Olha, essa habilidade EF08MA12 é daquelas que a gente precisa quebrar em pedaços menores pra galera entender, sabe? A essência dela é identificar como duas coisas, dois números mesmo, se relacionam. Podem estar se relacionando de forma que, quando uma cresce, a outra cresce junto (diretamente proporcionais), ou que quando uma aumenta, a outra diminui (inversamente proporcionais), ou ainda que não tem relação nenhuma clara entre elas (não proporcionais). Então, no fim das contas, a ideia é que os alunos consigam olhar pra duas grandezas e expressar de forma algébrica essa relação ou a falta dela. E ainda, depois, eles vão colocar isso num gráfico, no plano cartesiano.
A molecada já vem do sétimo ano com alguma noção de contas com frações e proporções mais básicas. Isso ajuda porque eles entendem que dois valores podem ter uma relação fixa. Tipo assim: se você dobrar o número de lanches, o preço dobra também. Já ouviram falar disso antes. Mas agora, no oitavo ano, a coisa fica mais sofisticada. Precisamos ir além de ver a relação numa tabela — agora é identificar se é direta ou inversa e depois passar isso pra um gráfico e ainda escrever aquela relação como uma equação.
Uma das atividades que faço é a "Feira de Preços". Uso papel quadriculado e marcadores coloridos. Divido os alunos em grupos de 4 ou 5 e dou um tempo médio de 45 minutos. Cada grupo recebe uma tabela com informações como quantidade de frutas e preços correspondentes. Aí eu falo: “Beleza, galera, agora analisem aí se essas frutas têm uma relação diretamente proporcional com o preço.” Eles vão preencher o papel quadriculado desenhando gráficos e tentando encontrar a equação que descreve essa situação. A reação da turma é sempre animada. Quando fiz essa atividade da última vez, o João e a Ana ficaram brigando pra ver quem desenhava o gráfico mais rápido. Aí o Pedro, que é bem curioso, começou a perceber que algumas relações não eram proporcionais e ficou todo empolgado em mostrar pros amigos.
Outra atividade interessante é "Corrida das Formas". Uso carrinhos de brinquedo com pesos diferentes e uma rampa improvisada na sala (feita com uma tábua). Os alunos precisam prever qual carro vai chegar primeiro ao final da rampa dependendo do peso. Divido a galera em duplas e, dessa vez, leva uns 30 minutos. Eles anotam o tempo de descida em função dos pesos e tentam identificar qualquer tipo de proporcionalidade entre peso e velocidade. Da última vez que fizemos isso, o Lucas estava convencido de que o carro mais leve sempre chegaria primeiro por ser mais rápido — mas quando viu os resultados discrepantes no gráfico que ele mesmo fez, ficou surpreso e foi entender melhor como as variáveis estavam relacionadas.
A terceira atividade é mais teórica — chamada de "Desafios Matemáticos". Uso apenas o quadro branco e canetas coloridas pra deixar mais visual. Coloco alguns problemas escritos no quadro em que os alunos precisam identificar o tipo de relação entre grandezas apenas lendo as descrições. Isso leva uns 20 minutos e faço com a turma toda participando ao mesmo tempo. Cada aluno dá sua opinião sobre qual tipo de relação vê ali e justifica sua resposta. Na última vez que fiz isso, a Mariana insistiu bastante que uma determinada situação era inversamente proporcional e quase convenceu todo mundo com seus argumentos até que o Rafael percebeu um erro nos cálculos dela.
No fim das contas, eu sempre sinto que essas atividades ajudam os meninos a não só compreenderem melhor os conceitos matemáticos mas também a desenvolverem habilidades de argumentação e trabalho em equipe. É um tema difícil pra muitos deles — às vezes aparecem olhares meio perdidos — mas quando eles conseguem fazer um gráfico certinho ou encontrar uma equação correta, dá até um brilho no olho deles. E isso é muito gratificante pra mim também.
Então é isso aí! Se vocês tiverem outras dicas ou querem compartilhar como trabalham essa habilidade na sala de vocês, tô curioso pra saber! Compartilhar ideias sempre ajuda a gente a melhorar na prática do dia a dia. Valeu!
Agora, continuando o papo sobre como eu vejo que os meninos e as meninas aprenderam essa habilidade EF08MA12 na prática. Bom, nem sempre a gente precisa de uma prova, né? Tem várias maneiras de perceber se eles sacaram o conteúdo. Normalmente, quando eu tô circulando pela sala, já dá pra sentir quem tá mais ligado no que tá rolando. É só ficar de olho nas conversas entre eles ou quando um aluno toma a dianteira pra explicar pro outro. Aí, é só alegria!
Teve um dia que eu tava circulando pela sala e o Pedro, um daqueles que sempre tá na dele, tava explicando pro Lucas como ele podia usar a proporção direta pra resolver um probleminha de matemática. Ele disse algo tipo “Olha, Lucas, pensa assim: se tu tem 2 maçãs e 4 alunos, e aí tu dobra as maçãs pra 4, tu vai ter que dobrar os alunos também”. Na hora eu pensei: “Pronto, o Pedro entendeu mesmo!” Outra situação foi com a Ana. A Ana é super comunicativa e adora ajudar os outros. Eu ouvi ela falando pra Clara “Então, se a gente aumenta a quantidade de livros e gasta menos tempo lendo cada um, isso é uma proporção inversa.” E aí ela desenhou aquilo no caderno pra Clara ver.
E claro, não tem como esquecer que os erros também contam muito no aprendizado. Os erros mais comuns que os meninos cometem são aqueles ligados a confundir proporção direta com inversa. Tipo, o Joãozinho uma vez tava fazendo uma atividade e ele achou que quando aumentava a quantidade de tinta usada numa pintura, aumentava o tempo também de forma direta. Aí tive que chamar ele e mostrar que era o contrário: mais tinta cobre mais rápido a mesma área. Isso geralmente acontece porque na pressa do dia a dia eles não param pra pensar nas relações reais entre as grandezas.
Costumo usar exemplos do dia a dia pra corrigir esses erros na hora. Tipo, quando alguém erra pensando que ao aumentar o número de trabalhadores numa obra o tempo também aumenta de maneira direta. Eu paro tudo e falo: “Imagina que cada trabalhador faz um pedaço da obra. Se você tem mais gente trabalhando, o tempo vai diminuir né?”. Isso ajuda bastante eles a visualizarem a situação.
Agora sobre o Matheus e a Clara... Eles são uns queridos da turma! O Matheus tem TDAH e precisa de algumas adaptações pra conseguir focar melhor nas atividades. Uma coisa que faço é dividir as atividades em partes menores com pequenas pausas entre elas. Isso ajuda ele a não se perder no meio da explicação. E claro, sempre dou um retorno positivo quando ele acerta algo ou se esforça. Outro ponto é o uso de materiais visuais bem coloridos e manipuláveis tipo cubos ou cartas com números.
Já a Clara, que tem TEA, funciona um pouco diferente. Ela precisa de ambientes mais tranquilos, então às vezes coloco ela num cantinho mais calmo da sala. Também uso cartões com imagens que representam relações proporcionais do cotidiano pra ela visualizar melhor e entender as coisas no tempo dela. Com a Clara eu aprendi que é importantíssimo respeitar o tempo dela nas respostas e sempre usar uma linguagem bem clara e direta.
O que não funcionou tanto foi quando tentei introduzir leitura longa demais nos problemas pro Matheus; ele acabou se dispersando mais do que o normal. Pro Matheus, as instruções precisam ser curtas e diretas. E pra Clara, uma vez usei um jogo que tinha muito estímulo visual e sonoro ao mesmo tempo; isso deixou ela agitada. Então precisei ajustar essas abordagens.
No fim das contas, o importante é ir ajustando conforme vai observando o que funciona ou não com cada um deles. E assim vamos seguindo na missão de ensinar com carinho e jeitinho!
Espero que vocês também compartilhem suas experiências porque aprender junto é sempre melhor! Até a próxima!