Olha, quando a gente fala da habilidade EF03GE02, é basicamente fazer os meninos olharem pra cidade e pro campo e entenderem que o lugar onde eles vivem tem um monte de histórias misturadas de gente que veio de tudo quanto é canto, sabe? É sobre ver aquelas marquinhas que os nossos ancestrais deixaram, tipo a comida que a gente come, as festas que celebramos, os prédios antigos, até o jeito de falar da galera. A ideia é que eles consigam ver essas influências no dia a dia deles, reconhecer que nada surge do nada, que tudo tem um porquê. Isso conecta muito com o que eles aprenderam no 2º Ano, quando falaram sobre a comunidade deles, os bairros, as pessoas importantes no entorno. Agora, é como se amarrassem tudo isso pra olhar mais a fundo as diferentes origens culturais e econômicas.
Bom, uma atividade que eu faço pra trabalhar essa habilidade é o “Mapa das Origens”. Uso aquele mapa grande da cidade de Goiânia que peguei na escola mesmo e uns post-its coloridos. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco, dependendo do número de alunos. Aí dou uns 30 minutos pra cada grupo discutir com os colegas em casa sobre suas famílias: de onde vieram, quando chegaram aqui, se trouxeram alguma coisa da cultura deles. Depois eles colam os post-its no mapa indicando esses lugares de origem das famílias. Cara, na última vez que fiz isso, o Lucas ficou super animado porque descobriu que o bisavô dele tinha vindo do Japão e começou a contar pra turma toda sobre as comidas típicas japonesas que ainda fazem em casa. Isso faz os meninos perceberem que são parte de uma história maior.
Outra atividade legal é um passeio pelo bairro. A gente escolhe um dia de manhãzinha e vai andando mesmo, conversando sobre o que aparece pelo caminho: uma estátua aqui, um prédio antigo ali, o nome das ruas. Dá pra pedir autorização pra escola e levar uns 8 ou 10 alunos por vez. Gasto umas duas horas fácil nessa atividade. Na última vez, a Sofia apontou uma igreja toda bonitona e perguntou por que tinha uma cruz tão diferente em cima. Eu expliquei sobre as diferentes religiões e como elas chegaram aqui com os imigrantes. Eles ficam surpresos quando percebem que aquela padaria da esquina com pão bem diferente veio de influência italiana ou alemã.
Uma das atividades mais divertidas é a Feira Cultural. Pego uma manhã inteira pra essa atividade. A ideia é cada aluno ou dupla escolher uma cultura presente na cidade, preparar uma apresentação curtinha ou trazer algum objeto típico e explicar pros colegas. Deixo eles bem livres pra explorar o assunto como quiserem - desde trazer um prato típico até uma dança ou música. Eles usam cartolina pra anotar os pontos principais e decorar a mesa. No último ano, a Ana trouxe brigadeiro e explicou que isso só existe no Brasil mesmo e falou sobre como faz parte das festinhas daqui desde sempre. A galera adorou porque comer brigadeiro é sempre bom né? Na verdade, até pedi pros alunos experimentarem a comida dos colegas e depois contar o que acharam.
Essas atividades são maneiras dos meninos verem na prática como a cidade é cheia dessas contribuições culturais e econômicas. Eles aprendem realmente observando e participando das histórias vividas por suas próprias famílias e pela comunidade ao redor deles. Claro que tem sempre aquele aluno mais tímido que demora um pouco pra se soltar, mas aí eu vou dando uma força, incentivando a compartilhar aos poucos.
É bacana ver como eles começam a olhar pra cidade com outros olhos depois disso tudo, sabem? Eles ficam mais conscientes do tanto de história que tem por trás das coisas mais simples do dia a dia deles e começam a valorizar mais essas diferenças todas. Termino cada uma dessas atividades com uma roda de conversa pra eles falarem o que aprenderam e o que mais gostaram – eu acho importante dar esse espaço pros meninos refletirem juntos sobre essas experiências.
E é isso aí gente! Se alguém tiver mais ideias ou quiser compartilhar experiências parecidas nas suas turmas também, seria ótimo trocar essa figurinha! Até porque educar é isso: compartilhar e aprender junto sempre!
E quando a gente quer saber se os alunos realmente entenderam essa habilidade sem precisar de uma prova formal, bom, aí é só ficar atento nos pequenos detalhes do dia a dia. A gente percebe no jeito que eles falam entre si ou nas perguntas que fazem. Olha, uma vez eu tava circulando pela sala enquanto eles faziam um trabalho em grupo e ouvi o João explicando pra Maria sobre como o centro da cidade tinha mudado de cara ao longo dos anos. Ele falava das lojas antigas que foram substituídas por prédios novos e fazia uma relação com os avós dele, que sempre contam histórias sobre como tudo era diferente antigamente. Aí eu pensei: "Ah, esse entendeu mesmo!".
Outra situação legal foi quando a Ana, toda empolgada, veio me contar que tinha visto uma casa antiga no bairro dela e perguntou se aquilo era uma dessas "marquinhas" dos nossos ancestrais. Ela tava conectando o que viu na rua com o que discutimos em sala de aula e isso pra mim é mais valioso do que qualquer prova.
Agora, falando dos erros mais comuns, tem uns que a gente vê bastante. O Pedro, por exemplo, sempre confunde quando a gente fala das influências culturais com as mudanças econômicas. Tipo assim, uma vez ele misturou tudo e disse que os prédios antigos eram preservados porque geravam dinheiro pro comércio local. Aí eu precisei parar tudo e explicar que uma coisa não necessariamente tá ligada à outra daquela forma. Ele tava misturando as ideias dos impactos culturais com os econômicos, sabe? Acho que esses erros acontecem porque às vezes eles tentam fazer ligações muito rápidas sem entender toda a complexidade.
Quando isso acontece na hora, eu gosto de usar exemplos concretos e visuais. Tipo explicar com imagens antigas e atuais de um mesmo lugar da cidade ou mostrar algum vídeo curto sobre mudanças urbanas. Isso ajuda a clarear bastante as coisas pra eles.
E tratando do Matheus e da Clara, sabe como é... cada um tem suas particularidades. O Matheus tem TDAH e vive numa pilha danada, sempre se mexendo e querendo fazer mil coisas ao mesmo tempo. Pra ele, eu tento fazer atividades que tenham pedaços curtos e bem definidos. Tipo assim: em vez de pedir pra ele fazer um texto longo de uma vez só, eu divido em partes menores com pausas curtas pra ele dar uma volta ou beber uma água. Isso ajuda ele a manter o foco por mais tempo.
Já a Clara, que tem TEA, precisa de um pouco mais de previsibilidade nas atividades. Eu sempre explico tudo antes claramente e uso muitas imagens porque isso ajuda ela a entender melhor o que a gente tá falando. A gente usa muito material visual como mapas coloridos ou fotos antigas e novas lado a lado. O que não rolou tão bem foi quando tentei usar só áudio pra explicar algo, ela ficou meio perdida, então deixei isso de lado.
Uma coisa legal é que esses materiais visuais não só ajudam eles dois especificamente mas acabam sendo ótimos pra turma toda, né? E aí, mesmo os alunos que não têm essas necessidades acabei percebendo que também curtem mais essa abordagem.
Bom, já falei demais por hoje! Espero ter conseguido ajudar vocês um pouco mais com essas ideias e histórias da sala de aula. Se alguém tiver alguma dica pra compartilhar ou dúvida sobre como lidar com essas situações, tamos aí! Até a próxima conversa!