Olha, quando a gente fala de EF05MA16, o que passa pela minha cabeça é bem simples: é fazer a turma entender que aquelas formas 3D que eles veem no dia a dia, tipo caixa de sapato, latinha, pirâmide, têm uma representação no papel depois de desmontadas, que é o tal do planificar. A gente tem que ajudar os meninos a perceberem que essas figuras podem ser abertas e que essas aberturas formam figuras planas. Eles já vêm com uma noção básica disso do 4º Ano, mas ainda estão começando a entender como se desenrola na prática. O objetivo final é que eles consigam olhar um cubo, por exemplo, e pensar: “Se eu abrir essa bagaça, vira isso aqui”. E, claro, eles precisam saber nomear cada figura e entender o que é um prisma ou uma pirâmide, quais são as diferenças entre eles.
Pra começar a trabalhar isso com os meninos, eu gosto de usar materiais simples que eles podem pegar e mexer, porque sinto que aprendem melhor assim do que só vendo no quadro. Uma das primeiras atividades que faço é com papelão e tesoura. A turma se organiza em duplas ou trios, depende do dia e de como tá o clima na sala. Eu levo caixinhas de papelão pequenas, aquelas de pasta de dente ou de remédio mesmo. A ideia é que cada grupo escolha uma caixa, abra ela cuidadosamente e tente planificar. A gente leva umas duas aulas pra fazer isso direitinho. É bem divertido ver como reagem. Teve um dia em que a Ana Clara ficou espantada quando percebeu que a caixa que ela achava ser só um retângulo virou um monte de quadrados e retângulos no papelão aberto. Ela soltou um “Nossa!” tão espontâneo que a sala toda riu.
Aí, depois disso, uma segunda atividade que funciona muito é criar modelos de cones e cilindros com papel sulfite. Essa aí leva mais tempo porque envolve mais passos. Primeiramente eu explico pra turma como desenhar o círculo e o setor circular pra montar o cone. A gente usa compassos pra desenhar os círculos - mas antes disso, eu sempre dou um jeito de explicar como usar o compasso porque não é algo que eles já dominam bem. Os meninos se organizam em grupos maiores dessa vez pra ajudar uns aos outros com essa parte mais técnica. Depois é hora de cortar e montar esses modelos. Eles ficam muito empolgados nessa parte! O João Pedro fica super focado usando a cola pra juntar tudo direitinho – parece até um mini engenheiro! No final dessa atividade, normalmente a sala tá uma bagunça de papéis recortados, mas todo mundo tá feliz com seus cones e cilindros.
Uma terceira atividade prática que faço é usar massinha de modelar pra construir pirâmides e prismas. Isso rola numa aula só porque não precisa tanto tempo assim. Primeiramente peço que construam uma base com a massinha - pode ser um triângulo ou quadrado - e depois vão adicionando camadas pra cima formando as faces laterais da pirâmide ou prisma. Essa tarefa ajuda muito eles a visualizarem como as faces se conectam umas às outras no espaço tridimensional antes de pensar em como seria planificar. O Bruno às vezes reclama dizendo que não tem muita paciência para modelar a massinha, mas depois se empolga quando vê o resultado final.
Uma coisa interessante aconteceu na última vez que fizemos essa atividade: a Isabela estava tentando fazer uma pirâmide triangular e estava toda confusa sobre como juntar as faces laterais pra fechar direitinho em cima. Ela passou uns minutos insistindo até conseguir – e quando finalmente deu certo, ela levantou a mão dizendo: “Olha, professor! Consegui fechar direitinho!”. Foi uma alegria só!
Então assim, trabalhar essa habilidade da BNCC com os meninos é fascinante porque você vê o momento exato em que eles fazem aquela ligação de raciocínio entre o abstrato da geometria no papel e o concreto dos objetos que podem tocar e montar. E mais do que isso: eles se divertem enquanto aprendem, o que acho essencial pra realmente fixar aquele conhecimento na cabeça deles.
A cada vez que fazemos essas atividades práticas percebo um entusiasmo maior por parte dos alunos em relação à matemática, especialmente porque começam a ver utilidade no que aprendem ao identificar esses conceitos na vida real – tipo numa embalagem de presente ou em algum outro objeto do dia a dia. E aí você vê nos olhos deles aquela faísca de reconhecimento e orgulho próprio por entender algo novo. Enfim, é isso galera! É assim que vou tocando esse barco aqui em Goiânia com meus alunos do 5º Ano. Abraço!
"Ah, então um cubo planificado é isso aqui, tipo um cruzadinho de quadrados". E, olha, não é fácil chegar nesse ponto não, mas a gente vai pegando no dia a dia. No meio daquela bagunça boa da aula, quando eu tô circulando entre os grupos, escuto cada conversa que me faz perceber que eles estão começando a pegar o jeito. Tipo quando o Joãozinho vira pro Pedro e fala: "Cara, se você abrir essa caixa aqui, vão ter seis retângulos juntos, né?" Aí já sei que ele tá no caminho certo.
Outra coisa que me ajuda a ver o aprendizado é quando um aluno explica pro outro. Sabe? O Vinicius outro dia estava tentando mostrar pra Amanda como desenrolar uma pirâmide e ele foi lá e usou um giz pra desenhar no chão do pátio. Eu deixei porque, olha, não tem jeito melhor de aprender do que ensinando. Quando vejo essa interação, fico satisfeito porque sei que tão entendendo mais do que só na teoria.
Agora, os erros mais comuns... Ah, esses dão história! A Aninha, por exemplo, sempre confunde as coisas. Ela acha que todas as faces de uma figura tridimensional são quadrados, mesmo quando a gente está falando de um cilindro. É comum eles confundirem o cilindro com um prisma retangular. É aquela velha história: eles estão acostumados com caixas e não percebem que a lata de feijão em casa é diferente. Geralmente, quando percebo esse tipo de erro, gosto de trazer objetos reais pra sala e fazer eles compararem com o desenho. Pergunto: "Se essa latinha aqui fosse um cubo, as tampas iam ser quadradas ou circulares?" Aí dá aquele clique.
O Matheus, com TDAH, precisa de uma atenção diferente. Ele é super esperto, mas dispersa rápido demais. Aí eu tento fazer atividades mais práticas pra ele se engajar. Uso muita coisa colorida pra chamar a atenção dele. E também dou pequenas tarefas de construção durante a aula pra que ele possa mexer e manter o foco. Mas já percebi que não adianta dar muita coisa ao mesmo tempo porque aí vira confusão na cabeça dele. Uma coisa de cada vez funciona melhor.
Já a Clara, que tem TEA, responde bem a rotinas previsíveis. Então tento seguir uma estrutura parecida em todas as aulas pra ela se sentir confortável. Quando a atividade envolve montar figuras espaciais com papelão ou cartolina, ela gosta porque consegue ver e tocar no que tá fazendo. Mas se mudo muito o jeito da explicação ou começo a falar rápido demais, ela se perde. Então mantenho sempre um passo a passo claro pras atividades.
O que funciona bem pro Matheus é deixá-lo ajudar na hora de distribuir os materiais. Ele adora e isso o mantém focado por mais tempo. Pra Clara, usar imagens claras e deixar ela explorar cada peça no tempo dela dá resultado. Mas já tentei usar alguns aplicativos interativos online e vi que pro Matheus funcionam melhor do que pra Clara porque ela precisa de tempo pra processar as interações.
Bom, gente, é isso aí por hoje! Cada dia na sala de aula é uma descoberta nova com esses meninos. E não tem fórmula mágica: é teste e erro mesmo até encontrar o que funciona melhor pra cada um deles. Se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar experiências parecidas, tô por aqui! Até mais!