Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF09LI04 aí da BNCC, na prática, é sobre ensinar os meninos a se virarem bem na hora de apresentar um trabalho ou resultado de pesquisa em inglês. Aqui, o foco é fazer eles usarem recursos como gráficos, tabelas, notas e tal de um jeito que faça sentido pra quem tá ouvindo. Eles têm que escolher bem as palavras, saber explicar direitinho o que estão mostrando e ajustar a fala pro público e pro contexto. É aquela coisa: não adianta só jogar a informação, tem que saber entregar a mensagem.
O que eu acho que é importante aqui é a galera saber não só o que falar, mas como falar. Tipo, se eles vão apresentar um gráfico sobre clima, precisam saber dizer mais do que “a temperatura subiu”. É sobre explicar o motivo, as implicações, essas coisas. A turma já chega no 9º ano com uma base do ano anterior em vocabulário e formas básicas de apresentação (tipo usar o PowerPoint). Eles já sabem estruturar uma fala simples em inglês. Agora é aprofundar e sofisticar essa parada.
Então, vou contar três atividades que faço com minha turma pra trabalhar isso. A primeira é uma atividade que chamo de “Notícias da Semana”. A ideia é pegar notícias atuais e pedir pros alunos escolherem uma pra apresentar. Eles podem usar um jornal ou site em inglês. Dou uns 30 minutos pra eles prepararem tudo. Precisam resumir a notícia e trazer algo visual, tipo uma imagem ou gráfico que contextualize a notícia melhor. Uso o projetor da sala mesmo. A turma se divide em duplas – acho que fica mais dinâmico – e depois cada dupla apresenta em uns 5 minutos. Da última vez, o João e a Clara escolheram uma notícia sobre mudanças climáticas. Eles trouxeram um gráfico mostrando como as temperaturas médias aumentaram nos últimos anos. A turma ficou bem interessada, e teve até debate depois.
A segunda atividade é bem legal também: “Desafio dos Dados”. Faço assim: entrego uma tabela cheia de dados aleatórios (pode ser sobre esporte, tecnologia, cinema...) e peço pra eles interpretarem e montarem uma apresentação rápida em inglês usando esses dados. Dou uns 20 minutos pra preparação. Aí eles têm que explicar por que aqueles dados são relevantes ou interessantes. Já aconteceu do Lucas escolher uma tabela com dados sobre bilheteria de filmes nos EUA. Ele fez todo um storytelling sobre como certos filmes atraem públicos diferentes ao longo dos anos. Ele tava nervoso no começo, mas mandou muito bem, e a turma aplaudiu animada.
Por último, tenho a atividade “Meu Projeto Favorito”. Aqui, eles escolhem um projeto ou trabalho escolar que fizeram (pode ser de qualquer matéria) e apresentam em inglês usando slides ou cartazes. Eles têm cerca de duas semanas pra preparar porque precisa ser mais caprichado. E eu peço que usem pelo menos três tipos diferentes de recursos visuais. Divido a turma em grupos menores pra apresentação não ficar muito longa – cada grupo apresenta num dia diferente. Na última vez que fizemos isso, a Mariana escolheu um projeto de Ciências sobre reciclagem e trouxe tudo: tabelas comparativas do impacto ambiental com e sem reciclagem, fotos de reciclagem na escola... Foi bem bacana ver como ela conseguiu passar a importância do tema pra todos.
O mais legal dessas atividades é ver como os alunos vão pegando confiança aos poucos. No começo tem aqueles que ficam tímidos ou erram umas palavras, mas com o tempo eles vão pegando o jeito e até ajudam uns aos outros. Acho super importante criar esse ambiente acolhedor onde eles não se sintam julgados por errar.
Bom, essas são algumas das coisas que rolam na minha sala com essa habilidade aí do EF09LI04. Cada vez me surpreendo mais com a criatividade da galera e como eles conseguem trazer coisas novas pros temas propostos. É isso aí!
Continuando, o que eu acho que é importante aqui é a galera saber não só o que tá falando, mas ter confiança em como falar. E a gente percebe quando eles aprenderam isso nos detalhes do dia a dia, sabe? Tipo assim, quando eu tô circulando pela sala e vejo o João explicando pro Pedro como ele organizou o slide dele, usando palavras em inglês com segurança, eu penso "ah, esse moleque tá entendendo a parada". Ou quando tô ouvindo duas meninas conversando e elas estão trocando ideias de como melhorar a apresentação delas, tentando usar as palavras certas em inglês, é um sinal claro de que elas internalizaram o que a gente discutiu.
Outro dia, a Marcela, que sempre foi mais tímida, tava ajudando o Lucas com a parte de conclusão do trabalho dele. Ela tava falando sobre como terminar uma apresentação de forma impactante e ainda se virou bem usando expressões que trabalhamos na aula. Aí eu pensei: "Pronto, ela pegou o jeito!". Essas pequenas interações são ouro pra gente ver o aprendizado acontecendo sem precisar de uma prova formal.
Mas olha, nem sempre tudo são flores. Tem uns erros comuns que a galera comete e que são naturais no processo de aprendizado. Por exemplo, o Carlos sempre tenta traduzir tudo ao pé da letra. Ele fez isso numa apresentação sobre esportes e acabou falando uns absurdos engraçados tipo chamar "basquetebol" de "basket table". Aí é um momento bom pra parar e mostrar como algumas palavras não traduzem perfeitamente, e aí a gente dá umas risadas juntos e aprende.
A Bia, por outro lado, adora usar palavras difíceis tentando impressionar. Só que vez ou outra ela se enrola e acaba complicando o que é simples. Nesse caso, tento explicar pra ela que clareza é mais importante do que complexidade. Não adianta só soltar palavra bonita se ninguém entende, né?
Agora, tem o Matheus e a Clara na turma e lidar com eles requer algumas adaptações. O Matheus tem TDAH e às vezes ele parece estar em todos os lugares menos na sala de aula. Então eu aprendi a fazer pausas mais frequentes durante as atividades pra ele conseguir dar uma esticada nas pernas ou mesmo sair da sala por uns minutinhos. Também faço questão de usar materiais visuais mais coloridos e interativos pra prender a atenção dele. Uma vez tentei usar um texto longo achando que ia dar certo, mas logo percebi que ele tava voando na maionese.
Já a Clara, que tem TEA, precisa de um ambiente mais previsível e estruturado. Pra ela, tento sempre manter uma rotina bem clara do que vai acontecer na aula. Além disso, dou mais tempo pra ela processar as informações e prefiro organizar atividades onde ela possa trabalhar em duplas ou trios com colegas mais pacientes. Teve um dia em que eu mudei a atividade de última hora e ela ficou visivelmente desconfortável. Foi um aprendizado pra mim sobre a importância de manter alguma consistência.
No fim das contas, acho que o grande lance é conhecer cada aluno, suas dificuldades e potencialidades. Não existe receita pronta; às vezes é tentativa e erro mesmo. O importante é estar atento e disposto a ajustar as velas conforme o vento muda. E sempre lembrar de reforçar as pequenas vitórias dos alunos, porque são elas que constroem confiança.
E é isso aí galera! Espero que essas histórias ajudem vocês por aí também. Trocar ideia é sempre bom e faz a gente crescer junto nessa jornada de ensino. Vou ficando por aqui agora. Qualquer coisa, só dar um toque! Abraço!