Olha, essa habilidade EF01GE03 da BNCC é uma daquelas que a gente consegue trabalhar de forma bem prática e divertida com os meninos do 1º ano. A ideia é que eles consigam perceber e entender as semelhanças e diferenças de como a gente usa os espaços públicos, como as praças e os parques. Na prática, quer dizer que eles têm que conseguir olhar pra esses lugares e perceber se eles são mais usados pra brincar, pra caminhar, pra encontros de família, essas coisas. E além disso, relacionar essas atividades com as diferentes formas como as pessoas vivem e ocupam os espaços.
Quando a gente fala em crianças do 1º ano, eles já vêm do Infantil com alguma vivência de espaços públicos, mas muitas vezes ainda não pararam pra pensar no "como" esses espaços são usados. Eles até sabem que a praça do bairro tem um parquinho ou que o parque grande da cidade tem um lago bonito, mas o que a gente quer é que eles olhem pra esses lugares e comecem a entender o papel deles no dia a dia da cidade e das pessoas. Então, basicamente, é ajudá-los a fazer essas conexões, tipo entender que o mesmo parquinho pode ser usado de manhã pelos pais com bebês em carrinhos e à tarde pelos adolescentes andando de skate.
Agora vou contar três atividades que faço na minha sala pra ajudar nesse aprendizado. A primeira é uma visita a uma praça perto da escola. Olha só, não tem material mais simples: só precisamos dos nossos olhos e ouvidos. A turma toda vai junto, claro supervisionada por mim e algumas outras professoras ou estagiários para ajudar na segurança. Na última vez que fizemos isso, levamos uns 40 minutos na praça. Começamos com os alunos andando livremente pelo espaço, sentindo o ambiente. Depois disso, sentamos num círculo na grama e começamos a discutir o que cada um viu: quem tava lá, o que estavam fazendo. É impressionante como os pequenos observam coisas que a gente nem sempre nota. O Joãozinho, por exemplo, comentou sobre uns idosos jogando dama num cantinho da praça e aí puxamos uma conversa sobre como algumas pessoas usam aquele espaço pra se encontrar e socializar. Os alunos costumam adorar essa atividade porque saem da sala de aula e têm liberdade para explorar.
A segunda atividade é mais dentro de sala mesmo. A gente faz uma maquete colaborativa do parque ou praça que visitamos. Aqui preciso de papelão, cola, tesoura, papéis coloridos e uns bonequinhos de brinquedo pra representar as pessoas. Divido a turma em grupos pequenos de 4 ou 5 alunos e cada grupo fica responsável por uma parte da maquete: o parquinho, as áreas de caminhada, os bancos, etc. Levamos normalmente umas duas aulas pra montar tudo. As crianças adoram colocar os bonequinhos nos lugares e criar pequenas histórias sobre o que aquelas "pessoas" estão fazendo ali no parque. Na última vez, a Maria inventou um picnic na maquete com bonecos e pedaços de papel simulando comida. Essas histórias são ótimas porque ajudam eles a visualizar atividades reais nesses espaços.
E aí vem a terceira atividade: um desenho ou colagem sobre como eles gostariam que fosse o espaço público dos sonhos deles. Aqui não tem certo ou errado; cada um faz do jeito que quiser. Eles podem desenhar ou recortar revistas para colar as figuras num papel grande. O material é simples: lápis de cor, revistas velhas, tesoura e cola. Essa atividade leva mais ou menos uma aula inteira. O legal é ver como cada criança tem uma visão diferente do espaço público ideal: alguns desenham parques cheios de brinquedos legais, outros preferem espaços mais calmos com muita natureza ao redor. Na última vez que fizemos isso, o Pedro criou um "parque aquático", cheio de piscinas e toboáguas desenhados. As crianças costumam ficar super empolgadas nessa parte porque deixa eles usarem bastante a imaginação.
Essas atividades ajudam não só na habilidade geográfica em si mas também no desenvolvimento social das crianças porque eles aprendem a trabalhar juntos nos projetos coletivos e respeitar as ideias dos colegas nas atividades criativas. Trabalhando sempre dessa forma prática e direta consigo ver o quanto eles evoluem durante o ano letivo em relação ao entendimento do espaço onde vivem.
Bom, acho que é isso aí galera! Espero ter dado umas ideias bacanas! Se alguém tiver outras sugestões ou perguntas, estou por aqui! Abraço!
Quando a gente fala em perceber que os alunos aprenderam sem precisar de prova formal, eu gosto de ficar atento ao jeito que eles interagem uns com os outros e com os espaços que a gente estuda. Pra mim, um dos sinais mais claros de que eles entenderam é quando eles começam a usar o vocabulário certo nas conversas do dia a dia. Às vezes, eu tô lá circulando pela sala enquanto eles fazem um trabalho em grupo ou desenham mapas simples, e ouço o Pedrinho explicando pra Bia que "aquele parque é mais legal pra andar de bicicleta porque tem uma ciclovia", ou a Júlia comentando que "a praça perto da nossa escola tem muito espaço pra jogar bola". É nessa hora que eu percebo que caiu a ficha, sabe?
Teve uma vez que estávamos fazendo um passeio pela escola, e a Ana Clara apontou pra área de convivência ao lado da cantina e falou pro amigo: "Aqui é onde todo mundo se encontra na hora do recreio, parece aquelas praças do bairro onde as pessoas ficam conversando". Aí, eu pensei: “Ah, essa entendeu!” Porque ela conseguiu relacionar o conceito do que a gente discutia em sala com o ambiente dela.
Os erros mais comuns que aparecem quando os meninos estão começando a trabalhar essa habilidade têm muito a ver com confusões sobre quais atividades acontecem em quais espaços. O João, por exemplo, um dia me disse que achava que a academia de ginástica era um espaço público como um parque. Aí, eu percebi que ele estava misturando as bolas por conta das atividades. Ele via as pessoas se exercitarem lá e não estava entendendo bem a diferença entre público e privado.
Quando pego esses erros na hora, tento tirar a dúvida sem constranger. Expliquei pro João assim: "Olha, a gente vai na academia quando paga pra usar, é como se fosse um clube. Já o parque todo mundo pode ir e não precisa pagar." Sempre busco dar exemplos que façam sentido pra realidade deles e usarem coisas do dia a dia.
Agora, sobre o Matheus, que tem TDAH, eu tento sempre adaptar o ambiente e as atividades pra ele não se perder no meio do caminho. Primeiro, comecei deixando ele mais perto de mim durante as explicações. Aí ele consegue focar melhor. Também uso materiais visuais coloridos porque percebo que ele responde muito bem às cores. Sempre que possível, incluo jogos rápidos entre as atividades pra dar uma quebrada no ritmo e conseguir trazer ele de volta pro foco.
Com a Clara, que tem TEA, o desafio é diferente. Ela se dá melhor com uma rotina bem estruturada e previsível. Eu sempre mostro o cronograma do dia pra ela antes de começar qualquer coisa nova. Uma coisa que funciona bem com ela é o uso de cartões com imagens para cada tipo de espaço público: praça, parque, quadra esportiva... Ela adora quando pode organizar essas imagens numa colagem ou num mural. Achei interessante observar como ela gosta de relacionar cada espaço com sentimentos; por exemplo, um parque pode ser "alegria" porque vê crianças brincando lá.
É claro que nem tudo funciona sempre do jeito que a gente planeja. Já tentei usar música durante as atividades achando que ia ajudar tanto o Matheus quanto a Clara a se acalmarem e focarem, mas foi um tiro no pé. O Matheus ficou agitado demais tentando acompanhar o ritmo da música com os pés batendo no chão, e a Clara tapou os ouvidos por causa do excesso de estímulo.
Bom, é isso! A gente segue experimentando e ajustando as velas conforme o vento muda porque cada turma é única e cada aluno tem seu jeito especial de aprender. E vocês aí? Como lidam com essas diferenças dentro da sala? Vamos trocar umas ideias! Até mais!