver mais ideias ou quiser compartilhar experiências também, tô por aqui pra trocar figurinhas! Abraços!
Na aula, eu sempre fico de olho na interação dos meninos. É impressionante como dá pra perceber quando eles captam a ideia. Não é só no resultado de uma prova que você vê aprendizado, mas em como eles se engajam nas conversas, nas perguntas que levantam, no jeito que discutem entre si. Tipo, um dia desses tava circulando pela sala quando peguei o Lucas explicando pro Gabriel sobre a atuação dos movimentos sociais durante a ditadura. Ele falou algo como "Cara, imagina viver naquela época e ainda ter coragem de lutar contra o sistema! Era arriscado, mas era importante pra mudar as coisas". Aí eu pensei "Ah, esse entendeu o espírito da coisa". É aquele momento em que você vê que o aluno não só decorou fatos, mas fez a conexão com o presente, entendeu a relevância da história pra hoje.
Outro exemplo foi quando a Júlia comentou com a Ana sobre um documentário que viu em casa e fez uma relação com o que estávamos estudando. Ela disse algo do tipo "Aquele filme sobre as Mães da Praça de Maio me fez ver como as mulheres foram fortes também aqui no Brasil". É nesses momentos que você vê que o aprendizado foi além da sala de aula e tá ressoando com eles em outros contextos.
Agora, claro que tem os erros comuns. O João, por exemplo, sempre confunde datas e eventos. Tem dia que ele acha que o golpe militar foi na década de 80. Isso acontece porque eles estão lidando com muitas informações novas de uma vez só e é fácil misturar tudo. Quando vejo isso acontecendo, tento parar e explicar de novo, às vezes usando uma linha do tempo na parede ou pedindo pra eles criarem uma história em quadrinhos que ilustre os principais acontecimentos. Isso ajuda a fixar melhor.
Outra confusão comum é sobre quem eram os protagonistas dos movimentos sociais. A Marina achava que todo movimento era organizado por partidos políticos grandes. Eu expliquei pra ela que muitos eram formados por grupos pequenos e até por pessoas comuns, fazendo questão de destacar histórias individuais pra mostrar essa diversidade de vozes na resistência.
Quando falo do Matheus e da Clara, é outra história. Com o Matheus, que tem TDAH, eu preciso ser bem dinâmico. Ele funciona muito melhor quando tem atividades práticas e curtas. Então, quando estamos debatendo em classe ou fazendo exercícios em grupo, sempre dou pra ele tarefas mais divididas em partes menores. Uma coisa que funcionou bem foi aquele jogo de cartas, onde cada carta tem um evento ou personagem importante e ele tem que organizá-las numa linha do tempo junto com os colegas. Isso prende a atenção dele e ajuda na compreensão.
A Clara, com TEA, precisa de um ambiente mais estruturado e previsível. Eu tento manter uma rotina clara nas aulas e aviso com antecedência qualquer mudança. Com ela, uso muito material visual: mapas mentais e esquemas são ótimos. Lembro de uma vez que criei cartões coloridos com informações-chave e ela conseguiu participar bem mais da discussão em grupo porque tinha aquelas referências visuais ali na mão dela.
A gente aprende tanto com esses meninos quanto eles com a gente. Às vezes o planejamento não funciona como deveria. Já tentei usar filmes longos achando que eles iam adorar assistir e discutir depois, mas nem todo mundo consegue ficar concentrado até o final — principalmente o Matheus. Então aprendi a usar trechos curtos ou documentários mais dinâmicos.
No final das contas, o importante é estar aberto pra adaptar nossas estratégias. Cada aluno é um universo à parte e entender isso é essencial pra ser um bom professor.
Bom, vou ficando por aqui. Espero ter dado um panorama legal sobre como essas coisas rolam na prática e quem sabe ajudar alguém aí enfrentando os mesmos desafios em sala de aula. Grande abraço!