Olha, essa habilidade EF05HI06 da BNCC é muito bacana, viu? Quando falo com os colegas mais novos, sempre tento explicar de uma maneira mais prática. A ideia aqui é fazer com que os meninos entendam como diferentes formas de comunicação e tecnologias têm sido usadas ao longo do tempo e o que isso significa, socialmente e culturalmente. Por exemplo, se a gente for pensar, a diferença entre uma história contada pela avó e um vídeo no Youtube é grande, né? Cada uma dessas formas de comunicação carrega significados diferentes e impacta a gente de maneiras diversas. O aluno precisa conseguir reconhecer essas diferenças e entender que tanto o que a gente fala quanto como a gente fala importa muito. Na prática, eles já vêm com alguma base disso do 4º ano, quando começam a perceber que a linguagem tem poder e que a maneira como se expressam pode mudar o jeito como as pessoas entendem as coisas. No 5º ano, então, a gente aprofunda mais essa discussão.
Uma das atividades que gosto de fazer é chamada “Contadores de histórias”. É simples mesmo. Eu peço para a galera trazer uma história que ouviu dos avós ou dos pais. Aí a gente organiza um cantinho na sala, tipo roda de conversa, sabe? Cada um tem seu momento de contar sua história. Costuma levar umas duas ou três aulas pra todo mundo participar. O material é só eles mesmos e as histórias deles, nada demais. E posso te falar? Eles amam! Ver o sorriso no rosto do João enquanto ele conta sobre as aventuras do avô no interior ou a Luana falando da bisavó que fazia milagres na cozinha é impagável. Além disso, também discutimos como essas histórias são passadas pela fala e como elas podem mudar dependendo de quem conta. Teve uma vez que a Maria Clara trouxe uma história cheia de detalhes da época dos bandeirantes, super empolgante! E isso gerou um debate legal sobre como essas histórias mudam quando escrevemos num livro comparado a quando falamos.
Outra atividade que dá certo é a análise de propagandas antigas e atuais. Aqui eu trago revistas antigas (ou fotos delas), comerciais antigos gravados em fita ou achados na internet mesmo, e também peço para eles trazerem exemplos de anúncios atuais que acham interessantes. A turma se divide em grupos (geralmente de 4 ou 5 alunos), e cada grupo fica responsável por analisar as diferenças na linguagem e no contexto das propagandas de diferentes épocas. A galera sempre se diverte tentando imitar as vozes dos comerciais antigos! Isso leva umas duas aulas também, porque primeiro eles analisam juntos e depois apresentamos para o restante da turma. Um dia desses, o Pedro Henrique fez uma comparação hilária entre um comercial antigo que prometia “produtos do futuro” com um comercial atual sobre tecnologia moderna. A turma toda riu muito, mas também refletiu sobre como as promessas mudaram ao longo do tempo.
A última atividade que faço está ligada à escrita e à tecnologia: criar uma linha do tempo da comunicação. Nós usamos cartolinas grandes, canetas coloridas e impressões de imagens da internet (que eles mesmos buscam em casa ou na escola se tiverem tempo). Cada grupo pesquisa sobre um período específico da história da comunicação — desde os primeiros desenhos nas cavernas até os dias atuais com as redes sociais. Leva umas três aulas ao todo: pesquisa, montagem e apresentação. Os alunos sempre se surpreendem com algumas coisas simples que não sabem, tipo como funcionavam os telégrafos ou a relevância dos jornais impressos antigamente. Na última vez que fizemos, o Miguel quase não acreditou quando descobriu que seus bisavós não tinham TV quando eram crianças! Essas descobertas geram discussões ótimas sobre como cada nova tecnologia impactou as gerações.
No fim das contas, o mais gratificante é ver como eles começam a perceber o valor das diferentes formas de comunicação ao longo da história e o impacto disso tudo nos dias atuais. Os alunos vão embora com uma visão mais completa de como a linguagem e as tecnologias moldaram (e continuam moldando) o nosso mundo social e cultural. E isso é coisa pra vida toda, né? Bom, vou ficando por aqui. Espero ter ajudado quem tá começando nessa jornada ou mesmo quem só queria trocar uma ideia sobre como trabalhar essa habilidade em sala! Até mais!
ecer essas nuances, entender que cada meio tem suas próprias características e que isso influencia a mensagem. Agora, como é que eu sei que os meninos estão entendendo isso sem aplicar prova formal? Aí é que entra o dia a dia na sala de aula.
Olha, é assim: eu percebo muito pelo jeito que eles conversam entre si. Quando estou circulando pela sala, gosto de ouvir as interações. Teve uma vez, por exemplo, que o Lucas tava explicando pra Maria como as histórias em quadrinhos e os podcasts são maneiras diferentes de se contar a mesma história. Ele usou até um exemplo do "Turma da Mônica" e um podcast sobre ciência que ouviu. Fiquei só escutando e pensei: "Ah, esse aí pegou a ideia direitinho". É nesses momentos que vejo que o aprendizado tá acontecendo.
Outra coisa é quando eles começam a fazer perguntas mais complexas ou relacionar com outros conteúdos. Tipo a Júlia, que do nada me perguntou se os memes de internet podem ser considerados uma nova forma de comunicação. Aí eu percebo que eles estão realmente captando a essência da coisa, porque tão indo além do que foi apresentado e tentando conectar com o mundo ao redor deles.
Mas claro, nem tudo são flores, né? Tem uns erros comuns que vejo com essa habilidade. Um erro clássico é confundir o meio com a mensagem. O João uma vez achou que porque algo tá na internet significa automaticamente que é verdade e importante. Ele trouxe uma notícia meio esquisita numa discussão em classe como se fosse um fato incontestável. Isso acontece porque os meninos às vezes ainda não desenvolveram aquela habilidade crítica para questionar as fontes e também porque a internet pode ser meio confusa mesmo pra entender o que é confiável ou não. Quando pego esse erro na hora, tento não desanimar eles. Ao invés disso, faço perguntas tipo: "Será que foi alguém confiável que escreveu isso? Onde você encontrou essa informação?". Isso ajuda eles a pensar melhor.
Aí tem aquele outro lado, onde entra o Matheus e a Clara. Cada um desses alunos precisa de um pouco mais de atenção e adaptação. O Matheus tem TDAH e fica difícil manter ele focado por muito tempo numa tarefa só. Então o que eu faço é dividir as atividades em pedaços menores. Em vez de pedir pra ele pesquisar sobre várias formas de comunicação, eu dou uma tarefa pequenininha: "Vamos ver só sobre rádio hoje?". E deixo ele mexer com materiais visuais também, tipo cartazes ou quadrinhos pra dar uma variada.
A Clara tem TEA e precisa um pouco mais de rotina e previsibilidade nas atividades. Com ela, sou bem claro nas instruções e sempre tenho cuidado em manter a linguagem direta e simples. Percebi que ela se deu muito bem com mapas visuais, então costumo usar esquemas ou fluxogramas para organizar as ideias. Esses materiais ajudam ela a juntar as peças do quebra-cabeça de uma forma mais concreta.
Uma coisa que tentei e não deu certo foi uma atividade em grupo onde eles tinham que criar uma pequena peça teatral sobre evolução das comunicações. O Matheus até ficou animado no começo, mas acabou perdendo o foco no meio do caminho por conta da agitação do grupo. A Clara ficou desconfortável com tanta interação ao mesmo tempo e se fechou. Então aprendi que preciso adaptar essas atividades pra que eles consigam participar sem pressão.
No fim das contas, cada turma tem seu jeito único e descobrir essas nuances faz parte do nosso trabalho como professor. O importante é estar sempre prestando atenção no que tá acontecendo na sala, porque cada dia é uma nova chance de aprender junto com eles também. E aí, como é com vocês? Alguma dica ou experiência interessante pra compartilhar sobre essa habilidade? Fico curioso pra saber como vocês lidam com as particularidades dos alunos também! Abraço!