Olha só, a habilidade EF03GE05 da BNCC é um daqueles temas que parece complicado à primeira vista, mas quando a gente coloca em prática, fica super legal e faz todo sentido pros meninos. Basicamente, o que a gente precisa fazer é ajudar os alunos a identificar de onde vêm os alimentos, minerais e outros produtos que usamos no dia a dia. E não é só isso. Eles também têm que entender como essas coisas são cultivadas ou extraídas da natureza e como essas atividades de trabalho se diferenciam dependendo de onde estão acontecendo.
A ideia é que o aluno consiga olhar para um prato de comida e saber que o arroz vem do campo, o feijão também, o leite da vaca e por aí vai. E mais: ele deve saber que o arroz plantado aqui no Centro-Oeste pode ser diferente do plantado lá no Sul, porque as condições de trabalho e o jeito de plantar mudam. É um jeito de mostrar pra molecada que aquele lanche que eles comem na merenda percorreu um caminho até chegar ali.
E isso se conecta com o que eles já aprenderam antes sobre tipos de paisagens e como o ser humano transforma o espaço. Na série anterior, eles já tinham visto sobre diferentes tipos de moradia e algumas atividades econômicas. Agora é aprofundar isso com foco no mundo do trabalho e nas matérias-primas.
Então, olha só como faço isso na prática com a minha turma do 3º ano:
Primeiro, a gente faz uma atividade que eu chamo de “A Origem do Meu Almoço”. O material é simples: papel, lápis de cor e imagens recortadas de revistas ou impressas da internet de alimentos e produtos. Divido a turma em grupos pequenos, uns quatro ou cinco alunos em cada. Nessa atividade, cada grupo escolhe um alimento - tipo arroz, carne ou leite - e precisa traçar um "caminho" desde a origem até chegar ao prato deles. Essa atividade leva uma aula inteira, mais ou menos uns 50 minutos, porque eles começam discutindo entre si e depois precisam montar um cartaz explicativo.
Da última vez, o grupo da Ana escolheu o feijão. Eles desenharam uma plantação bem caprichada, com as fases do crescimento da planta. A Ana ficou toda animada contando que o avô dela planta feijão e por isso ela sabia direitinho como era. A turma toda ficou interessada nisso e fez várias perguntas pra ela.
Depois, faço um jogo chamado “O Que é Daqui?” pra reforçar a comparação entre atividades de trabalho em diferentes lugares. Pra isso uso cartões com nomes e imagens de alimentos e produtos comuns daqui de Goiás e de outros estados. Todo mundo fica numa roda e eu distribuo os cartões aleatoriamente. Aí vou chamando os alunos para vir na frente e associar os cartões com os lugares corretos num mapa grande na parede.
Essa atividade é rápida, uns 20 minutos, mas super divertida e gera muita discussão. Na última vez, o Pedro estava com um cartão de soja e colocou no Paraná. Aí a Júlia levantou a mão rapidinho pra corrigir ele e disse que Goiás também tem muita soja porque o pai dela trabalha numa fazenda aqui mesmo. Isso faz eles perceberem essa questão das diferenças regionais.
Por último, gosto de trabalhar um pouco de pesquisa com eles. Peço pra turma trazerem informações sobre algum produto que eles usam em casa – pode ser desde alimentos até objetos do dia a dia – pra compartilhar com os colegas em sala. Eles podem entrevistar alguém da família ou procurar na internet (com ajuda dos pais). Essa atividade geralmente leva uns dois dias pra preparar em casa e mais uma aula pra apresentar.
É muito bacana ver como eles ficam empolgados quando trazem essas informações novas pros colegas. Um tempinho atrás, o Lucas trouxe um potinho com terra dizendo que era minério porque tinha aprendido que esse tipo de terra contém ferro, usado na fabricação de aço. Ele ficou super contente explicando isso pros amigos.
No fim das contas, trabalhar essa habilidade é sobre abrir os olhos da criançada pro mundo ao redor deles – mostrar que o que tá no prato tem uma história por trás. E é gratificante ver aquela luzinha acendendo na cabecinha deles quando percebem isso. Vamos seguindo nessa missão de formar cidadãos conscientes! Valeu pessoal!
A ideia é que o aluno consiga olhar para um prato de comida e saber de onde vem aquele arroz, por exemplo, e o que é preciso para ele chegar até a mesa. E olha, perceber que eles aprenderam isso vai além de aplicar uma prova formal. Durante as atividades, enquanto eu circulo pela sala, dá pra ver no olhar dos meninos quando a ficha caiu. Tipo, outro dia eu tava passando entre as carteiras e escutei a Júlia explicando pro Pedro que o açúcar que a gente usa no suco vem da cana-de-açúcar que é plantada lá no campo. E ela fez isso com tanta confiança e simplicidade que eu pensei: "pronto, essa entendeu". É nessas conversas espontâneas que você percebe quem pegou o conteúdo.
E não é só isso. Quando a gente faz uma daquelas atividades práticas, como plantar feijão no algodão, dá pra ver quem tá ligando os pontos. O Lucas, por exemplo, estava todo empolgado contando pro grupo dele como a raiz do feijoeiro absorve a água e ajuda a planta a crescer. Isso me mostrou que ele realmente entendeu o ciclo de vida da planta e como ela se relaciona com o ambiente ao redor.
Agora, falando dos erros mais comuns que os alunos cometem... Olha, algo que vejo bastante é eles confundirem os produtos naturais com os industrializados. Tipo uma vez, o Gabriel jurava de pé junto que o refrigerante vinha direto do pé de algum tipo de fruta. Aí eu tive que dar aquela parada, explicar com calma sobre o processo de fabricação nas fábricas, e como ele é diferente do cultivo de alimentos naturais. Outro erro frequente é não relacionar o local geográfico com a atividade econômica correta. A Mariana, por exemplo, associou a mineração ao cultivo do café porque ela sabia que Minas Gerais faz as duas coisas muito bem. Aí tive que explicar pra ela direitinho como cada atividade depende das condições locais específicas.
E quando eu pego esses erros na hora, tento usar exemplos concretos ou fazer uma pergunta que instigue eles a pensarem melhor na resposta. Isso ajuda muito mais do que só corrigir direto e pronto.
Agora sobre lidar com o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA na turma... Bom, com o Matheus, eu percebi que atividades mais dinâmicas funcionam melhor. Ele se sai muito bem em atividades em grupo e em tarefas práticas, onde ele pode mexer com as mãos. Então sempre tento incluir essas opções nas aulas. Pra ele, uso muito material visual também porque ajuda a manter o foco. Agora, coisas que exigem longos períodos sentado e ouvindo são um desafio grande pra ele. Já tentei trabalhar com áudios curtos no começo e deu certo.
A Clara já é outra história. Com ela, preciso ser mais cuidadoso com as instruções dadas e costumo usar cartões visuais para ajudar na comunicação. Ela se beneficia muito de um ambiente previsível e rotineiro. Então faço um cronograma visual das atividades do dia pra ela saber o que esperar. Outra coisa é dar mais tempo pra ela processar as informações. Algo que funcionou foi criar um espaço tranquilo na sala onde ela pode ir quando precisa se acalmar ou quando a aula tá muito agitada.
Aí gente, é isso! Cada dia na sala de aula é uma descoberta e tanto pra mim quanto pros alunos. Espero que essas histórias possam ajudar outros professores por aí também! Até mais e boa sorte nas salas de vocês!