Olha, pessoal, trabalhar essa habilidade EF01MA11 da BNCC é aquela coisa de ajudar os meninos a entenderem onde estão e onde as coisas estão em relação a eles. A gente fala sobre saber se a coisa tá à direita, à esquerda, em frente, atrás, essas coisas. É importante porque é assim que eles começam a se localizar no espaço. Eu costumo dizer que é como se eles estivessem criando um “GPS mental”.
A prática disso é tipo assim: os alunos precisam conseguir olhar para o espaço ao redor deles e dizer onde estão as coisas usando esses termos. Então, por exemplo, se eu colocar uma garrafa na mesa do Joãozinho, ele tem que conseguir dizer que ela está à direita dele. Ou se a gente estiver no pátio e eu pedir pra eles descreverem o que tá na frente deles ou atrás, eles conseguem fazer isso. Isso é legal porque na educação infantil eles já têm uma noção básica de espaço, né? Eles sabem onde fica a porta da sala, onde tá o quadro, a mesa, mas agora a gente aprofunda esse vocabulário e essas relações espaciais.
A primeira atividade que faço é uma brincadeira meio teatral. Eu uso objetos comuns da sala, tipo lápis, cadernos e mochilas. Coloco os meninos em duplas e dou pra cada dupla alguns desses objetos. Peço pra um deles posicionar os objetos em relação ao outro e depois descrevê-los usando "à direita", "à esquerda", "em frente" e "atrás". Dou uns 10 minutos pra isso e depois trocamos as funções. Eles costumam adorar porque é uma atividade meio lúdica, né? Da última vez, a Maria Clara colocou todos os objetos do lado esquerdo do Pedro e ele ficou encucado tentando entender como descrever tudo de uma vez! Foi bem divertido ver a galera rindo e ajudando ele.
Outra atividade que funciona bem é o caça ao tesouro. Eu uso pistas escritas em papeizinhos e escondo alguns “tesouros” (que podem ser chocolates ou adesivos) pela sala. Cada pista tem uma dica relacionada ao espaço, tipo "Dê cinco passos para a frente e olhe à sua esquerda". Organizo os alunos em grupos pequenos de 3 ou 4 e eles têm cerca de 20 minutos para achar todos os tesouros. Essa foi um sucesso com o Lucas e o Gabriel; eles são super competitivos e sempre levam os amigos junto na empolgação. Uma vez, o Lucas até me contou que agora ele usa as dicas de espaço pra ajudar a mãe dele a achar coisas perdidas em casa.
A terceira atividade é mais uma dinâmica de grupo no pátio da escola. Eu divido a turma em duas filas e faço um circuito com obstáculos simples, como cones ou cordas no chão. O objetivo é que cada aluno guie seu colega de olhos vendados pelo circuito usando apenas as instruções de posição espacial. Essa leva uns 30 minutos no total porque cada dupla precisa ter sua vez. Os alunos adoram essa ideia de confiar nos colegas pra não esbarrar nas coisas. Na última vez que fizemos isso, o Matheus quase levou a Ana Julia pro lado errado do circuito porque confundiu esquerda com direita, mas foi ótimo ver como eles resolvem as coisas sozinhos.
No geral, essas atividades são maneiras de tornar o aprendizado mais concreto. As crianças aprendem melhor quando conseguem ver e experimentar as coisas diretamente, então eu sempre procuro trazer essas experiências práticas pra elas. E assim, ao final dessas atividades todas, dá pra ver como eles ficam mais seguros ao usar esses termos espertos no dia a dia.
Acho que o mais importante é lembrar que essas ideias não precisam de muito material complicado; dá pra fazer com coisas simples que já temos na escola ou até em casa mesmo. O bom é ver a evolução dos meninos e saber que estamos ajudando eles a se tornarem mais independentes no espaço físico deles também.
E aí, alguém tem outras ideias de atividades legais pra trabalhar essa habilidade? Tô sempre aberto a sugestões! Valeu!
Olha, galera, perceber que os meninos entenderam essa coisa de localização sem aplicar prova formal é um lance interessante. Na verdade, eu fico bem de olho nas reações deles no dia a dia. Quando eu tô circulando pela sala, dá pra sacar quem pegou a ideia e quem ainda tá patinando. Tipo, quando a gente faz uma atividade de colocar objetos em posições específicas, eu observo como eles reagem. Se o Pedro coloca o lápis à direita do caderno sem hesitar, já sei que ele tá sacando. Outro dia, eu vi a Ana explicando pra colega: "Olha, você tem que colocar o livro na frente da borracha". Nesse momento, eu pensei: "ah, essa entendeu". E tem aquelas horas que as conversas entre eles são muito reveladoras. Quando um aluno começa a corrigir o outro usando os termos certos, é um sinal claro de que a coisa já tá consolidada na cabeça deles.
Agora, sobre os erros mais comuns, sempre tem aqueles tropeços básicos. Muitas vezes, os alunos confundem esquerda e direita. É normal porque, né, a gente adulto às vezes também se enrola. O Lucas, por exemplo, vira e mexe fala que algo tá à esquerda quando tá à direita. Aí eu vou lá e digo: "Lucas, vamos fazer juntos de novo? Olha aqui o seu braço direito". E mostro alguma referência pra ele não esquecer. Outra situação comum é quando eles ficam inseguros sobre frente e trás em relação a eles mesmos ou a outra pessoa. Sessão de risos garantida quando um coloca a mochila nas costas da cadeira mas jura que tá na frente.
Esses erros acontecem porque essa noção espacial é algo que se desenvolve com prática e repetição. Eu tento sempre criar oportunidades pra eles praticarem isso de forma lúdica e com bastante interação entre eles. E quando pego um erro na hora, volto com eles para um exemplo concreto e faço perguntas tipo: "E se você fosse virar agora, onde ficaria a sua mão direita?". Isso ajuda a fixar melhor.
E aí entra o Matheus com TDAH. Com ele, preciso ser ainda mais criativo e paciente. O Matheus se distrai fácil, então atividades que são muito longas não funcionam bem. O que eu faço é dividir as tarefas em partes menores e usar materiais mais palpáveis para ele interagir, tipo bonecos ou brinquedos que ele pode manipular para visualizar melhor a posição das coisas. Isso ajuda demais porque ele consegue focar por períodos curtos e vai construindo o entendimento aos poucos. Um dia desses usei uma sequência de cartões coloridos no chão pra ele seguir e dizer as direções enquanto caminhava. Pra ele foi ótimo.
Já com a Clara, que tem TEA, o desafio é diferente. Ela se dá melhor quando sabe exatamente o que esperar das atividades e quando elas são visuais e estruturadas. Com ela eu uso cartões com imagens claras e tabelas simples que mostram direções e posições de forma bem objetiva. A Clara se beneficia muito dos momentos de repetição e do apoio visual consistente. Já testei usar música pra ajudar na concentração dela durante as atividades, mas percebi que não foi tão eficaz — parecia mais uma distração do que uma ajuda.
Nessa caminhada com cada um deles aprendi que flexibilidade é chave. Não adianta forçar uma mesma técnica pra todos os alunos porque cada um recebe melhor de um jeito diferente.
Bom, pessoal, é isso aí que eu queria compartilhar hoje sobre como percebo o aprendizado dessa habilidade EF01MA11 na sala de aula e como lido com as necessidades específicas do Matheus e da Clara. Espero que possa ajudar vocês também nas suas turmas! Até mais!