Olha, essa habilidade EF03GE01 da BNCC é uma daquelas que a princípio parece meio complicada, mas quando a gente começa a trabalhar em sala de aula, dá pra ver que faz todo sentido. Na prática, o que a gente quer é que os alunos consigam identificar e entender as diferenças e semelhanças entre aspectos culturais dos grupos sociais onde vivem. Isso pode ser na cidade, no campo, ou qualquer outro lugar que eles conheçam. Na verdade, é ajudar os meninos a perceberem como o lugar onde vivem influencia o jeito de ser, de viver das pessoas.
Pra turma do 3º ano, a ideia é que eles consigam olhar ao redor e identificar coisas tipo: "Ah, aqui na nossa rua tem um monte de gente que faz festa junina com fogueira", ou "Lá na chácara do meu avô eles fazem um almoço todo domingo com todo mundo junto". É saber que esses costumes fazem parte da cultura daquele grupo social. E isso se conecta bastante com o que eles já viram nas séries anteriores sobre convivência, sobre respeitar as diferenças, sabe? Então, a gente só tá ampliando a visão deles do quintal de casa pro bairro, da cidade pro campo.
Agora vou contar de três atividades que faço aqui na minha sala pra trabalhar isso com a galera.
A primeira atividade que gosto de fazer é uma roda de conversa. Aí, eu trago pra sala algumas fotos impressas ou até mostro no projetor mesmo. São imagens de festas típicas, comidas regionais, e coisas do tipo tanto do campo quanto da cidade. Não precisa ser nada complicado, eu mesmo pego essas imagens na internet e imprimo em casa. A turma fica em círculo e vamos conversando sobre o que eles veem nas fotos. Essa atividade leva umas duas aulas de 50 minutos. É legal porque eles começam a se empolgar pra contar experiências pessoais. Da última vez que fizemos isso, o João se lembrou de uma festa na fazenda dos tios onde comeu pamonha pela primeira vez e começou a perguntar pros colegas quem mais já tinha comido pamonha e onde foi.
Outra atividade que dá super certo é a visita guiada. Pode ser no bairro ou em alguma área próxima à escola. Aí eu organizo o passeio com antecedência e levo um caderninho pro pessoal anotar coisas interessantes que encontrarem pelo caminho: como são as casas, se tem muita praça ou não, quantas árvores tem na rua... coisas assim. O objetivo é perceberem as características culturais desse espaço urbano. Dura uma manhã inteira, mas vale muito a pena porque eles voltam cheios de histórias pra contar. Na última vez, a Maria viu uma banca de revistas com um monte de livros antigos e ficou fascinada ao descobrir que algumas revistas eram colecionáveis.
Por fim, tenho uma atividade que sempre rende boas histórias: a entrevista com alguém mais velho da família ou da comunidade. Peço pra cada um dos alunos conversar com um avô, avó ou alguém da família mais velho sobre como era a vida antigamente no lugar onde moravam. Eles trazem as histórias pra sala e compartilhamos num mural coletivo. Esse mural fica exposto por um tempo pros outros anos verem também. Quando o Pedro entrevistou o avô dele, descobriu que ele tinha participado da construção de uma ponte antiga daqui da cidade! Foi um alvoroço porque todo mundo queria saber mais sobre essa história.
A turma fica muito engajada nesse tipo de atividade porque é algo concreto pra eles. Não é só teoria, não é só livro didático. É o mundo deles ali fora ganhando vida dentro da sala de aula. O desafio maior é mediar todas essas informações pra não virar bagunça, mas no geral funciona bem. Acho importante também sempre linkar tudo isso com respeito às diferenças culturais que vão aparecendo nas conversas.
Bom, essa é mais ou menos minha estratégia pra trabalhar essa habilidade tão rica e necessária pros meninos entenderem mais sobre o mundo em volta deles. Pra mim, ver os olhos deles brilhando quando descobrem algo novo sobre o lugar onde moram é gratificante demais. E aí na sua escola? Como vocês trabalham isso?
Olha, pra perceber se os alunos realmente aprenderam essa habilidade, eu fico de olho em várias coisas no dia a dia. Quando eu tô circulando pela sala e vejo a galera discutindo entre eles, sei lá, sobre como a feira livre do bairro deles é diferente do mercado que tem lá no centro, já é um sinal que eles tão pegando o jeito da coisa. Outro dia, ouvi a Mariana explicando pro João que no bairro dela tem uma festa junina organizada pela associação de moradores e que essa festa é diferente das festas que acontecem na escola. Aí a gente percebe que eles tão começando a entender a influência das tradições locais.
Teve uma vez que estava rolando uma atividade em grupos e o Lucas comentou algo sobre como o avô dele sempre fala do quanto a cidade mudou desde que ele era criança. O legal é ver quando eles começam a conectar essas histórias pessoais com o conteúdo que estamos trabalhando. Isso mostra que estão realmente internalizando a ideia de como o ambiente e as tradições influenciam a vida das pessoas.
Mas claro, sempre tem aqueles erros comuns, né? Um erro que vejo direto é quando os meninos acham que todo mundo vive igualzinho a eles. Tipo, o Pedro um dia virou e falou que todo mundo tinha internet em casa pra fazer pesquisa. Aí eu precisei lembrar ele que na turma do ano passado tinham vários colegas que não tinham acesso fácil à internet em casa. Às vezes, eles também confundem tradições locais com coisas mais globais. Como quando a Júlia disse que todo mundo comemorava Halloween só porque ela e os amigos fazem isso todos os anos. Eu tento usar essas situações pra conversar sobre as diversidades e como nem todo mundo tem as mesmas experiências.
Quando percebo esses errinhos na hora, gosto de usar exemplos concretos. Então chamo eles pra conversar e dou um exemplo bem simples: "Vamos pensar na nossa cidade e nas diferentes formas de morar aqui. O que é igual? O que é diferente?". Isso ajuda eles a pensarem mais amplamente e entenderem que as experiências podem variar bastante.
Agora, falando do Matheus, ele tem TDAH, então precisa de algumas adaptações nas atividades. Eu sempre tento deixar instruções bem claras e divido as tarefas em partes menores pra ele não se sentir sobrecarregado. Também faço umas pausas mais frequentes durante as atividades pra ele poder se movimentar um pouco, o que ajuda bastante na concentração dele. Uma coisa que funcionou bem foi usar materiais visuais, tipo mapas e imagens ao invés de só texto. E ele adora quando pode usar o tablet pra explorar mapas interativos.
Com a Clara, que tem TEA, algumas estratégias são diferentes. Eu percebi que ela responde muito bem a rotinas bem definidas e previsíveis, então sempre aviso com antecedência sobre qualquer mudança nas atividades ou no cronograma da aula. Também uso suportes visuais pra ela entender melhor o conteúdo, como cartazes com símbolos e imagens referentes ao tema trabalhado. Durante as atividades em grupo, eu tento garantir que ela esteja num grupo onde os colegas já tenham uma interação legal com ela, porque facilita muito a comunicação.
Teve uma vez que tentei fazer uma atividade mais aberta onde eles podiam criar livremente uma espécie de maquete da cidade deles. Pro Matheus funcionou super bem, ele usou bastante do material visual disponível. Mas percebi que pra Clara foi mais desafiador porque eram muitas variáveis pra ela processar ao mesmo tempo sem uma estrutura definida. Acabei ajustando no meio da atividade, dando uma estrutura mais clara pra ela seguir, e aí fluiu melhor.
Bom, acho que por hoje é isso pessoal. É sempre um desafio encontrar maneiras de apoiar cada aluno do jeito que ele precisa, mas quando a gente vê eles pegando o jeito da coisa e fazendo essas conexões com a vida deles, dá aquela sensação boa de missão cumprida! Valeu por lerem até aqui!