Olha, pessoal, quando a gente fala dessa habilidade EM13LP47 da BNCC, eu vejo como uma oportunidade incrível de fazer os meninos se expressarem, sabe? É sobre dar espaço pra eles participarem de eventos culturais e literários, e mais que isso, é incentivá-los a criarem suas próprias obras. Tipo assim, a habilidade pede que a galera não só compareça a esses eventos, mas também que eles possam apresentar coisas que eles mesmos fizeram. Seja um poema, um conto, uma música ou até um curta-metragem. E o mais bacana é que eles têm que conseguir interpretar e apreciar o que os colegas criaram também. É uma troca super rica e acaba tirando eles daquela zona de conforto.
Se a gente for lembrar do que os alunos já sabiam do 1º ano do Ensino Médio, dá pra dizer que muitos já tinham uma base em apresentações orais e algumas experiências com textos autorais pequenos. Mas agora, no 2º ano, o desafio é maior: queremos que eles se aprofundem nas práticas culturais do nosso tempo e experimentem ser autores de verdade. Não é só ler um poema bonitinho na frente da turma; é entender o contexto do que foi escrito, é se colocar ali.
Vou contar um pouco do que tenho feito com minha turma pra trabalhar essa habilidade. Uma das atividades que sempre rende bons frutos é o sarau literário. Não precisa de muito material: algumas cadeiras arrumadas em círculo na sala mesmo ou no pátio da escola se der pé. A organização é simples: cada aluno se inscreve pra apresentar algo de sua autoria ou interpretar uma obra de outro autor que ele curte. Dura umas duas horas e meia porque fazemos questão de dar espaço pra todos falarem e também pra comentários. Na última vez que fizemos isso, o João apresentou um poema super engajado sobre meio ambiente e a Júlia cantou uma música autoral dela acompanhada de violão. O legal é ver como eles ficam nervosos no começo, mas depois vão se soltando e até os mais tímidos acabam participando.
Outra atividade legal é a criação de videominutos. Basicamente, eles têm que criar um vídeo de 60 segundos sobre um tema livre ou algo que estamos estudando. Aí, os materiais são simples: celular ou tablet pra gravar e editar (a maioria já faz isso direto no próprio celular). Normalmente faço grupos de três ou quatro alunos pra garantir que todos participem. Eles têm umas duas semanas pra preparar isso e apresentamos numa "sessão de cinema" na sala mesmo. Na última edição, o Pedro e o grupo dele fizeram um vídeo bem interessante sobre bullying na escola e olha, foi emocionante ver como eles conseguiram passar uma mensagem forte em tão pouco tempo. A reação da turma foi ótima; houve até debate sobre como poderíamos combater o bullying.
E tem também as rodas de leitura, que são bem mais frequentes e talvez mais simples, mas não menos eficazes. Eu trago alguns livros sugeridos ou deixo os próprios alunos escolherem algo de interesse deles pra ler em casa por uma semana. Depois a gente faz uma roda de conversa onde cada um fala um pouco sobre o livro que leu, os pontos altos, o que não gostou tanto. É um exercício interessante de opinião crítica e escuta ativa. Na última roda que fizemos, a Ana trouxe "O Sol é Para Todos", do Harper Lee, e não só contou a história com grande entusiasmo como também fez comparações com questões atuais de justiça social aqui no Brasil. Foi bem bacana ver como ela conectou o texto com a nossa realidade.
O mais legal dessas atividades todas é ver a evolução dos alunos ao longo do ano. No início muitos ficam receosos, mas aos poucos as apresentações se tornam momentos aguardados por todos. E eles se apropriam das palavras, das rimas, das câmeras com desenvoltura crescente.
Pra mim, como professor, ver essa transformação é um dos maiores prêmios da profissão. A galera não apenas aprende conteúdos curriculares, mas saem das aulas mais humanos, críticos e expressivos. E isso não tem preço.
Bom, pessoal, por hoje era isso que eu queria compartilhar com vocês! Espero ter ajudado quem tá querendo ideias práticas pra desenvolver essa habilidade aí na escola. Se alguém tiver novas sugestões ou dúvidas, pode mandar aí! Vamos trocando figurinhas.
Aí, galera, continuando aqui. Sabe como eu percebo que os meninos realmente entenderam essa habilidade, sem precisar aplicar prova formal? É tipo assim, um lance de observação mesmo. Quando eu tô circulando pela sala, só de ouvir a conversa entre eles, já dá pra sacar muita coisa. Tem um momento que é quase mágico: quando você vê um aluno explicando pro outro aquilo que ele aprendeu. Por exemplo, teve uma vez que eu tava passando pelas mesas e o João tava lá todo empolgado explicando pra Mariana como ele tinha usado uma metáfora no poema dele pra falar sobre a saudade. Ele falava com tanto entusiasmo e clareza que dava até pra ver nos olhos da Mariana aquele "ah, entendi" que a gente tanto busca.
Outra coisa que eu sempre reparo é quando eles começam a fazer perguntas melhores. Tipo, durante uma discussão em grupo sobre um conto que lemos, se eles começam a questionar o porquê de uma escolha do autor ou como uma cena poderia ser diferente, eu já sei que o negócio tá funcionando. É sinal de que tão pensando criticamente, não aceitando tudo de mão beijada.
Agora, nem tudo são flores, né? Têm uns erros comuns que os alunos cometem nesse conteúdo. Por exemplo, o Rafael tem uma mania de usar clichês no texto dele. Eu sempre brinco dizendo que ele escreve "como um livro de autoajuda dos anos 90". Isso acontece porque ele ainda não se sente seguro pra experimentar com palavras novas e ideias diferentes. Quando pego esses erros na hora, eu gosto de puxar o aluno de canto e conversar sobre isso. Aí falo: "E aí, Rafael, já pensou em como você pode dizer isso de um jeito diferente?"
Outro erro comum é quando eles não conseguem interpretar a obra do colega sem levar pro lado pessoal ou sem entender a intenção do autor. Já vi a Luana comentar sobre o trabalho do Pedro dizendo que "não gostou" só porque era diferente do estilo dela. Aí eu entro na conversa e explico: "Luana, tenta perceber o que ele quis passar com esse texto antes de julgar". E aos poucos eles vão aprendendo a apreciar algo só pelo que é.
E sobre o Matheus e a Clara, é aquele desafio diário, mas cheio de aprendizados. O Matheus tem TDAH e precisa de algumas adaptações. Por exemplo, na hora dos exercícios escritos ou das apresentações, eu sempre dou mais tempo pra ele poder se organizar melhor. Já tentei usar cronômetros visuais pra ajudá-lo a se manter no foco por períodos mais curtos e aumentá-los aos poucos. Funcionou por um tempo, mas às vezes ele ainda perde o fio da meada. Então sempre deixo ele fazer pausas curtas e dou feedbacks imediatos pra corrigir pequenas distrações.
Já a Clara tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e é mais sensível ao barulho da sala. Eu sempre tento criar um ambiente mais calmo quando ela tá trabalhando em algo mais desafiador. Uma estratégia legal foi usar fones de ouvido com música instrumental ou sons da natureza pra ela conseguir se concentrar melhor nas atividades. Também adaptei algumas tarefas pra ela fazer em casa ou num ambiente mais controlado na escola quando precisa.
Tentei uma vez usar vídeos no YouTube como parte do aprendizado pro Matheus e a Clara, mas não deu muito certo porque o Matheus se distraiu demais e a Clara ficou um pouco ansiosa com as mudanças rápidas das cenas. Então, passei a criar meus próprios materiais usando slides bem simples com imagens estáticas e explicações curtas.
E assim vou ajustando conforme as necessidades deles vão mudando, sempre tentando encontrar aquele equilíbrio entre o que funciona e o que precisa ser ajustado.
Bom, pessoal, acho que falei demais por hoje! Espero ter ajudado aí quem também lida com essas questões na sala de aula. Se alguém tiver uma dica ou quiser compartilhar alguma experiência parecida, tô por aqui pra gente trocar ideia. Abraço!