Olha, essa habilidade EF06MA29 da BNCC parece complicada no papel, mas na prática é bem maneiro de trabalhar com os meninos do 6º ano. A ideia é que eles entendam como o perímetro e a área de um quadrado mudam quando mexemos nas medidas dos lados. Então, se a gente aumenta ou diminui os lados de um quadrado, o perímetro vai mudar de forma proporcional, mas a área não vai seguir essa proporção igualzinho. É tipo assim: se você dobra o lado do quadrado, o perímetro também vai dobrar, mas a área vai aumentar mais que o dobro. Na prática, os meninos precisam conseguir identificar e descrever essas mudanças.
A galera já traz alguma coisa na bagagem do 5º ano sobre medir coisas, principalmente com figuras retangulares simples. Eles sabem medir um lado e multiplicar pelo número de lados pra achar o perímetro e as vezes até têm uma boa noção de área, mas nem sempre sacam as diferenças quando começamos a mexer nos tamanhos dos lados. Então eu começo recapitulando rapidinho essas ideias antes de partir para as atividades práticas.
A primeira atividade que faço é bem visual e usa material simples: papel quadriculado. Distribuo folhas para cada aluno e peço para desenharem quadrados com diferentes medidas de lado: 1 cm, 2 cm, 3 cm até 5 cm. Cada aluno faz pelo menos uns três quadrados diferentes no papel. Aí eles calculam o perímetro somando os lados e a área contando os quadradinhos dentro do quadrado maior. Essa parte leva uns 20 minutinhos porque eles curtem desenhar e comparar os resultados entre si.
Quando fiz isso pela última vez, o João Pedro estava todo animado mostrando que se dobrou o lado do quadrado aumenta mais ainda o número total dos quadradinhos dentro dele. Ele ficou todo orgulhoso em perceber isso antes do resto da turma! A Mariana, por outro lado, tava com um pouquinho de dificuldade em entender por que a área triplicava quando ela só tinha duplicado o lado... Foi legal ver ela discutindo com a Júlia pra tentar entender melhor.
Na segunda atividade eu gosto de fazer algo mais prático: usamos barbante e tesoura pra criar "quadrados" no chão da sala usando fita adesiva colorida (aquelas fitas usadas pra trabalhos manuais). Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos porque assim eles discutem juntos e aprendem ainda mais com as trocas entre eles. O objetivo é que cada grupo crie pelo menos dois quadrados diferentes aumentando ou diminuindo igualmente os lados. Depois eles medem o comprimento do barbante usado pra fazer cada "quadrado" (que seria equivalente ao perímetro) e calculam quantos passos cabem dentro desse espaço pra ter uma noção da área.
Essa atividade costuma levar uns 30 minutos porque tem toda uma parte motora envolvida em recortar barbante e colar fita adesiva sem embolar tudo! A última vez que fizemos isso foi hilário ver o Lucas tentando alinhar direitinho as fitas enquanto a Beatriz ficava brincando que ele ia acabar criando um losango invés de um quadrado.
Por fim, gosto de fazer uma tarefa meio investigativa no quadro branco: escrevo uma série de problemas simples envolvendo aumento ou diminuição dos lados dos quadrados - tipo "se temos um quadrado com lado 'x' e ele cresce três vezes..." - aí peço pra resolverem na lousa mesmo ou discutirem em duplas antes da solução coletiva. Essa parte leva uns 15 minutos geralmente porque já estão afiados das atividades anteriores.
Uma vez pedi pro Gustavo resolver um problema desses na frente da turma e ele travou na hora da explicação... Aí veio o Rafael todo solícito ajudar lembrando ele passo a passo como tinham feito antes na atividade prática! Achei bacana ver esse espírito colaborativo surgindo naturalmente entre eles sem precisar de muito empurrão meu.
E é isso pessoal! Espero que essas ideias ajudem vocês também aí nas suas escolas! Qualquer dúvida grita aqui porque sempre temos novidades rolando nessas aulas malucas ne? Abraços!
Aí, quando você tá no meio da aula e começa a circular pela sala, dá pra perceber bem quando a galera tá pegando o jeito das coisas. Eu sempre gosto de ficar perto das mesas, ouvir as conversas dos meninos — é nessas horas que dá pra sacar se eles entenderam mesmo ou não. Por exemplo, teve um dia que eu tava andando por entre as carteiras e ouvi o Lucas explicando pro João como calcular o perímetro depois de mudar o tamanho dos lados do quadrado. Ele tava falando todo empolgado: "Olha, João, se esse lado aqui aumenta mais 2 centímetros, então você só soma 2 em cada lado e pronto!". Aí eu pensei: "Opa, esse entendeu!".
Outro momento é quando eles começam a discutir entre si e um aluno que ainda não pegou a ideia faz uma pergunta, e daí vem um colega e solta: "É assim..." e começa a explicar com confiança. Nessas horas você vê que quem explica está realmente consolidando o aprendizado porque ele tem que organizar o pensamento dele pra ensinar o outro. Lembro da Maria Vitória explicando pra Ana Clara que a área aumentava bem mais do que o perímetro quando dobrava os lados do quadrado. Ela fez um desenho rapidinho no caderno da amiga mostrando como ficava maior. Quando vi isso pensei: "Essas duas tão no caminho certo".
Os erros mais comuns desse conteúdo são bem previsíveis. Tipo o Bruno, ele sempre calcula só uma parte do perímetro ou esquece de multiplicar os lados quando vai achar a área. E é comum ver a Isabela confundindo perímetro com área. Um dia ela veio me mostrar orgulhosa que tinha encontrado um valor enorme pro perímetro de um quadrado pequeno porque ao invés de somar os lados, ela multiplicou errado pra achar a área achando que era a mesma coisa.
Esses erros normalmente vêm daquela pressa em terminar logo pra ir pro recreio ou de pura confusão mesmo sobre como as fórmulas se aplicam na prática. Quando pego esses errinhos na hora, prefiro chamar o aluno na minha mesa ou sentar ao lado dele e perguntar como ele chegou naquele resultado. Aí vou guiando ele a repensar cada passo até perceber onde foi que saiu dos trilhos.
Agora os desafios maiores são com o Matheus e a Clara. O Matheus tem TDAH e se distrai muito fácil em atividades longas demais ou sem variedade. Pra ele, eu comecei a introduzir intervalos curtos nas tarefas ou dividir uma atividade grande em partes menores com pequenos prêmios no final de cada etapa — pode ser até um elogio já vale muito pra ele! E ele adora usar materiais manipulativos tipo blocos geométricos porque mantém ele engajado. Só preciso tomar cuidado pra não deixar esses materiais virarem brinquedo durante toda aula.
Já com a Clara, por causa do TEA (Transtorno do Espectro Autista), às vezes ela precisa de uma explicação mais visual e direta sem muita informação ao mesmo tempo. Eu tento criar alguns cartazes simples com passos bem claros pros cálculos de perímetro e área que ficam colados na sala num cantinho só dela — funcionam como lembretes visuais pras etapas das contas.
Teve uma estratégia que tentei e acabei mudando depois porque não rolou: no começo eu dava folhas cheias de problemas complexos esperando que eles fossem acompanhando conforme iam entendendo melhor o conteúdo, mas percebi que tanto pro Matheus quanto pra Clara isso gerava ansiedade demais por parecer impossível no início.
A gente vai aprendendo junto com eles também né? No fim das contas é isso: observar os alunos no dia-a-dia, ajustar as atividades pras necessidades deles e ir sempre mantendo aquele diálogo aberto sobre onde estão avançando ou travando no entendimento.
Então é isso pessoal! Esses são alguns jeitos de ver se estão aprendendo mesmo sem provas formais e alguns desafios comuns na sala de aula com estratégias que tentamos por aqui em Goiânia.. E vocês? Como têm lidado aí nas suas escolas? Termino aqui mas tô curioso pra saber das experiências de vocês também! Abraço!