Olha, trabalhar a habilidade EF01MA06 com os meninos do primeiro ano é um desafio e tanto, mas também é uma das partes mais legais de ensinar matemática. Quando a BNCC fala sobre "construir fatos básicos da adição", o que tá pedindo é que a criança consiga fazer aquelas continhas simples de cabeça, tipo 2 + 3, 4 + 1, essas coisas. O objetivo é que eles não só memorizem essas operações, mas também entendam o que tão fazendo, pra depois conseguirem usar isso pra resolver probleminhas do dia a dia. No ano anterior, no infantil ou no pré-escolar, eles já têm uma noção de quantidade, conseguem contar de 1 até 10, e alguns até passam disso. A ideia agora é pegar esse conhecimento e transformar em algo mais prático, pra que eles consigam somar sem ter que contar nos dedos ou precisar de um monte de apoio visual o tempo todo.
Uma atividade que eu faço e que dá super certo é a das "pedrinhas da soma". Bom, na verdade não são pedrinhas de verdade; eu uso tampinhas de garrafa. Tem sempre alguém juntando tampinha pra alguma coisa, aí a gente aproveita. Divido a turma em duplas ou trios, dependendo do dia, porque se não vira bagunça. Cada grupo recebe um saquinho com umas 20 tampinhas. A atividade dura cerca de meia hora. Eu começo mostrando como somar duas quantidades pequenas. Por exemplo: coloco 3 tampinhas numa linha e mais 2 na outra, aí pergunto quantas tampinhas tem no total. O legal é ver como as crianças reagem: o Joãozinho outro dia ficou todo empolgado quando percebeu que não precisava contar tudo de novo quando já sabia que eram 3 e depois só adicionou mais 2 mentalmente. A Ana Clara, que é mais tímida, sempre quer contar uma por uma, mas aos poucos ela tá pegando o jeito de pensar direto na soma.
Outra atividade envolve cartas de baralho, mas claro que não são cartas tradicionais; são aquelas cartinhas de números bem grandes e coloridas. Eu faço um jogo chamado "Batalha da Soma". As crianças jogam em grupos de quatro ou cinco. Cada um recebe um monte de cartas e coloca duas viradas pra cima. Eles têm que somar os números das suas cartas e ver quem tem a maior soma. Quem ganha fica com as cartas dos outros. No final do jogo, quem tiver mais cartas ganha. Essa atividade leva uns 40 minutos, porque precisa de uns minutinhos pra explicar as regras direitinho e organizar a galera. A parte mais legal é ver como eles começam devagar e depois vão ficando mais rápidos nas somas. Tipo, o Pedro é acelerado; ele já vai logo somando mentalmente enquanto os outros ainda estão olhando as cartas.
E também gosto muito do "sobe e desce do número". Usei numa aula que foi hilária! Faço assim: desenho uma escadinha no quadro com números escritos nos degraus, tipo 1 até 10. Cada aluno ganha um dado e joga pra ver quantas "casas" ele pode subir ou descer na escada dependendo da conta que eu proponho pra eles resolverem usando o resultado do dado mais um número fixo que eu escolho, tipo sempre adicionar 3. Se tirou 2 no dado, sobe pro número 5; se tirou 4, desce pro número 7... coisas assim. Isso ajuda muito na contagem progressiva e regressiva enquanto praticam a soma de números pequenos. Na última vez que fizemos isso, o Lucas chegou no topo da escada e vibrou como se tivesse ganhado uma corrida! É engraçado porque alguns têm que ser lembrados que descer na escada também faz parte do jogo e ajuda a praticar.
O grande lance dessas atividades é tornar tudo bem lúdico e próximo da realidade deles, porque criança aprende brincando; ainda mais nessa fase onde tudo é novidade. Eles adoram quando a aula vira quase uma competição amistosa; isso mantém eles engajados e ainda ajuda a fixar o conteúdo sem pressão. E você vai vendo aquela luzinha acender nos olhinhos deles quando percebem que tão começando a entender como as coisas funcionam. Assim a gente vai construindo o conhecimento tijolinho por tijolinho! Ah, e se alguém aí tiver alguma outra ideia ou variação dessas atividades pra compartilhar, tô sempre aberto! É bom trocar figurinhas com vocês sobre essas práticas.
Aí, galera, quando a gente fala de perceber se os alunos realmente entenderam o conteúdo de matemática sem aplicar aquelas provas formais, eu sempre digo que é na prática do dia a dia que a mágica acontece. Quando eu tô circulando pela sala, prestando atenção nas conversas entre eles, é ali que vejo quem tá sacando as coisas. Por exemplo, semana passada eu tava andando pela sala e vi o Pedro explicando pra Ana como resolver 3 + 2. Tipo assim, ele não só falou que era 5, mas ele mostrou com os dedinhos, depois usou uns bloquinhos de montar que a gente tem na sala. Ele dizia: "Ó, Ana, aqui tem três bloquinhos, e se eu coloco mais dois, olha aí quantos ficam juntos?" Quando eles conseguem explicar pra um colega, isso é um baita sinal de que entenderam.
Outra situação que me mostrou que a galera tá pegando o jeito foi no recreio. Às vezes eles levam uns joguinhos pra brincar e um dos jogos era aquele de cartas onde você tem que achar dois números que somam 10. Eu vi a Luísa e o Marcelo jogando e a Luísa tava super rápida, achando as duplas rapidinho enquanto explicava pro Marcelo: "Você precisa achar um número que junto com esse dá 10." Essa rapidez e segurança mostram que ela assimilou bem os conceitos.
Agora, falando dos erros mais comuns... Olha só, erro acontece e faz parte do aprendizado. Eu vejo muito os meninos confundindo o resultado quando tentam fazer soma na cabeça rápido demais. O Joãozinho, por exemplo, ele sempre pula uma etapa. Quando vai somar 4 + 3, muitas vezes diz "6". Ele pula uma casa porque tá querendo ganhar rapidez sem passar pela compreensão completa. Isso acontece porque ele quer dar a resposta na mesma velocidade dos coleguinhas e acaba não contando direito nos dedos ou não visualiza os bloquinhos. Quando pego o erro na hora, não deixo passar batido. Eu paro tudo e a gente repete junto usando material concreto igual os dedinhos ou aqueles cubinhos coloridos até ele visualizar direitinho.
Falando agora do Matheus que tem TDAH... Ele é cheio de energia e se distrai fácil demais. Pra ele, eu tenho que adaptar as atividades com mais movimento. A gente já tentou fazer umas corridas de soma no pátio da escola onde ele tinha que correr de um lado pro outro pegando cartões com números e fazer as somas enquanto corre. Isso funcionou bem porque ele se movia enquanto pensava. Já tentei colocar ele pra fazer atividades sentado por muito tempo e olha... não dava certo! Ele já começava a olhar pro lado depois de dois minutos. Outro jeito é usar músicas com rimas de soma, isso ajuda a manter ele interessado por mais tempo.
Com a Clara, que tem TEA, eu preciso adaptar de outro jeito. Ela responde melhor a rotinas estruturadas e visuais. Então com ela eu uso muito aqueles cartões visuais com desenhos representando operações simples. Tipo um cartão com três maçãs desenhadas de um lado e duas do outro pra representar 3 + 2. A Clara adora quebra-cabeças também, então a gente transforma as somas num quebra-cabeça visual onde ela precisa encaixar as peças certas pra formar o resultado correto. Tentei usar estímulos visuais muito chamativos achando que ia ajudar mas percebi que em vez disso deixava ela ansiosa.
Bom, pessoal, acho que deu pra compartilhar um pouco das minhas experiências aqui com vocês sobre como perceber o aprendizado dos meninos na prática e lidar com as particularidades de cada aluno. Espero que tenha ajudado alguém aí também! Qualquer coisa, estamos aqui na luta juntos nesse mundo da educação! Até mais!