Olha, a habilidade EF01MA18 da BNCC, na prática, é ensinar os meninos a olhar pro calendário e entender o que tá rolando ali. Eles precisam saber escrever uma data certinho, tipo assim: "15 de novembro de 2023", e também descobrir que dia da semana esse dia cai. É como ajudar a galera a se localizar no tempo, sabe? Eles já vinham do Infantil com alguma noção de tempo, tipo "hoje", "amanhã", "ontem", mas agora a coisa fica mais concreta. Eles começam a entender que o calendário não é só aquele quadro cheio de números na parede, mas que realmente serve pra planejar coisas e lembrar datas importantes.
Uma primeira atividade que eu costumo fazer é começar com uma conversa sobre o calendário do mês. Eu levo um calendário bem grandão pra sala, coloco na lousa e a gente começa a explorar juntos. Pergunto: "Galera, que dia é hoje?" E aí começa a dinâmica. Alguns já sabem responder rapidinho, outros ainda ficam meio perdidos. Aí eu vou mostrando como encontrar o dia. Pego o dedo de alguém e mostro: "Olha aqui, o número 1 tá aqui embaixo de domingo, então esse é o primeiro dia do mês." Isso geralmente leva uns 15 minutos por dia, mas é uma coisa que faço todo início de aula durante uma semana inteira.
Numa dessas vezes, a Maria Clara levantou a mão e falou: "Professor, meu aniversário é no dia 10! Que dia da semana vai ser?" Aí foi massa porque pegamos o dedo dela e fomos contando até chegar lá. Quando ela viu que ia cair numa sexta-feira, ficou toda animada porque podia fazer festa no final de semana. É legal ver como eles começam a fazer relações com a vida deles mesmo.
Outra atividade que gosto muito é o jogo das datas. Eu imprimo cartões com datas diferentes — tipo, uma data em cada cartão — e eles têm que sortear um cartão e descobrir que dia da semana é aquela data. Na última vez que fiz isso, usei 30 cartões pra que cada um tivesse pelo menos uma chance de jogar. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco pra ficar mais dinâmico e evitar enrolação. Essa atividade leva cerca de 30 minutos porque quero garantir que todos tenham tempo de participar.
Lembro do João Pedro nessa atividade, ele tirou o cartão com a data de 25 de dezembro de 2023 e ficou todo feliz porque era Natal. A turma toda começou a falar do que gosta de fazer no Natal, e foi uma bagunça boa! Quando ele descobriu que ia cair numa segunda-feira esse ano, deu pra puxar o assunto sobre como as datas podem mudar de um ano pro outro.
A terceira atividade envolve os aniversários da turma. Todo começo de mês, fazemos um cartaz com as datas de aniversário dos alunos daquele mês. Cada um escreve seu nome e dia no cartaz, e a gente coloca na parede. Ajuda muito na questão de reconhecer os números e meses, além de ser ótimo pra eles se sentirem especiais naquele mês. A organização disso é simples: cada aluno tem seu momento na frente da turma pra escrever sua data. Leva uns 20 minutos no início do mês.
Teve uma vez em que o Pedro Henrique escreveu errado seu próprio aniversário, trocou o mês por outro. A turma toda começou a rir, mas foi uma oportunidade ótima pra revisar os meses e como eles aparecem no calendário. Depois disso, ele nunca mais errou.
Essas atividades são boas porque tiram os alunos da mesmice e fazem com que eles realmente interajam com o conteúdo em vez de só copiar da lousa ou responder exercício no caderno. Eu vejo que quando eles se envolvem assim, as coisas ficam mais marcadas na cabeça deles.
No fim das contas, trabalhar essa habilidade é preparar os meninos pras coisas práticas do dia a dia mesmo. Saber quando é feriado pra combinar um passeio em família ou lembrar quando é aniversário do amigo pra levar um presente são coisas pequenas mas importantes. E essas atividades são só algumas maneiras de dar vida ao calendário!
Então, falando sobre como eu percebo que os meninos aprenderam essa coisa de usar o calendário, sem precisar aplicar uma prova formal, é mais no dia a dia mesmo. Tipo, quando eu tô circulando pela sala, só de ouvir a conversa entre eles, já dá pra sacar quem tá pegando a ideia. Um exemplo concreto foi uma vez que vi a Ana explicando pro Joãozinho como descobrir que dia da semana cai um aniversário. Ela tava lá, papel na mão, contando os quadradinhos do calendário e falando “olha, é só você seguir essa linha aqui...”, e o Joãozinho balançando a cabeça, todo concentrado. Aí eu pensei: “ah, esses aí tão entendendo direitinho”.
Outra situação assim foi quando o Pedro chegou e me disse todo animado: “Professor, eu olhei no calendário e já sei que meu aniversário vai cair numa sexta-feira!”. Ele não só sabia achar o dia da semana como tava usando isso pra planejar, sabe? Dá orgulho ver quando eles começam a entender as coisas desse jeito.
Quanto aos erros mais comuns, tem uns que são clássicos. O Lucas, por exemplo, sempre confunde os dias do mês com os dias da semana. Uma vez ele veio e falou: “Professor, dia 20 de setembro é um domingo, né?”, mas ele nem tinha olhado no calendário direito. Os meninos acabam confundindo porque ao ver um monte de números e nomes de dias, às vezes fica meio embaralhado na cabeça deles. Quando eu pego esse tipo de erro na hora, eu trago o Lucas pra perto e mostro no calendário como conferir direitinho. Faço ele contar junto comigo os dias da semana até achar a data certa.
E tem também o caso da Sofia que uma vez tava tentando escrever uma data e trocou tudo: colocou o mês antes do dia e por aí vai. Aí a gente senta junto e faz umas atividades práticas pra corrigir isso, tipo montar um quebra-cabeça com as partes das datas pra ela treinar a ordem certa.
Agora, com o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA na turma, eu preciso adaptar as coisas de forma diferente. Com o Matheus, por exemplo, eu procuro quebrar as atividades em partes menores porque ele perde o foco fácil se a tarefa for muito longa. Se a atividade é escrever datas no calendário, faço ele completar uma parte por vez e dou intervalos rápidos. Também uso materiais mais chamativos pra ele, tipo calendários coloridos e jogos de cartas com datas pra prender a atenção dele.
Já com a Clara que tem TEA, eu percebi que funcionou melhor quando usei calendários com imagens associadas aos dias porque ela responde bem a estímulos visuais claros. E também faço questão de ter um espaço mais tranquilo pra ela trabalhar, sem muito barulho em volta porque ela se distrai com sons altos ou confusos.
Teve uma vez que tentei fazer uma dinâmica em grupo com toda a turma pra entender os meses do ano e o Matheus e a Clara não conseguiram acompanhar bem. Foi muito estímulo ao mesmo tempo pra eles dois. Então agora eu prefiro trabalhar algumas dessas coisas individualmente ou em dupla com eles antes de juntar à turma inteira.
Bom, é isso por hoje. Espero que essas histórias ajudem vocês aí do outro lado do fórum também! Às vezes essas adaptações são desafios diários mas quando vejo um aluno entender algo pela primeira vez é uma sensação incrível. Qualquer dúvida ou dica tô sempre por aqui pra gente trocar ideias! Até mais pessoal!