Olha, essa habilidade EF02MA08 aí da BNCC é aquela que ajuda os meninos do segundo ano a entenderem mais sobre conceitos de quantidade, como dobro, metade, triplo, terça parte. Na prática, a gente precisa fazer com que eles consigam resolver probleminhas e criar os próprios, usando aquilo que já aprenderam de números. É como se fosse colocar na cabeça deles que um número pode ser mais ou menos dependendo do contexto. Por exemplo, se a gente está falando de metade de um bolo, eles têm que entender que é dividir por dois. Se for dobro de bolinhas de gude, é multiplicar por dois. O bom é que a turma já vem do primeiro ano com uma noção básica de contagem e comparação de quantidades, então dá pra construir em cima disso.
Bom, uma das atividades que sempre rola aqui na sala é a dos legos ou bloquinhos. Eu peço pra cada criança trazer alguns blocos de casa, ou a gente usa os que tem na escola mesmo. Divido a turma em pequenos grupos de 4 ou 5 alunos e dou umas instruções básicas: formem um grupo com 10 blocos e depois façam o dobro, a metade, o triplo... Normalmente levo uns 30 minutos pra fazer essa atividade completa. Os meninos ficam super animados porque esse negócio de manipular material é com eles mesmos! Teve uma vez que o Joãozinho misturou os blocos dele com os do Pedro e não sabia mais qual era o dobro de qual... foi uma confusão danada, mas foi ótimo pra turma ver na prática que às vezes a gente tem que organizar bem as coisas pra não se perder nos cálculos.
Outra atividade que faço bastante envolve recortes e colagens. Aí já entra papel, tesoura e cola na brincadeira. Cada aluno recebe uma folha com imagens simples, tipo maçãs, bolas e bonecos. Aí eu peço pra eles recortarem e colarem no caderno o dobro dessas imagens e depois a metade. É legal porque eles têm uma referência visual ali o tempo todo. Isso leva mais ou menos uns 40 minutos da aula. E olha, ver a Mariazinha toda concentrada recortando as maçãs dela e depois tentando entender que duas maçãs pode virar uma só quando a gente fala de metade foi engraçado e ao mesmo tempo gratificante. Ela começou olhando tudo meio confusa, mas depois deu conta do recado!
Agora, uma das favoritas da galera: a caça ao tesouro com problemas numéricos. Ó, essa aqui eu faço assim: escondo umas cartinhas pela sala com probleminhas tipo "Encontre o triplo de 3 pedras" ou "Ache a terça parte de 12 chocolates". Formo duplas ou trios pra eles trabalharem juntos nas respostas. A ideia é estimular o trabalho em equipe também, né? Dou uns 20 minutinhos pros times encontrarem e resolverem o maior número possível de cartinhas. E o prêmio é coisa simples mesmo: um adesivo ou um lápis decorado. Da última vez que fiz isso, o Lucas e o Matheus saíram correndo pra lá e pra cá tão empolgados que até derrubaram umas cadeiras! Mas no fim das contas eles conseguiram resolver um monte de cartinhas juntos e aprenderam bastante.
E assim vou trabalhando essa habilidade com meus alunos. Eles vão percebendo como esses conceitos matemáticos estão presentes no dia a dia deles sem nem perceberem. É como sempre digo, tem hora que ensinar é quase como brincar junto com eles!
Aí, pra perceber se os meninos realmente aprenderam essa coisa de quantidade, sem precisar fazer prova, eu fico de olho em várias coisas no dia a dia. Quando tô circulando pela sala, já dá pra ver quem pegou a ideia e quem ainda tá meio perdido. Muitas vezes é só ouvir as conversas entre eles enquanto fazem as atividades em grupo.
Teve uma vez que o Pedro tava explicando pro João como calcular o dobro de figurinhas. Ele falou algo tipo: "Imagina que você tem 3 figurinhas e depois ganha mais 3, aí você fica com 6. Isso é o dobro." Na hora, pensei: "Ah, esse entendeu!" Porque ele explicou de um jeito simples, usando algo que eles gostam, e com confiança.
Outro exemplo foi quando a Ana comentou com a Sofia durante uma atividade: "Se metade do bolo é pra mim e metade pra você, então a gente divide por dois." Percebe que entenderam? Eles usam a lógica no papo do dia a dia, não ficam só repetindo o que eu falei. E quando um aluno explica pro outro? Melhor jeito de aprender e de eu ficar sabendo que eles captaram mesmo!
Agora, os erros mais comuns... Ah, esses aparecem bastante. O Lucas, por exemplo, confundia direto metade com dobro. Uma vez ele falou: "Se tenho 4 bolinhas e ganho mais 4, aí eu tenho metade." Aí eu falei: "Pera aí, Lucas! Não é assim. Você não tá pegando mais bolinhas pra ter metade; isso é dobro." E acho que essa confusão vem porque eles ainda estão fixando o conceito de dividir e multiplicar.
E tem também o caso da Camila. Ela sempre tinha dificuldade em visualizar partes iguais quando falávamos de terça parte ou triplo. Em vez de dividir corretamente, ela somava ou multiplicava sem pensar nas partes. Tipo, ela via 9 balas e dizia que terça parte era 6. Aí eu precisei usar objetos concretos mesmo, tipo tampinhas de garrafa ou palitos de sorvete, pra ela ver direitinho como separa em partes.
Agora sobre o Matheus e a Clara... Bom, cada um tem seu jeitinho especial de aprender. O Matheus tem TDAH e às vezes se distrai fácil demais. Pra ele, eu ajusto algumas atividades pra serem mais curtas e com intervalos. Uso cartões com figuras grandes e coloridas pra chamar a atenção dele. Às vezes divido as tarefas em etapas pequenas pra ele não perder o foco. O que funciona bem é fazer essas atividades práticas com ele fora da mesa da sala de aula comum, tipo num cantinho mais tranquilo da sala.
Já a Clara, que tem TEA, precisa de rotinas bem definidas e visuais muito claros. Gosto de usar quadros com imagens ou sequências pra ajudar ela a entender melhor as atividades. Também funciona bem usar fantoches ou personagens que ela gosta quando explico algum conceito novo. Ela responde melhor quando faço isso do que quando tento explicar só falando.
O que não funcionou tanto foi tentar misturar muitas ideias pra eles ao mesmo tempo. Ah, teve uma vez que tentei fazer uma atividade super interativa com toda a turma ao mesmo tempo e foi meio caótico. O Matheus ficou perdido com todo mundo falando ao mesmo tempo e a Clara se irritou porque fugiu do padrão que ela esperava.
E é isso, gente! No fim das contas, cada aluno tem seus jeitos próprios de aprender e cabe a nós ir ajustando as metodologias pra atender todos eles. O negócio é prestar atenção nos pequenos sinais do dia a dia, nas conversas entre eles e nos olhares durante as explicações. Tá aí o desafio e também a beleza da nossa profissão.
Por hoje é isso! Espero que essas histórias ajudem vocês nas turmas por aí também. Abraço!