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EM13LP46Língua Portuguesa · 3º EM Ano · Ensino Médio

Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.

CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, quando eu penso na habilidade EM13LP46 da BNCC, que é sobre os meninos perceberem as diferenças e tensões nas leituras de textos literários, eu vejo como uma chance de expandir o olhar crítico deles. A ideia é que eles não só leiam um texto, mas consigam sacar as nuances, as diferentes interpretações que cada um pode ter, e também como isso reflete nossa cultura e sociedade. É sair do "li e entendi" e entrar no "li, entendi e agora vejo como isso se conecta com o mundo".

Os alunos do 2º ano do ensino médio já vêm com um certo repertório das séries anteriores. Eles sabem fazer resumos, identificar personagens, tramas principais... Mas agora a gente tem que levar isso pra um nível mais profundo. Tipo assim: eles precisam ver que a interpretação de um livro pode mudar dependendo de quem lê. E aí entra aquele lance do diálogo cultural, onde a gente discute essas diferentes visões e aprende a respeitar o outro. Bom, é mais ou menos isso que tento fazer com meus alunos.

Uma das atividades que gosto de fazer é o "Círculo de Leituras". Funciona assim: escolho um texto literário que tenha várias camadas de interpretação. Pode ser um conto do Machado de Assis ou uma crônica da Clarice Lispector, por exemplo. Aí eu peço para eles lerem em casa e trazerem suas impressões anotadas. Na sala, a gente senta em círculo e cada um compartilha o que entendeu do texto. É incrível como as percepções são diferentes! Teve um dia que o João falou que achou o conto bem triste porque percebeu que o personagem principal estava preso numa vida sem sentido, mas a Maria já achou que era sobre liberdade, porque o personagem escolheu aquilo pra si. A galera fica empolgada, às vezes até rola debate acalorado. Essa atividade leva uma aula inteira, mas vale cada minuto.

Outra atividade bacana é fazer uma "Roda de Discussão". Eu escolho um tema central do texto lido e divido a turma em grupos. Por exemplo, se estamos lendo algo sobre desigualdade social, cada grupo vai discutir como isso aparece no texto e depois apresentar para a turma toda. Pra isso, não precisa de material complicado não: só papel e caneta mesmo pra anotarem as ideias principais. Isso leva umas duas aulas pra fazer direitinho. Quando fizemos isso com um conto sobre desigualdade, o grupo do Lucas levantou uma questão sobre como o autor usava os diálogos pra mostrar a diferença entre as classes sociais, enquanto o grupo da Ana focou mais nos detalhes da descrição dos ambientes. É interessante ver como eles começam a prestar atenção em detalhes que passavam batido.

A terceira atividade é o "Debate Livre". Essa é pra mexer mesmo com a galera e aguçar essa perspectiva crítica de cada um. Escolho um texto polêmico ou com várias interpretações possíveis e proponho um debate na sala. Não tem muita regra além do respeito pelo colega. Eles podem argumentar livremente sobre seus pontos de vista. A última vez que fizemos isso foi com um texto sobre liberdade individual versus regras sociais. A Júlia defendeu super bem o lado da liberdade individual e até trouxe exemplos atuais, enquanto o Pedro argumentou que certas regras são necessárias pra sociedade funcionar legal. Leva uma aula inteira também, mas os meninos saem da sala com ideias novas na cabeça.

O legal dessas atividades é ver como eles começam a valorizar o ponto de vista do colega e aprendem a argumentar melhor suas opiniões. O clima fica mais respeitoso nas discussões seguintes porque todo mundo vê que tem muito a ganhar ouvindo o outro lado. E isso é uma habilidade pra vida toda, né? Ver as coisas por ângulos diferentes ajuda não só na escola, mas em qualquer lugar.

Bom, acho que é isso. Não tem fórmula mágica não, mas essas atividades me ajudam bastante a trabalhar essa habilidade da BNCC na prática. E vocês aí? Como estão lidando com essa parte da BNCC na sala de aula? Qualquer ideia nova é bem-vinda!

Aí, continuando sobre a habilidade EM13LP46, sabe como eu percebo que os alunos realmente pegaram o conteúdo? Bom, nem sempre é só na hora da prova, né? A gente que tá na sala de aula há um tempão acaba desenvolvendo um faro pra essas coisas. É tipo quando você tá circulando pela sala e ouve aquele papo entre eles. No começo, era mais um "professor, não entendi nada disso aqui", mas com o tempo, a conversa muda. Eles começam a discutir entre eles mesmos, tipo "Ah, mas será que o autor quis dizer isso mesmo?" ou "Eu acho que isso tem a ver com aquela coisa que a gente falou na aula passada". E quando um aluno explica pro outro e você vê que tá usando exemplos e palavras próprias pra fazer o colega entender, aí é música pros nossos ouvidos.

Teve uma vez que eu tava andando pela sala enquanto eles estavam discutindo um texto do Machado de Assis. O Pedro virou pro Lucas e começou a falar sobre como o narrador era meio irônico e usava isso pra criticar a sociedade da época. O jeito dele explicar pro amigo me fez pensar: "Ah, esse entendeu mesmo!". Não era só repetir o que eu disse, ele tava fazendo conexões próprias.

Agora, os erros mais comuns... Ah, tem vários! Tem a galera que ainda se pega nas interpretações literais demais, sabe? A Maria, por exemplo, sempre fala como se tudo fosse preto no branco. Quando a gente tava analisando aquele poema do Drummond, ela insistia que o autor tava só falando sobre uma pedra no caminho. "Mas Maria", eu disse, "será que não tem um sentido mais profundo aí?" Ela ficou pensativa e depois entendeu que aquela pedra podia simbolizar obstáculos na vida. Esses erros acontecem porque muitos ainda não estão acostumados a buscar camadas mais profundas nas leituras. É hábito de leitura mesmo. Sempre que pego esse erro na hora, tento puxar exemplos de filmes ou músicas que eles conhecem pra aproximar o conceito.

E agora vamos falar do Matheus e da Clara. Olha, cada um deles precisa de um suporte diferente e a gente tá aqui pra isso. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades mais dinâmicas. Muitas vezes ele perde o foco em atividades muito longas ou monótonas. Então o jeito é dar tarefas mais curtas e variar os formatos: às vezes ele faz um resumo rápido, às vezes cria um mapa mental ou participa de um jogo sobre o texto. E funciona muito bem quando dou a ele períodos específicos de tempo pra concluir cada parte da tarefa. Outra coisa que ajuda é deixar ele mexer nos materiais visuais enquanto estuda.

Já com a Clara, que tem TEA, o lance é outro. Ela responde melhor a uma rotina bem definida e previsível. Então procuro manter uma estrutura na aula: começo com uma introdução clara do que vamos fazer, os passos ao longo da atividade e um encerramento pra pontuar o que aprendemos. Eu uso bastante apoio visual também: gráficos, imagens e vídeos curtos ajudam bastante. Um material que funcionou bem foi quando dei cartelas visuais com conceitos-chave do texto pra ela manipular enquanto lia.

Claro que às vezes nada disso dá certo logo de cara. Já tentei usar aplicativos de leitura interativa com eles e não rolou como esperado. Aí é ajustar a rota e tentar algo novo na próxima.

Bom, pessoal, é isso aí! A sala de aula é esse laboratório vivo onde a gente experimenta todo dia novas formas de chegar aos alunos. Compartilhar essas histórias no fórum sempre me dá novas ideias também pelas respostas de vocês. E se alguém aí tiver dicas novas pra trabalhar com esses desafios ou experiências com EM13LP46, fala comigo! Valeu demais por lerem até aqui. Até a próxima!

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